Os leitores de HQs devem saber que Guerra Civil foi uma saga épica publicada lá em 2006. Tida até hoje como um dos maiores sucessos da Marvel, a trama botou herói contra herói e redefiniu os quadrinhos para sempre.

Como fazer, então, com que o filme derivado dos quadrinhos, Capitão América: Guerra Civil, consiga superar seu material de origem? Ora, tornar as coisas ainda mais pessoais pareceu um bom ponto de partida.

Parece uma afirmativa estranha, mas o fato é que o primeiro trailer do filme acaba transformando a trama em um tipo de história de amor, com o Capitão América dividido entre seu ex (Bucky, o antigo camarada de guerra transformado no Soldado Invernal) e sua atual relação com o Homem de Ferro.


Alguns momentos do trailer deixam esse raciocínio bem explícito, como na fala: “Você sabe que eu não faria isso se tivesse escolha, mas ele é meu amigo”, dita por Chris Evans antes de sermos cortados para o triste rosto do Tony Stark de Robert Downey Jr.

A própria Viúva Negra de Scarlett Johansson alerta o Capitão, dizendo: “Eu sei o quanto o Bucky significa para você, mas fique longe, por favor, você só vai piorar as coisas”. É um dramalhão de relacionamento de primeira, com um subtexto capaz de se sobrepor ao arco principal.

O lance é que funciona. O conceito original dos quadrinhos, sobre autoridades procurando criar uma base de registro de identidades de heróis, criminalizando os que se recusam a obedecer, chega a receber uma menção no trailer de Capitão América 3, com o General Ross chamando o Capitão América de vigilante.

Só que isso é um argumento meio deslocado no universo cinematográfico da Marvel, onde os heróis atuaram o tempo todo sob a jurisdição da S.H.I.E.L.D., sempre supervisionados. Um conceito que o Capitão deveria entender melhor que todos os demais, já que até termina Era de Ultron treinando uma nova equipe de Vingadores para a organização.

Por que um cara assim aceitaria lutar contra a oficialização de tudo que ele sempre fez e acreditou? Bom, por causa do Bucky.

Ao invés da decisão ser tomada por causa de um grupo de super heróis adolescentes causando uma explosão, como nos quadrinhos, parece muito mais interessante que em Capitão América 3 a transição ocorra por “culpa” do antigo parceiro do Capitão, um personagem que ele procura e tenta ajudar desde o fim de O Soldado Invernal.

É claro que Steve Rogers arriscaria tudo por seu melhor amigo, esse é o tipo de homem cheio de moral que todos nós conhecemos. Uma solução bem melhor do que o personagem dos quadrinhos, que resolvia ir contra o governo só porque sim.

Botar o Bucky no centro da Guerra Civil não só amarra um monte de questões de roteiro, como ainda entrega uma razão crível para o Capitão América se voltar contra seus colegas de equipe. Tudo isso confere muito mais emoção e coração de verdade aos emocionantes confrontos entre os heróis, que tem tudo para deixar a audiência totalmente fisgada pelo drama. Tudo por causa de Bucky.