Muito temos ouvido falar nos últimos tempos sobre a série Gotham, mais uma série originada dos quadrinhos, mais um produto desse grande mercado de super-heróis que vem se expandindo nos últimos anos.

Mas certamente o contraponto de Gotham é o número de críticas negativas que vem sendo atribuída a série, diferente do que vem acontecendo com The Flash ou Arrow. É então que começamos a questionar os motivos dessa série não estar em um patamar – seja em questões de adaptação, roteiro ou conceito – das outras séries produzidas pela mesma emissora e com uma dinâmica bem comum entre elas.

A série produzida por Bruno Heller teve – com ênfase – em sua primeira temporada, o seu ápice na diversidade adotada nas diversas abordagens a que se propôs, algo que era de se esperar já que diferentemente das outras duas séries que convenientemente resolvemos utilizar como exemplo, Gotham não possui o seu guardião e símbolo como protagonista da série.


Desde então, muitas figuras passaram a rondar o imaginário do público da série como potenciais ‘coadjuvantes de luxo’, atores que em determinado momento se destacaram nesse arco desenvolvido até então. Como exemplo de um desses potenciais (mal)explorados pela série, podemos citar Selina Kyle (Camren Bicondova), que se destacou logo em suas primeiras aparições e cativou milhares de fãs da série com sua forte presença e imposição, interpretando algo que conseguimos facilmente vislumbrar como uma futura Mulher-Gato.

Outro grande destaque da primeira temporada da série também foi Oswald Cobblepot (Robin Lord Taylor), que deu uma nova roupagem, carisma e uma dimensão completamente nova ao Pinguim. O personagem se tornou rapidamente um grande potencial da série, chegando a segunda temporada já como um de seus destaques.

Finalmente, no decorrer da segunda e atual temporada de Gotham, vimos esse enredo se transformar levemente e passar a explorar com brilhantismo o recorrente personagem Jerome Valeska (Cameron Monaghan), nos fazendo por muito tempo ansiar um rápido desenvolvimento de sua origem que nos levasse logo a revelação de um potencial Coringa.

Já nos últimos episódios, depois do desfecho marcante do conceito desenvolvido pela série no arco de Jerome Valeska, vimos que o detetive Jim Gordon se tornara (finalmente, para alguns) algo que de certa forma podemos enxergar como um destaque. O personagem já era, desde o início da trama, o protagonista de fato da série. O que temos visto é um potencial sombrio rondar Jim Gordon, não sabendo até onde isso nos levará e quais serão seus desdobramentos.

A partir daí muito se questiona, se compara com as graphic novels ou obras cinematográficas, e se cobra desse distanciamento de referências. Fato é que Jim Gordon agora é o que sobrou para se explorar, de certa forma. O que insurge disso são certamente as críticas ao intérprete de Bruce Wayne (David Mazouz) por sua falta de carisma e talento, relegando a Bruce um caráter cada vez mais de coadjuvante. Sei que a partir disso muitos questionam que de fato o personagem nesse momento não poderia passar de um coadjuvante, mas certamente esse baque foi sentido pelos produtores que reduziram drasticamente a ênfase do ator ao longo da atual temporada.

Mas seja pelo fato do contexto abordado ou pelas características do produtor da série – que já não gosta muito de dar ênfase a um personagem dentro de suas tramas – Gotham tem mais destaque nessa temporada, é mais sombria (nossos agradecimentos sem dúvidas a Jerome Valeska por esse fato) trazendo ao seu enredo uma proximidade um pouco maior com as abordagens do Batman de Frank Miller ou Christopher Nolan. O que podemos tirar disso é que, apesar dos pesares, as pessoas que fazem esta série estão fortemente comprometidas com sua qualidade e podemos esperar muito mais.