ATENÇÃO: esse artigo contem spoilers do filme!

A julgar pelos recordes e mais recordes quebrados por Star Wars: O Despertar da Força nas bilheterias, o mundo inteiro (provavelmente) já assistiu à nova investida de J.J. Abrams no universo mais popular da ficção científica.

Apesar da maioria das pessoas ter adorado o filme, algumas queixas rapidamente surgiram e foram discutidas: a similaridade absurda com Uma Nova Esperança, a captura de performance pouco convincente feita nos personagens Snoke e Maz Kanata, o desaparecimento de Poe Dameron e Capitão Phasma por largas porções do filme, etc.


10 ideias incríveis descartadas pelo filme

Os itens que listamos aqui, no entanto, não foram muito discutidos até agora. Confira a seguir e depois veja se concorda com a gente:

Todos os vilões são péssimos (exceto Kylo Ren)

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Todos podemos concordar que Kylo Ren é um vilão fantástico. Interpretado por Adam Driver como um garoto petulante e com um ótimo arco de personagem durante Star Wars: O Despertar da Força, ele é uma das melhores coisas no filme de J.J. Abrams.

E também é justo com o diretor notarmos que, com um filme de pouco mais de 2h em mãos, ficou difícil desenvolver e contar a história de tantos personagens. Mesmo assim, Hux, Phasma e Snoke são tão bidimensionais que fica difícil nos importarmos com eles para além da expectativa de sua derrocada.

A Starkiller Base não tem nada de grandioso

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Ou pelo menos é isso que Abrams e seus co-roteiristas parecem achar, visto que a base das forças vilanescas do filme é apresentada sem muita fanfarra nem uma introdução apropriadamente grandiosa.

A falta de uma história de fundo para essa Estrela da Morte 3.0 torna tudo um pouco banal demais, não importa o quão impressionante são os efeitos especiais empregados para nos mostrar a escala do exército liderado por Kylo Ren.

Rey é poderosa demais, rápida demais

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O roteirista e twitteiro Max Landis atraiu muitas críticas ao caracterizar a personagem de Daisy Ridley em Star Wars: O Despertar da Força como uma “Mary Sue”, apelido utilizado por roteiristas para se referir à personagens que obtem habilidades intensas com muita rapidez ou facilidade. O ponto que ele faz é bastante válido.

Em uma cena simbólica desse problema, Rey utiliza um truque mental do repertório dos Jedi em um stormtrooper, mesmo que ninguém nem nada no contexto do filme a tenha ensinado que esse tipo de poder sequer existia.

Daisy Ridley não é uma boa atriz

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Por falar em Rey, apesar de muita gente ter considerado a atuação da novata Daisy Ridley no papel bastante envolvente, em várias cenas a atriz não nos convenceu. A protagonista não entregou seus diálogos de forma convincente, especialmente nas cenas iniciais passadas em Jakku, onde ela era constantemente a única voz humana nos diálogos com BB-8. Ridley sempre soava como se não estivesse confortável com o fato de estar conversando com um androide.

A parte física da personagem e as cenas de ação são acertadíssimas por Ridley, mas talvez os produtores devessem ter escolhido uma atriz mais experiente ou mais confortável com o material e o gênero do filme para o papel.

Escolhas de edição

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Sejamos justos: J.J. Abrams escolheu editar certas coisas do filme para torná-lo mais ágil e enxuto, o que é ótimo – mas algumas dessas escolhas são difíceis de engolir. Por exemplo, Poe Dameron (Oscar Isaac) reaparece em um momento crucial da história para ajudar as forças da Resistência, logo depois de ser deixado de lado por uma porção grande do filme e sem nenhuma explicação sobre como saiu da situação precária em que o havíamos deixado.

Outro caso de edição excessiva talvez seja o desaparecimento completo de Maz Kanata (Lupina Nyong’o) do filme após a destruição do seu castelo. Abrams disse que no roteiro original ela era arrastada para D’Qar com o resto dos personagens, mas que isso foi cortado.

O nome verdadeiro de Kylo Ren

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Não dá para negar que foi uma referência incrível quando Han Solo gritou “Ben!” para Kylo Ren. É muito bacana que Abrams tenha pensado em fazer Leia e Han batizarem seu filho em homenagem ao nome verdadeiro de Obi-Wan Kenobi.

O problema é que nem Leia nem Han realmente chamavam Obi-Wan de Ben, e o nome só tinha significado importante emocionalmente para Luke, que viveu com o mestre durante o tempo em que ele escolheu ser chamado dessa forma. Se Leia e Han quisessem homenagear o mestre Jedi que essencialmente os apresentou um ao outro, eles provavelmente batizariam seu filho de Obi-Wan.

Os mistérios são um pouco irritantes

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Os mistérios deixados por Star Wars: O Despertar da Força não são como os mistérios no final de O Império Contra-Ataca, por exemplo. Enquanto o filme antigo nos deixou ansiosos para saber como os rebeldes salvariam Han Solo e como Luke iria lidar com a realização de que Vader era seu pai, a obra de J.J. Abrams é frustrante porque não responde questões fundamentais sobre os novos personagens – questões que deixaram os fãs ansiosos desde que tais personagens foram anunciados.

Teremos que esperar mais um ano e meio para descobrirmos quem Rey realmente é, quem são seus pais, e se a história de Finn tem alguma ligação maior com a mitologia da série ou não.

O filme não corresponde ao seu hype

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E nem poderia corresponder. Era impossível para o pobre J.J. Abrams agradar a todo mundo que queria ser agradado e contemplado por Star Wars: O Despertar da Força. O diretor fez um trabalho admirável e impressionante com o filme que chegou aos cinemas, mas ele ainda é imperfeito em muitos aspectos e sob muitos pontos de vista, seja o do fã mais ferrenho ou o do frequentador de cinema mais desavisado.

O problema é que Star Wars foi colocado em um pedestal cultural por tempo demais (décadas!), e é impossível para qualquer novo filme ser satisfatório da forma como a primeira trilogia foi – mas ele pode chegar bem perto de ser, como O Despertar da Força o faz. No final das contas, tudo depende de nós, os fãs.