8 motivos que tornam Os 8 Odiados um dos melhores filmes de Tarantino

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Inicialmente anunciado como uma espécie de continuação de Django Livre, e quase arruinado quando um rascunho do roteiro vazou on-line, Os 8 Odiados chega aos cinemas essa semana com a recepção crítica e dividida que os filmes de Quentin Tarantino sempre recebem. No entanto, há mais do que algumas razões para amá-lo como um dos melhores filmes da explosiva carreira do diretor/autor revelado nos anos 1990, com Cães e Aluguel e Pulp Fiction.

Crítica | Os 8 Odiados marca o auge da carreira de Quentin Tarantino

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Se acreditarmos nas declarações mais recentes de Tarantino, Os 8 Odiados também é o antepenúltimo filme de sua carreira, visto que o diretor disse querer encerrá-la com 10 filmes. Aqui estão alguns motivos para apreciá-lo enquanto há tempo:

Junta todos os elementos de seus filmes anteriores

Qualquer filme em que um diretor tem total liberdade criativa vai dividir determinadas características com as obras anteriores de sua carreira – em se tratando de Quentin Tarantino, isso é ainda mais óbvio. No entanto, Os 8 Odiados não é só mais um filme típico do cineasta americano, mas sim uma culminação de vários elementos, temas, atores e estruturas vistas em seus outros filmes.

É óbvio que a trama é parecida com a de Cães de Aluguel, que o período em que se passa é similar à Django Livre, e que o elenco traz atores de diferentes obras do diretor, mas é na estrutura, nos truques narrativos (um grande flashback em certo ponto do filme chama especialmente a atenção) que Os 8 Odiados se relaciona a filmes como Bastardos Inglórios, Pulp Fiction, Jackie Brown e Kill Bill.

Tem um tom consistente

Após o relativo fracasso de Jackie Brown, Tarantino passou a segunda metade de sua carreira simulando e revivendo a mágica de Pulp Fiction – o que não é algo ruim, uma vez que o filme de 1994 não se tornou um clássico contemporâneo por acaso. Em alguns casos, no entanto, o tom de sátira e as referências fora de lugar entravam na frente da vibe do filme, especialmente em históricas de época como Bastardos e Django.

Com Os 8 Odiados, no entanto, um Tarantino mais maduro constrói um filme ainda cheio de suas idiossincrasias, mas essencialmente consistente em termos de tom e gênero. Os 8 Odiados é um faroeste violento com um toque de Tarantino, mas ainda é um faroeste na definição mais pura da palavra, com as referências alinhadas para tal e as brincadeiras conceituais controladas.

Tem um ponto claro e complexo para fazer

A maioria dos filmes de Quentin Tarantino pós-Jackie Brown podem ser resumidos a um grande tema: vingança. Cada um deles se concentra em um personagem oprimido se vingando de um personagem opressor, conectando o pessoal ao social de forma habilidosa – em Os 8 Odiados, as coisas ficam mais complexas, com um discurso complicado que casa com a época em que o filme se passa, logo depois da Guerra Civil americana, centrada na questão da abolição da escravatura.

Os 8 Odiados discursa sobre racismo e a forma como esse preconceito permeia relações sociais que inicialmente não parecem ser relacionadas. O filme tem personagens que usam a palavra “nigger”, considerada ofensiva, mas há um elemento de desconforto mesmo nesses momentos, e a nota final do filme é mais poderosa do que apenas uma vingança moral simplista.

A música tem um grande impacto

Ao contrário da maioria dos filmes de Tarantino, em que o próprio diretor escolhe faixas de filmes clássicos ou referências pop para a trilha-sonora, Os 8 Odiados tem uma trilha original de Ennio Morricone, o mestre das composições faroeste – aos 87 anos, Morricone é chamado de maestro por Tarantino, um grande fã de sua obra. O resultado é que o compositor italiano traz um senso de inquietação, originalidade e surpreendente criatividade à obra do diretor.

Em uma cena em específico, dois personagens cravam estacas no chão coberto de neve para marcar o caminho até um banheiro. Um momento que poderia ser inócuo sem a trilha de Morricone se torna inesperadamente agourento, e chama muito a atenção.

Não parece ser muito longo

É possível argumentar, para qualquer um dos filmes mais recentes de Quentin Tarantino, que o diretor se tornou indulgente demais quanto à duração de seus filmes. Com Os 8 Odiados, no entanto, todos os 187 minutos de filme parecem necessários e, muito mais essencialmente, são tremendamente envolventes. Os personagens são ricos e interessantes, os diálogos são um deleite de se assistir, e as atuações e a tensão mantêm o espectador na ponta da cadeira.

O filme é dividido em seis capítulos, e cada um deles tem um motivo de ser, introduzindo um novo personagem, novo elemento, nova reviravolta de narrativa ou acontecimento importante. Tarantino criou um filme de 3 horas que não é excelente só porque foi ele que o escreveu, mas porque tem acontecimentos para preencher essas 3 horas.

É épico e íntimo ao mesmo tempo

Essa é a contradição fundamental da história de Os 8 Odiados, uma história essencialmente íntima no sentido que se concentra nas interações de um grupo pequeno de personagens confinados a um cenário ainda mais limitado. Ao mesmo tempo, essa história pessoal e íntima abre espaço, não pela primeira vez, na filmografia de Quentin Tarantino, mas talvez pela mais notável e explícita, para uma discussão maior de temas mais complexos e universais.

Essa característica, por sua vez, casa com a decisão de usar a fotografia em Ultra Panavision 70 de Robert Richardson, um parceiro de longa data do diretor. Essas lentes widescreen, que caíram em desuso há mais de 50 anos, concedem a todo o procedimento um tom épico que muitas vezes não condiz com o que vemos em tela, na maioria das vezes apenas interações entre personagens.

A versão em filme é uma experiência fenomenal

Além do lançamento padrão nos cinemas, Os 8 Odiados está sendo exibido nos EUA em uma versão em filme analógico, contendo uma introdução e uma intermission compostas da trilha de Ennio Morricone e de alguns title cards. O floreio dá ao filme a dimensão épica de um clássico, relembrando um tempo em que a experiência cinematográfica era muito mais ritualística, e ainda divide o filme em duas fatias bem distintas, dando mais um detalhe de profundidade para a narrativa.

É tudo sobre os constrastes

Django Livre se passa, tecnicamente, no Sul dos EUA (no Texas e no Mississippi), então Os 8 Odiados é na verdade o primeiro faroeste de Tarantino – mesmo assim, um elemento-chave do gênero (as paisagens desérticas) está ausente, e isso é só mais um dos muitos contrastes de Os 8 Odiados, um filme em que os personagens são literalmente divididos pelos fantasmas da Guerra Civil, e em que as tintas épicas são contrastadas com a história relativamente intimista.

Tudo, das decisões técnicas às narrativas, é pensado no sentido de provocar esses contrastes, e essa é uma maneira muito interessante de se fazer cinema – Tarantino já deu entrevistas dizendo que vai fazer só mais dois filmes, e nós esperamos que Os 8 Odiados dê o tom para que ambos sejam tão bons quanto.

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