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Crítica | O novo Arquivo X não é muito diferente do antigo

Publicado por Caio Coletti

23/01/2016 16:08

O fardo mais pesado que Arquivo X, o revival promovido pela Fox da sua série clássica de ficção científica dos anos 1990, é o olhar de nostalgia que qualquer fã da produção original deve lançar a ela. Aqueles que esperam um retorno à forma, no entanto, não devem se decepcionar: para o bem ou para o mal, Arquivo X está de volta, e essencialmente em sua forma original.

Até a abertura original está de volta, para aqueles que preferem suas séries de TV comicamente datadas! A série retoma como se nunca tivesse ido embroa, pelo menos em termos de feeling – é claro que os anos entre as temporadas envelheceram os heróis, e o mundo em que eles vivem, mas em termos de roteiro, direção e sentimento, esses episódios podem muito bem ter sido reciclados de scripts antigos, guardados no fundo do porão.

Infelizmente, isso nem sempre é um mar de rosas. Séries de TV amadas pelo público geralmente são lembradas pelos seus pontos altos, e fãs da série original podem citar uma série de episódios de Arquivo X que literalmente mudaram a forma como enxergamos as possibilidades de uma série de TV serializada (e de ficção científica). No entanto, o que muita gente não lembra são dos episódios mais medianos, e mesmo nesse padrão, a estreia dessa nova encarnação de Arquivo X apresenta uma escrita datada, com o criador Chris Carter cedendo a suas piores tendências de dar longos, entediantes e expositivos discursos e monólogos para os seus personagens. É algo familiar, mas não pelas razões que você espera que seja.

A trama, da forma como foi proposta, não requer conhecimento prévio da série. Os primeiros cinco minutos consistem de David Duchovny (Fox Mulder) em voice-over, resumindo tanto os aspectos mais gerais da mitologia da série quanto o histórico da relação entre Mulder e Scully (Gillian Anderson). A história nova em si começa com os dois separados, a vida que eles dividiam no segundo filme, de 2008, uma memória distante. Scully está em Washington, trabalhando como médica, enquanto Mulder se manteve isolado do mundo – uma chamada do seu antigo chefe (Mitch Pileggi) os reúne novamente, pedindo que eles encontrem-se com Tad O’Malley (Joel McHale, em um papel ingrato aos seus consideráveis talentos), um teorista de conspiração da internet cuja vontade de provar a existência de alienígenas o leva a procurar os antigos agentes que faziam exatamente isso.

O primeiro episódio desta que pode ser considerada a 10ª temporada não apresenta o melhor de Arquivo X, mas mantem um charme estranho, adquirido da vontade de ignorar todos os 15 anos de televisão que aconteceram desde o final da série original. O interessante é que a minissérie rapidamente muda de rumo, fazendo exatamente o contrário do que se espera de uma minissérie: ao invés de arrastar uma história por todos os seus seis episódios, Arquivo X pula direto para a sua estrutura clássica, com o segundo e o terceiro episódios servindo como histórias isoladas. Felizmente, Arquivo X lembra do que havia de ótimo em si mesma, e quer nos lembrar também.

O diálogo dos episódios subsequentes nos lembra – ao contrário dos da estreia – sobre tudo o que mais gostamos nesses personagens, e porque eles funcionam tão bem juntos. Não só isso, mas também nos dá mais dicas de como os anos entre as temporadas afetou o relacionamento entre eles. Mulder ainda pula rápido para conclusões sobrenaturais, mas suas presunções são temperadas pela experiência, assim como a atitude cínica de Scully, que já viu e viveu o bastante para duvidar de sua mentalidade rigidamente científica.

O terceiro episódio, por sua vez, parece um clássico instantâneo. Escrito e dirigido por Darin Morgan, o homem que encontrou a veia cômica de Arquivo X durante suas temporadas originais, “Mulder and Scully Meet the Were-Man” reflete na forma como muitos supostos eventos sobrenaturais foram desmentidos desde a saída de Mulder do FBI, e faz o agente passar por uma crise de meia-idade, duvidando da validade do seu trabalho. O terceiro episódio é o melhor argumento para o retorno de Arquivo X: nos diz que, não importa quão datados ou inacreditáveis, sempre existe uma necessidade para a presença de Fox Mulder e Dana Scully no mundo.

Arquivo X retorna aos EUA em 24 de janeiro e dois dias depois ao Brasil pelo canal Fox.

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