Frequentemente chamada de “a premiação mais descontraída de Hollywood” por conta do clima de confraternização (com direito a bastante bebida nas mesinhas, o que já proveu momentos memoráveis), a cerimônia do Globo de Ouro acontece neste domingo, dia 10, em Los Angeles.

Apresentada pelo sempre hilário Ricky Gervais, retornando ao serviço depois de três anos das insuperáveis Tina Fey & Amy Poehler, a premiação vai ser transmitida pelo canal fechado TNT, a partir das 22h, e também terá cobertura completa pelo Observatório do Cinema.

As indicações ao Globo de Ouro 2016 causaram tanta comoção que talvez o clima descontraído venha misturado com um pouco de tensão – mas será que todas as celebradas (ou não) indicações-surpresa vão levar o prêmio? Essas são as nossas apostas:


Melhor Filme – Drama

Carol

Carol

Apesar das celebradas indicações de O Quarto de Jack, O Regresso e Mad Max: Estrada da Fúria, o filme que deve levar para casa o Globo de Ouro (e, provavelmente, o Oscar) esse ano é Carol, drama de época do diretor Todd Haynes, responsável por Não Estou Lá e Velvet Goldmine. A adaptação de uma obra clássica de Patricia Highsmith (O Talentoso Ripley), estrelada por Cate Blanchett e Rooney Mara, conta a história de uma dona de casa aplicada dos anos 50 que se apaixona por uma mulher mais jovem, aspirante à fotógrafa. Carol estreia oficialmente no Brasil dia 14 de Janeiro.

Melhor Filme – Comédia/Musical

A Grande Aposta

A Grande Aposta

Steve Carell, Christian Bale, Ryan Gosling e Brad Pitt estrelam em A Grande Aposta. O quarteto, que é um prato cheio para qualquer prêmio da temporada, não é o único elemento sendo elogiado no filme do diretor Adam McKay (O Âncora), no entanto. Com os reviews cada vez mais favoráveis, o filme parece ser o único candidato forte a roubar a estatueta do Oscar de Carol por enquanto – A Grande Aposta conta a história de quatro analistas financeiros que previram a crise econômica do meio dos anos 2000 e resolveram enfrentar os bancos que não a viram chegando (ou viram, e ignoraram os sinais).

Melhor Diretor

Todd Haynes, por Carol

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Apostar no diretor do vencedor de Melhor Filme – Drama é sempre uma boa ideia quando se trata do Globo de Ouro, mas a associação de críticos estrangeiros em Hollywood ainda pode nos surpreender se quiser premiar George Miller pelo excelente trabalho em Mad Max. Se tudo correr sem surpresas, no entanto, o prêmio estará em boas mãos com esse inovador cineasta americano, que começou como diretor de videoclipes e passeou pelo cinema independente desde então, coletando duas indicações à Palma de Ouro no processo. Muita gente diria que passou da hora de Haynes ser reconhecido por Hollywood.

Melhor Ator – Drama

Leonardo DiCaprio, por O Regresso

O Regresso

Será que é finalmente a hora das piadinhas com a falta de Oscar de Leonardo DiCaprio chegarem ao fim? Isso nós veremos daqui a um tempinho, mais perto da cerimônia da Academia, mas se tudo correr bem o ator deve levar o terceiro Globo de Ouro para casa pela atuação em O Regresso, o visceral épico de Alejandro Iñárritu (Birdman) – ele ganhou anteriormente por O Aviador e O Lobo de Wall Street, duas parcerias com Martin Scorsese. Só quem o ameaça nessa corrida é Eddie Redmayne, que pode levar o segundo prêmio seguido, dessa vez por A Garota Dinamarquesa.

Melhor Ator – Comédia/Musical

Matt Damon, por Perdido em Marte

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Provavelmente a melhor coisa no épico de ficção científica bem-humorado de Ridley Scott, a atuação de Matt Damon como o astronauta Mark Watney empresta ao filme não só um protagonista carismático, engraçado e identificável, mas também a profundidade emocional escondida por trás das provações que Watney precisa passar nos 140 minutos de filme. Vencedor na categoria até em algumas premiações que não dividem seus filmes em gêneros como o Globo de Ouro, Damon deve levar para casa o segundo Globo de Ouro da carreira nesse domingo.

Melhor Atriz – Drama

Saoirse Ronan, por Brooklyn

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A aposta mais segura talvez fosse Cate Blanchett, mas a verdade é que, além de nossa torcida, Saoirse Ronan tem ao seu lado uma série de premiações menores que preferiram ela à veterana atriz australiana que a ameaça com a atuação em Carol. No drama Brooklyn, Saoirse interpreta uma imigrante irlandesa que desembarca no famoso bairro nova-iorquino do título em 1950 e se apaixona por um local. Elogios não bastam para o talento dessa atriz nova-iorquina de descendência irlandesa, que completa 22 aninhos em 2016 e ganhou a primeira indicação ao Oscar aos 14, por Desejo e Reparação.

Melhor Atriz – Comédia/Musical

Melissa McCarthy, por A Espiã que Sabia de Menos

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Uma das forças cômicas (femininas ou masculinas) mais poderosas da atualidade, Melissa conseguiu a primeira indicação ao Globo de Ouro com o elogiado desempenho em A Espiã que Sabia de Menos, do diretor Paul Feig. A parceria com Feig, que já havia garantido à Melissa uma indicação ao Oscar por Missão Madrinha de Casamento, em 2012, é sempre uma boa aposta para a atriz. Se a veterana Lily Tomlin não entrar na frente, ela deve sair da cerimônia de domingo com o Globo de Ouro – correndo ainda mais por fora, Jennifer Lawrence enfrentou as críticas pesadas ao filme Joy e garantiu mais uma indicação.

Melhor Ator Coadjuvante

Mark Rylance, por Ponte dos Espiões

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Mais conhecido pelo trabalho nos palcos britânicos, Mark Rylance recentemente ganhou os holofotes com a atuação na minissérie Wolf Hall. Daí para o papel coadjuvante no novo thriller de Steven Spielberg, foi um pulo – e como o circuito de premiações menores demonstrou, os críticos americanos estão doidos para dar prêmios para uma revelação tardia como Rylance. Atuando como um lendário agente da inteligência soviética, Rylance impressionou o bastante para ofuscar o então favorito Idris Elba, que entrega uma atuação espetacular no ótimo Beasts of No Nation, filme produzido pelo Netflix.

Melhor Atriz Coadjuvante

Alicia Vikander, por Ex Machina

Ex Machina

A entrada de Vikander na corrida pelo papel em Ex Machina é uma das surpresas mais bem-vindas da temporada de premiações esse ano. Embora a categoria seja difícil de prever, visto que os prêmios menores dividiram bem as premiações entre Vikander, Jane Fonda (Juventude) e Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados), nossa torcida definitivamente está com a androide feita pela atriz sueca. A performance dela não é só fascinante, como completa e cheia de nuances, indubitavelmente humana mesmo quando o filme nos faz duvidar de sua humanidade. Mesmo se não ganhar, merece.

Melhor Série de TV – Drama

Mr. Robot

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A inovadora série do USA tem ganhado reviews espetaculares desde sua estreia, mas muita gente duvidava que o gênero e a trama chamassem a atenção dos votantes dos grandes prêmios. As três indicações ao Globo de Ouro são um bom sinal, mas melhor ainda seria se Mr. Robot confirmasse o favoritismo e levasse para casa a estatueta de Melhor Série de TV – Drama, principal prêmio televisivo da noite. Dá pra torcer bastante, uma vez que Game of Thrones, a principal ameaça ao prêmio, passou por uma temporada muito criticada.

Melhor Série de TV – Comédia/Musical

Transparent

Transparent primeira temporada

Vencedora do ano passado na categoria, Transparent chega com toda a pinta de bicampeã no Globo de Ouro 2016. A segunda temporada da série da Amazon ganhou reviews ainda mais espetaculares que a primeira – tanto que o serviço de streaming já a renovou para mais um ano. Em meio à já cansada fama de Orange is the New Black e às estreantes Mozart in the Jungle e Casual, a única ameaça real para Transparent parece ser Veep, da HBO, que conseguiu a primeira indicação à categoria principal no seu quarto ano.

https://www.youtube.com/watch?v=CluxHR9pkdQ

Melhor Minissérie ou Filme para TV

Fargo

Fargo segunda temporada

Outra campeã do ano passado que chega prometendo repetir a dose é Fargo, minissérie de Noah Hawley baseada no universo do filme dos Irmãos Coen de 1996. A segunda temporada, que se afasta mais da trama do filme original para contar uma segunda história, não conectada, passada na cidade-título, recebeu elogios rasgados da crítica. Assim como American Horror Story e American Crime, Fargo se estabeleceu como uma série de antologia, ou seja, em que cada temporada é contada como uma minissérie separada. Portanto, esperem muitos anos de dominação da série da FX na categoria.

Melhor Ator em Série de TV – Drama

Jon Hamm, por Mad Men

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O já lendário Don Draper rendeu à Jon Hamm tantos prêmios que mal dá para contar. O Emmy só veio na última temporada, no entanto, e todos vibramos com a vitória de Hamm na categoria Melhor Ator em Série Dramática no ano passado. Apesar do Globo de Ouro já ter concedido uma estatueta à Hamm pela atuação na série (em 2008), é provável que ele leve a segunda esse ano, pela temporada de encerramento do drama. Isso é, se o estreante Rami Malek (Mr. Robot) não entrar no caminho, é claro! Vai ser uma disputa interessante de se acompanhar.

https://www.youtube.com/watch?v=3JUqwwjgLAY

Melhor Ator em Série de TV – Comédia/Musical

Jeffrey Tambor, por Transparent

transparent

A celebrada atuação do veterano Jeffrey Tambor (Arrested Development) como uma mulher transgênero em Transparent já lhe garantiu o Globo de Ouro ano passado, e provavelmente vai garantir a vitória novamente esse ano – o que, no mínimo, deve render mais um discurso tocante citando a comunidade de pessoas transgênero e o apoio delas à Transparent, talvez a peça de entretenimento que mais se esforça para entender esse grupo de pessoas atualmente. É difícil visualizar qualquer um dos concorrentes de Tambor roubando a estatueta dele, mas talvez Aziz Ansari (Master of None) nos surpreenda.

Melhor Ator em Minissérie ou Filme para TV

Oscar Isaac, por Show Me a Hero

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O Globo de Ouro adora premiar astros em franca ascensão como Oscar Isaac, que recentemente se tornou um nome inescapável graças ao papel em Star Wars: O Despertar da Força. Show Me a Hero é uma elogiadíssima minissérie em que Isaac interpreta um prefeito às voltas com uma polêmica racial e social. Ameaçando o posto de Isaac, Mark Rylance pode levar o segundo Globo da noite por Wolf Hall, e Idris Elba pode dar a volta por cima e abocanhar mais um, seu segundo da carreira, pela atuação em Luther.

Melhor Atriz em Série de TV – Drama

Viola Davis, por How to Get Away With Murder

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Premiada com o Emmy (mas não com o Globo) pela atuação na primeira temporada de How to Get Away With Murder, Viola Davis tem a segunda chance de vencer o prêmio da associação de críticos estrangeiros em Hollywood esse ano. E é improvável que ela precise de uma terceira, visto que sua concorrência é composta por estreantes cuja indicação parece ser só prêmio de consolação (Taraji P. Henson, Caitirona Balfe e Eva Green são excelentes, mas não devem vencer), e uma veterana que já garantiu o seu prêmio em uma temporada anterior da série pela qual está indicada (Robin Wright, por House of Cards).

Melhor Atriz em Série de TV – Comédia/Musical

Julia Louis-Dreyfus, por Veep

veep

Saudada como a melhor das quatro temporadas em que está no ar, o quarto ano de Veep talvez renda à Julia Louis-Dreyfus, que já venceu 4 Emmys pelo papel, seu primeiro Globo de Ouro (segundo da carreira). Sua principal concorrência é provavelmente Gina Rodriguez, que tenta repetir o feito do ano passado, quando venceu na categoria por sua atuação em Jane the Virgin, da CW. Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend) e Lily Tomlin (Grace and Frankie) são as possíveis zebras da corrida, mas não comece seu domingo de Globo de Ouro esperando por isso.

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para TV

Kirsten Dunst, por Fargo

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Indicada ao Globo de Ouro pela primeira vez aos tenros 12 aninhos (pela atuação impressionante em Entrevista Com o Vampiro), Dunst retorna à premiações com chances claras de ganhar pela elogiada performance na segunda temporada de Fargo. Embora a indicação polêmica de Lady Gaga por American Horror Story: Hotel não carregue muito peso, é possível que Felicity Huffman, que já tem um Globo por Transamerica e concorre pela atuação em American Crime, se coloque entre Kirsten e a estatueta.

Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para TV

Ben Mendelsohn, por Bloodline

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Esse excelente ator australiano, que recentemente vem conseguindo papeis de maior destaque em Hollywood, não venceu o Emmy na sua categoria pela atuação em Bloodline, mas na disputa mais condensada (séries, minisséries e filmes para TV, tudo numa só categoria) do Globo de Ouro ele pode levar o prêmio com facilidade. A não ser que outro ótimo intérprete, o britânico Damian Lewis, seja favorecido pela associação de críticos estrangeiros em Hollywood e leve o segundo Globo de Ouro da carreira por Wolf Hall (o primeiro foi pela série Homeland), em que interpreta uma versão excelente do rei Henrique VIII.

Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para TV

Regina King, por American Crime

Regina King

Vencedora do Emmy pela atuação em American Crime, Regina King chega como franca favorita ao Globo de Ouro. Conhecida pelo papel na elogiada série policial Souhtland, em American Crime ela interpreta a irmã de um dos envolvidos no crime investigado durante a temporada, e uma cristã devota convertida ao Islã. A polêmica personagem só não deve render à King a vitória se o Globo de Ouro preferir premiar Uzo Aduba, que tem dois Emmys em casa pela atuação em Orange is the New Black mas ainda não levou a estatueta do Globo.