Heroes Reborn encerra minissérie de forma previsível e bagunçada

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“Project Reborn” começa bem, considerando que “Company Woman” não o deixou muito espaço para brilhar. Uma boa parte desse episódio final de Heroes Reborn – a minissérie não terá segunda temporada – consegue entregar aquela marca particular de diversão sem muito pensamento que a série toda havia prometido – infelizmente, no final os roteiristas não conseguem se controlar, repetindo um padrão muito familiar para os espectadores de Heroes: informação que permaneceu escondida a temporada toda é revelada, permitindo uma solução conveniente para a maior ameaça da história, e heroísmo nobre de cada um dos protagonistas é reafirmado, e um personagem coadjuvante nos diz tudo sobre os temas da narrativa em um monólogo em voice-over.

Algumas boas decisões são tomadas pelo series finale, no entanto. Matar Luke logo no começo, por exemplo, fazendo dele o primeiro de muitos sacrifícios trágicos do episódio, é uma boa ideia – embora ele siga como um personagem equivocado, Zachary Levi se esforça para lhe emprestar dignidade, e a despedida do personagem acaba sendo um pedaço efetivo de drama no meio do episódio. Fazer com que Luke observa ou disperse (não entendemos muito bem) a primeira onda do H.E.L.E. não só faz sentido, como justifica a inclusão do personagem e o tempo que passamos com ele, dando-lhe um papel fundamental na conclusão de Heroes Reborn.

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Outra boa ideia foi retornar ao relacionamento entre Tommy e sua mãe, um dos poucos dentro da temporada que funciona de verdade. Krista Bridges esteve fazendo um bom trabalho em Heroes Reborn como Anne, muitas vezes sem um bom material para ajudá-la, se tornando uma presença forte e afetiva que fez falta na segunda metade da temporada. Robbie Kay também entrega uma boa performance, quase salvando essa conveniente reviravolta de trama que é Tommy recuperar suas memórias.

O episódio também aprende com os erros dos seus antecessores, provendo um espetáculo de verdade quando Malina fica face a face com o H.E.L.E. A chegada das ondas solares parece apocalíptica como deveria ser, e isso faz com que nos invistamos mais na narrativa – todo mundo assistindo sabe que Tommy vai chegar na última hora para ajudar Malina, e que os dois juntos vão salvar o dia, visto que essa é a direção para a qual a série sempre caminhou, mas fazer com que o H.E.L.E. pareça mesmo um evento épico ajuda a fazer do clímax um momento mais satisfatório.

Menos bem-sucedido é tudo que envolve Erica. Ela apontando a arma para Tommy, tentando impedi-lo de salvar o mundo, é risível – assim como seu argumento que, ao seguir com o plano que ele e Malina tem em mente, eles estariam sacrificando mais de mil pessoas (a alternativa é sacrificar 6 bilhões). Esse diálogo indica a falta de perspectiva que os escritores tem com seus personagens e sua história, assim como abre caminho para o desenvolvimento de uma nova habilidade para Tommy que, além de desnecessária, contradiz as regras estabelecidas no próprio episódio.

Essa cena entre Tommy e Erica é o ponto de virada para “Project Reborn”, que se torna uma série de irritações e previsibilidades depois dela. Uma nova informação é “adicionada” à profecia de Angela, que permite que Noah se sacrifique pelo bem maior, e murmure algumas poucas palavras antes de morrer; e Quentin emerge como um exemplo de moralidade, de alguma forma, recusando entregar os nomes de Tommy e Malina.

Quando Heroes Reborn foi anunciada, parecia uma ideia interessante. Com um número de episódios mais contidos e, esperava-se, a perspectiva adquirida nos últimos 5 anos sobre seus próprios erros na Heroes original, a equipe de roteiristas tinha uma oportunidade de nos trazer de volta para esse mundo envolvente e, ao menos no começo, carregado pela força dos personagens. Ao invés disso, Reborn simplesmente aumentou o escopo da série original e esqueceu de ter certeza que estávamos nos importando com qualquer um desses personagens.

É desapontador, porque tanto aqui quanto em Heroes, a série de 2006, sobrevive a semente de uma boa ideia enterrada em más decisões de roteiro e falta de perspectiva dos criadores e produtores.

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