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Legends of Tomorrow | Série derivada de Arrow e The Flash não funciona como deveria

Publicado por Caio Coletti

21/01/2016 20:54

Depois do sucesso de dois super-heróis na programação, com Arrow e The Flash, a CW aposta tudo em Legends of Tomorrow, mais uma adaptação à TV de personagens da DC Comics. Se um super-herói é bom, oito não deveria ser melhor? Afinal, os filmes dos X-Men e dos Vingadores funcionam muito bem para a Marvel, não é? Infelizmente, empilhar muitos personagens uniformizados em uma só série tem o efeito de diluir, ao invés de empoderar, na nova série da CW. É um daqueles casos em que elementos demais numa mesma narrativa podem atrapalhar.

Depois do viajante do tempo Rip Hunter (Arthur Darvill, de Doctor Who) ver sua família ser morta pelo vilão todo-poderoso Vandal Savage (Caster Crump) em 2116, ele volta 100 anos para o passado a fim de reunir um grupo de super-poderosos desajustados para remedar as tentativas constantes de Savage de dominar o mundo. Infelizmente, Hunter escolhe tantos soldados na sua luta contra o mal que fica difícil se lembrar de muitos, ou torcer por qualquer um deles no episódio piloto. As outras séries de super-heróis da CW espertamente se desenvolveram em torno de um singular e identificável herói – o enigmático Stephen Amell como Arrow, e o charmoso Grant Gustin como o Flash – meticulosamente construindo um time de coadjuvantes para dar peso à narrativa. A maioria do time de Legends of Tomorrow já nos foi apresentada nessas duas outras séries, mas isso não é o bastante para que o espectador invista na história deles.

Alguns se dão melhor que outros, como Caity Lotz na pele da formidável assassina ressuscitada dos mortos White Canary. Brandon Routh, que já interpretou o Superman no filme fracassado de 2006, retorna com habilidade para o universo da DC como o Atom. Wentworth Miller esteve se divertindo muito em The Flash como o Capitain Cold, e não decepciona aqui, o que o torna, de longe, a parte mais interessante da série. Victor Garber como o cientista que precisa juntar forças com o personagem de Franz Drameh para formar o poderoso Firestorm não se dá tão bem, visto que a constante intriga entre os dois personagens é tão clichê e falha quanto a tentativa de desenhar uma história de amor entre o Gavião Negro e a Mulher Gavião.

Esses dois heróis alados estão ligados ao principal vilão da série através de um triângulo amoroso passado no Antigo Egito, cujas consequências os fazem reencarnar através das eras. Diálogos expositivos dolorosos tentam explicar essa complicada história, com referências à força do amor eterno que os conecta, ao número de vezes que Savage os matou, e menções do que estavam fazendo antes de Hunter os puxar para sua cruzada temporal. O piloto, dividido em duas partes, é cheio desses lembretes repetitivos, seja sobre esses personagens ou sobre arcos que já vimos anteriormente em The Flash ou Arrow.

Deixando o diálogo de lado, os efeitos especiais são divertidos, assim como a viagem no tempo – se o espectador está disposto a manter todas as timelines organizadas na cabeça. A primeira missão os leva para 1975, com uma trilha-sonora apropriada, um guarda-roupa divertido, e até uma simulação razoável de um Victor Garber mais novo. Mas qual é o ponto?

Não é como se eles possam simplesmente pegar Savage – não haveria uma série se eles o fizessem. Enquanto as outras séries de super-heróis da CW estruturam suas temporadas ao redor de vilões diferentes, o time de Legends tem uma obsessão com Savage que parece ser inibidora de quaisquer outras subtramas possíveis. Pelo menos, aqui, Arthur Darvill pode pegar sua experiência com viagens no tempo de Doctor Who e se divertir um pouco mais do que na terrível segunda temporada de Broadchurch.

O diálogo ruim é uma surpresa, visto que a série foi desenvolvida pelo mesmo time de Arrow e The Flash, enquanto o showrunner aqui é Phil Klemmer, responsável por títulos de qualidade como Veronica Mars e Chuck. Talvez o erro de Legends of Tomorrow seja tentar construir uma série em torno de personagens que não são fortes o suficiente para sustentá-la – as investidas em times de super-heróis da Marvel funcionam porque a maioria dos personagens conseguem se dar bem em suas séries individuais também. Se ninguém gostaria de ver um filme do Firestorm ou do Hawkman, não é provável que alguém gostaria de vê-los juntos, formando um time ainda maior de super-heróis.

No final das contas, Legends of Tomorrow acaba sendo menor do que a soma de suas partes.

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