The 100 expande seu universo na estreia explosiva da terceira temporada

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A estreia da terceira temporada de The 100 começa exatamente de onde paramos na segunda, não só narrativamente como também tematicamente. Com a audácia de explorar temas complexos como guerra, moralidade, lealdade e identidade, o segundo ano da série se destacou e fez muita gente correr ao Netflix se atualizar antes da estreia da nova leva de episódios.

O primeiro episódio do duplo “Wanheda” sofre com alguns problemas clássicos de episódios de estreia de temporadas: ocupado em nos atualizar sobre o paradeiro dos personagens e preencher as lacunas deixadas pelo finale. “Wanheda: Part One” tem pouco tempo para contar uma história própria. A decisão mais esperta do episódio é fazer um pulo temporal – quando Murphy passa 86 delirantes dias preso no bunker, assistindo a filmagem do apocalipse nuclear na Terra em um eterno replay, e emerge para a superfície para encontrar com Jaha, que diz ter encontrado a Cidade da Luz, a série faz com que esse recurso narrativo pareça essencial para o desenvolvimento dos personagens.

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Esse pulo adiante também significa que já faz três meses que os membros da Ark, agora vivendo em uma comunidade chamada Arkadia, foram atacados no Monte Weather. Na superfície, tudo parece bem para o grupo, mas como sempre em The 100, o que acontece na superfície é apenas disfarce para a real situação das coisas – Jasper, que não está lidando bem com a perda de Maya, se transformou em um bêbado problemático, e seu temperamento impulsivo acaba quebrando a trégua entre os moradores de Arkadia e os guerreiros da Nação de Gelo. Esse é um dos temas do episódio: a paz como uma pausa entre períodos de violência.

Os subtextos mais ricos do episódio vem na interação entre Clarke, que está vivendo na selva sozinha após a culpa pelas decisões que tomou ter se provado esmagadora, e a sua nova amiga, Niylah, que cuida de uma feitoria que Clarke passou a frequentar. Primeiro, essa trama explora a sexualidade fluida de Clarke, mas ainda mais interessante é a forma como a série retrata a visão que Niylah tem da sua nova amiga. Para ela, Clarke é uma espécie de heroína, tendo tomado uma decisão mortal mas necessária, que acabou com a vida de muitas pessoas, e que a assombra até hoje. É uma exploração complexa da forma como a guerra cria heróis, vilões e anti-heróis.

Essencialmente, há muita coisa acontecendo em “Wanheda: Part One”, com todos os personagens, situações e estilos de narrativa que fizeram a segunda temporada ser tão especial. Mas é na segunda parte da estreia da temporada que The 100 realmente decola, ampliando temáticas e situações do seu antecessor e operando muito bem, também, como um episódio isolado. Os relacionamentos são o centro nervoso da série, que busca expandir seu escopo nesse terceiro ano. Sejam eles românticos, platônicos, inimizades ou amizades, eles são o que ancoram a história e as cenas de ação, e “Wanheda: Part Two” finalmente nos conecta de volta com esse aspecto da série.

Logo no começo, quando Bellamy, Kane, Indra, Jasper e Monty são emboscados por um grupo de saqueadores e Monty tem uma faca encostada em seu pescoço, a série nos traz esse elemento dos relacionamentos ao fazer com que um dos saqueadores revele ser na verdade a mãe de Monty – todos os membros do grupo são ex-moradores de Arkadia, e desde um incidente infeliz são caçadores de Grounders. Dessa forma, não só o relacionamento familiar de Monty é importante, mas também a relação entre as várias tribos que se formaram em The 100 – as pessoas de Arkadia, os Grounders, a Sky Crew, a Nação do Gelo.

Há conflito para todos os lados em “Wanheda: Part Two”, e The 100 acerta em cheio quando quer nos mostrar a forma como esses personagens lidam com esses conflitos. Quando Clarke é sequestrada por um membro da Nação do Gelo, por exemplo, e ele demonstra a intenção de entregá-la para a rainha do seu povo em troca de uma recompensa, a série não nos revela, até mais tarde, que o tal sequestrador, chamado Roan, é na verdade filho da Rainha do Gelo. Esse estilo dinâmico de lidar com os personagens e suas relações (Roan acaba entregando Clarke para Lexa, e é emprisionado por ela) é uma marca importante de The 100 desde a metade da primeira temporada.

O mesmo vale para os aspectos mais políticos da trama, com as várias facções em uma tensa trégua armada e não muitos interesses em comum. É aqui que The 100 mostra as suas nuances – essa é uma série que trabalha em uma área cinza politica e moralmente, mostrando sempre os motivos para que cada uma das facções ou grupos apresentados apresenta comportamento violento em relação a algum outro, ou o porquê de alguns grupos conseguirem se apoiar mais fortemente uns nos outros. Mesmo a misteriosa Nação do Gelo, pelo pouco que vimos, parece se basear em uma estrutura política pouco balanceada, em que os homens fazem a vontade da rainha para subir no status social.

Já no começo da temporada, The 100 está costurando uma história interessante sobre poder político e relacionamentos. Ela está na forma como Clarke se vê em Roan, e como Roan rejeita essa avaliação dela; está na forma como Jaha acredita estar no caminho para a “iluminação”, enquanto Murphy encontra consolo em Emori; está em Nyko precisando de Abby para se curar, e precisando de Lincoln para ajuda-lo a convencer os Grounders a mudar de opinião; e está na forma como Jasper está aos poucos fazendo as pazes com a violência do mundo ao seu redor, desabando em lágrimas depois de um momento de raiva.

Talvez nos próximos episódios esses personagens tomem decisões duvidosas, mas por enquanto The 100 está se apoiando gloriosamente em motivações sólidas para eles.

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