Dia Internacional da Mulher | As melhores diretoras do cinema mundial

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Uma das maiores lutas por igualdade dentro de Hollywood entre as mulheres é a de serem mais aceitas e inseridas em posições que não sejam as de atrizes ou figurinistas.

Roteiristas, editoras, diretoras de fotografia e até produtoras mulheres não são numerosas ou muito bem aceitas no mundo do cinemão americano, e a situação fora dos EUA não é tão melhor quanto gostaríamos de achar. Mas e as cineastas? Achar casos de diretoras mulheres absurdamente talentosas não é nem um pouco difícil, então por que Hollywood e o mundo não as abraça e as coloca na posição mais importante do processo de fazer um filme com mais frequência?

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Dia Internacional da Mulher | As grandes heroínas do cinema

É com essa pergunta em mente que listamos aqui algumas das melhores e mais maravilhosas diretoras de cinema da história (e do mundo inteiro). Tem brasileira, americana, francesa, alemã… e conhecer a obra delas é mais que obrigatório:

Laís Bodanzky

Vamos começar a lista com uma diretora brasileira, porque nada melhor do que valorizar o que é nosso. Uma das coordenadoras do Tela Brasil, um compreensivo programa de ensino de cinema e exibição de filmes em cidades que não tem salas de cinema pelo interior do Brasil, a Laís Bodanzky ganhou notoriedade em 2001, quando dirigiu o elogiadíssimo Bicho de Sete Cabeças, sobre um jovem (Rodrigo Santoro) que é internado em um hospício pelo pai quando este encontra drogas em seu bolso – a gota d’água para um inferno particular da família. O filme, que denuncia o sistema desumano dos hospícios brasileiros, causou tanto impacto que Bodanzky esperou a poeira baixar para seguir a carreira.

Desde então, dirigiu Chega de Saudade (2007), retratando uma noite em um samba de gafieira em São Paulo com tom de dramédia e elenco estrelado e experiente (Tonia Carrero, Cássia Kiss Magro, Betty Faria, Stepan Nercessian, Maria Flor, Paulo Vilhena, Elza Soares); e o tocante drama adolescente As Melhores Coisas do Mundo (2010), sobre um garoto tendo que lidar com as transformações dessa fase da vida em um momento turbulento para sua família. Só a cena em que o protagonista, Mano (Francisco Miguez) e a mãe (Denise Fraga) quebram ovos espontaneamente na parede da cozinha já faz com que a obra de Bodanzky mereça ser conhecida.

Claire Denis

A francesa Claire Denis, que completa 70 anos de idade no próximo dia 21 de Abril, tem uma herança de 12 longa-metrangens que começa em 1988, com Chocolat e se estende até 2013, quando lançou Bastardos, sobre um homem tentando vingar a morte de seu irmão e descobrindo segredos e complexidades do casamento dele com Raphaelle (Chiara Mastroianni). A maioria dos 10 filmes entre esses dois marcos da carreira são dramas delicados sobre situações diversas, mas sempre encenadas de maneira muito subjetiva e interiorizada, quase silenciosa.

A exceção é o thriller de horror Trouble Every Day, de 2001, em que um homem afligido por uma misteriosa doença que afeta sua libido topa com a esposa de um especialista na área, que sofre quase do mesmo mal, e que precisa ficar trancada em casa durante o dia para que ela não seja um perigo para si e para os outros. Uma metáfora sobre a busca de uma vida tranquila e doméstica, o filme de Denis é celebrado por muitos fãs do gênero ao mesmo tempo em que é visto como uma anomalia pelos fãs do estilo mais dramático da diretora. Vale dar uma olhada.

Ava DuVernay

Indicada ao Globo de Ouro de Melhor Direção por Selma no ano passado, a californiana Ava DuVernay foi ignorada pela Academia (assim como seu filme, na maioria das categorias) em meio a acusações de racismo e machismo. Uma produtora e publicitária do ramo do cinema, DuVernay lançou seu primeiro longa-metragem em 2010, na forma do elogiado I Will Follow, estrelado por Salli Richardson-Whitfield (Eureka) como uma mulher em processo de luto, que recebe 12 visitantes durante o correr de um único dia, cada um ajudando-a de alguma forma a seguir em frente.

Em 2012 foi a vez de Middle of Nowhere, comovente história de um homem que é encarcerado por oito anos e cuja esposa desiste da faculdade de medicina para focar em sua defesa no tribunal e seu bem-estar dentro da prisão. É a primeira colaboração de DuVernay com David Oyelowo, que em 2014 faria o seu Martin Luther King Jr. no espetacular Selma, de fato o grande injustiçado do Oscar daquele ano. Duvernay dirigiu também um episódio de Scandal (3×08), e está se preparando para comandar a comédia Intelligent Life, com Lupita Noyng’o, para 2017.

Kathryn Bigelow

Primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção (e, por enquanto, a única) em 2010, Bigelow é uma veterana de Hollywood, uma cineasta que acumula sucessos desde o clássico Caçadores de Emoção, de 1991, recentemente refeito (não muito bem) com o título Caçadores de Emoção: Além do Limite. Diretora de ação e suspense por excelência, Bigelow achou um nicho para si e produziu algumas obras bem elogiadas, como o thriller policial passado durante a virada do ano 2000 Estranhos Prazeres, e outros nem tão amados pela crítica como K-19: The Widowmaker, sobre a tripulação de um submarino nuclear que apresenta defeitos em sua viagem de inauguração.

A parada de 6 anos depois de K-19 fez bem à Bigelow, que voltou com muito gás em Guerra ao Terror, precisamente o filme que lhe rendeu o Oscar de direção (e, como produtora, também o de Melhor Filme), uma crônica devastadora da intervenção americana no conflito armado do Oriente Médio, e os efeitos da guerra na psique dos homens que aceitam servir nela. Logo em seguida, ela fez outro hit da temporada de premiações: A Hora Mais Escura (2012), sobre a caçada americana ao terrorista Osama Bin Laden, que se estendeu de 2001 a 2011. Previsto para 2017, o novo filme de Bigelow deve cobrir uma história real em que a brutalidade policial em Detroit em 1967 resultou em revolta generalizada dos cidadãos.

Jane Campion

A neozelandesa Jane Campion já tem duas Palmas de Ouro do Festival de Cannes no currículo. A primeira pelo curta-metragem An Exercise in Discipline: Peel (1982), e a segunda pelo longa O Piano (1993), que também lhe garantiu a primeira e única indicação ao Oscar de Melhor Direção. A notoriedade conseguida com esse último, a história de uma mulher muda nos anos 1850 que se muda de país em um casamento arranjado e acaba se envolvendo com o vizinho do marido, foi aproveitada em um trio de projetos hollywoodianos: Retrato de Uma Mulher (1996), adaptação do clássico livro de Henry James com Nicole Kidman no elenco; Fogo Sagrado! (1999), com Kate Winslet; e Em Carne Viva (2003), com Meg Ryan em um papel bem diferente daqueles que geralmente interpretava nas comédias românticas.

Seu retorno a terras estrangeiras foi bem mais bem-recebido que essas aventuras americanas. Em 2009, com o romance O Brilho de Uma Paixão, Campion voltou à seleção de Cannes e ganhou reviews animadores dos críticos, contando a história verdadeira de um poeta do século XIX (Ben Whishaw) que se apaixona pela filha de um colega de profissão e passa os últimos anos de sua vida com ela. Saudado como uma delicada ode ao amor romântico e as realidades que o tornam difícil de se realizar completamente, Campion seguiu esse filme com a minissérie Top of the Lake, de forte teor feminista e tom de filme noir, e atualmente está trabalhando numa segunda leva de episódios da história.

Algumas menções honrosas: Nancy Meyers (Alguém Tem que Ceder, O Amor Não Tira Férias, Simplesmente Complicado, Um Senhor Estagiário); Agnieszka Holland (Filhos da Guerra, O Jardim Secreto, Eclipse de uma Paixão); Amy Heckerling (Olha Quem Está Falando, As Patricinhas de Beverly Hills, Nunca é Tarde para Amar); Sofia Coppola (As Virgens Suicidas, Encontros e Desencontros, Maria Antonieta, The Bling Ring); Mira Nair (Salaam Bombay!, Um Casamento à Indiana, Nome de Família); Julie Taymor (Titus, Frida, Across the Universe); Catherine Hardwicke (Aos Treze, Crepúsculo, Já Estou Com Saudades).

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