Game of Thrones | Jornada das crianças Stark é uma das melhores da TV

Publicadohá pouco tempo
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

ATENÇÃO para spoilers da série a seguir!

O último episódio da quarta temporada de Game of Thrones se chama “The Children”. Embora o nome reflita também a revolta de Tyrion contra o pai Tywin, que leva a algumas flechadas fatais no mais velho dos Lannister, e a introdução do povo místico conhecido como as Crianças da Floresta, o título provavelmente se parece tão apropriado porque, no decorrer da hora final do quarto ano de Game of Thrones, as crianças Stark dão passos definitivos em sua jornada de amadurecimento.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Jon Snow derrota praticamente sozinho o exército do Rei Além da Muralha, Mance Rayder, assistido pela chegada oportuna do exército de Stannis Baratheon, um acontecimento que levaria o bastardo dos Stark à posição de comandante da Patrulha da Noite na temporada seguinte; Sansa Stark abraça sua situação e as crueldades que o mundo perpetuou contra ela, e aparece resplandecente em seus trajes negros para Mindinho, decidindo se juntar aos planos dele para tomar de volta o Norte; Arya Stark vê o seu “guardião” e carcereiro, o Cão, ser derrotado por Brienne de Tarth, o deixa para morrer no pé de uma montanha, e parte para Essos sozinha; e não dá para esquecer Bran Stark, que finalmente encontra o covil do Corvo de Três Olhos ao Norte da Muralha.

A última imagem que “The Children” nos deixa é a de Arya sozinha em um barco que faz seu caminho em direção ao outro lado do mundo. O que a espera em Essos, nesse momento, é menos importante do que o simbolismo dessa imagem – carregada por uma série de figuras paternas sortidas e distorcidas durante quatro anos de série, Arya toma sua primeira decisão autônoma, por assim dizer, ao escolher seguir o caminho da moeda que Jaqen H’ghar a deu e buscar o que quer que exista na cidade de Braavos.

O arco de crescimento

O amadurecimento das crianças Stark é um dos melhores arcos de personagem da televisão moderna, e nós não usamos essas palavras em vão. Especialmente na paisagem atual da TV americana e mundial, um leque amplo de jornadas de amadurecimento é oferecido ao espectador, e bons exemplos não faltam – George-Michael (Michael Cera) em Arrested Development; todas as crianças de Masters of Sex e Modern Family; Paige (Holly Taylor) em The Americans.

O que há de especial no arco de crescimento das crianças Stark se concentra tanto no mundo em que elas estão inseridas quanto na qualidade e cuidado da produção da HBO em Game of Thrones. Como é sabido de todos os fãs da série, a família Stark não é exatamente a maior favorecida pelos acontecimentos violentos da trama de George R.R. Martin adaptada por D.B. Weiss e David Benioff (ou D&D, como os chamaremos daqui para frente no texto) – consequentemente, os jovens Stark foram separados de suas famílias, tiveram que testemunhar a execução do pai e ouvir falar da morte da mãe e do irmão mais velho.

Sansa teve que se casar não com um, mas com dois homens abusivos e sádicos; Arya foi levada de um lado para o outro do reino na guarda de homens pouco confiáveis, esteve presa em um local onde os prisioneiros eram basicamente escravizados, e teve que servir pão e vinho para alguém que desprezava (Tywin Lannister); Bran foi sequestrado por alguém que acreditava ser um amigo de sua família e, sem poder andar, teve se fugir por Westeros até encontrar seu rumo com os irmãos Reed; e Jon enfrentou selvagens e caminhantes brancos, um homem que sacrificava seus filhos homens e transformava suas filhas mulheres em esposas, e perdeu a mulher que amava, tudo antes de ser traído pelos próprios homens que comandava.

Esse mundo brutal, essas circunstâncias extraordinárias, levou a consequências que são mais do que incomuns no fim da infância/adolescência de jovens no mundo real, e ao mesmo tempo nos apresentou uma versão realçada de aspectos dessa jornada. De certa forma, cada um deles passou por um momento de perda de inocência, uma quebra do ideal puro de bem e mal, de uma utopia de justiça, e embora o mundo de Game of Thrones seja uma fantasia, não dá para negar que isso acontece com todo mundo, em certa escala. Agora, todos eles caminham na ambiguidade moral e narrativa que os adultos já trilhavam desde o começo. Como já dizia a Allison de O Clube dos Cinco, lá nos anos 80, “é inevitável, simplesmente acontece. Quando você cresce, o seu coração morre”.

As verdadeiras crianças Stark

Claro, a história fabulosa das crianças Stark teve a sorte da cair nas mãos de um grupo de profissionais que soube trazê-la para as telas de maneira espetacular. A dupla D&D, ao lado de todos os roteiristas da equipe da série, trabalharam essa questão com uma sincronia única ao amadurecimento dos atores e ao trabalho dos diretores e, especialmente, dos figurinistas da série. Observar a evolução dos vestidos de Sansa durante as cinco temporadas é observar um estilo que evolui junto com a personagem – dos cachecóis e flores do primeiro ano às mangas largas, inspiradas em Cersei do segundo e do terceiro, aos tons escuros do quarto e aos trajes “fechados” e duros do quinto.

Sophie Turner, essa inglesinha ruiva de 20 anos recém completados (portanto 15 no início da série) sempre foi uma preciosidade de sensibilidade e expressividade, mas recentemente a série tem lhe dado uma gama maior de emoções para passar, e o resultado tem sido espetacularmente comovente. Uma atriz de mais nuances, a caçula Maisie Williams (18 anos, 13 no início da série) construiu sua Arya aos poucos e encontrou um pico na quinta temporada, explorando cantos mais obscuros da garota e desconstruindo sua identidade junto com o treinamento dela nas mãos de Jaqen H’ghar. E o chamem de “apenas um rostinho bonito” o quanto quiserem, Kit Harrington entregou uma performance surpreendente nas últimas duas temporadas, quando seu Jon Snow perdeu a pose de herói da trama e entrou na lama junto com os outros personagens – o episódio “Kill the Boy” (5×5) é especialmente significante nesse sentido.

Para Game of Thrones, retratar tudo isso na forma da narrativa desses jovens personagens é como puxar uma linha paralela direta com o mundo real, e esse tipo de fundação é importante para uma série de fantasia. Entre dragões, zumbis de gelo e corvos de três olhos, a propriedade mais preciosa da série da HBO é um quarteto de personagens marcadamente humano, um ponto de identificação através do qual o espectador pode acessar esse mundo fantástico e fascinante de Westeros.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio