Crítica | The Flash fez muito barulho por nada com seu “Flashpoint”

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Atenção para spoilers da série a seguir!

O episódio final da segunda temporada de The Flash terminou com uma das melhores reviravoltas desde a estreia da série. A decisão de Barry (Grant Gustin) em retornar no tempo para salvar sua mãe e assim preencher o vazio que sentia após a morte do pai, foi uma atitude desesperada e um tanto egoísta, pois mais uma vez o personagem estava sacrificando a oportunidade de ser feliz ao lado do amor de sua vida, Iris West (Candice Patton).

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No entanto, esta decisão abriu as portas para a série explorar um dos arcos mais famosos do super-herói nos quadrinhos, “Flashpoint” ou “Ponto de Ignição” em português. Devo confessar que a reviravolta do final da temporada passada não me empolgou nem um pouco, pois estava soando repetitivo, já que Barry havia tentado antes reverter o destino de sua pobre mãe. Porém, “Flashpoint” é o arco mais alardeado pelos fãs de HQs, e mesmo eu não tendo acompanhado este grande evento da DC Comics, me deixei levar pelo hype cercado em torno desta grande mudança que estava por vir.

Assim chegamos a première da terceira temporada, depois de longos meses de espera. O nome do episódio já indicava que veríamos a série abraçando a premissa dos quadrinhos, o problema é que “Flashpoint” (3×01) não aconteceu do jeito que muitos imaginavam, ainda assim, a volta trouxe certo frescor e bastante potencial para terceira temporada.

O episódio começa três meses após Barry salvar sua mãe de ser morta por Eobard Thawne a.k.a Flash Reverso (Matt Letscher), e de cara vemos uma nova “timeline”, novas dinâmicas e os velhos personagens com novas roupagens. O interessante do roteiro assinado por Greg Berlanti e Andrew Kreisberg é conseguir trazer a sensação de novo para o episódio, por isso tudo soa como novidade, desde Barry flertando com Iris pela primeira vez, passando pelo fato de Central City ter um novo herói com Wally West (Keiynan Lonsdale) vestindo o uniforme do Kid Flash, até chegar em Cisco (Carlos Valdes) agora um dos homens mais ricos dos EUA e dono das Indústrias Ramon.

Outra qualidade desta trama é o fato de que por mais que Barry mostre estar feliz com as mudanças que causou, algumas relações marcantes que o personagem tinha construído ao longo de duas temporadas, simplesmente sofreram alterações drásticas. A mais sentida foi a mudança de relação entre ele e Joe West, que agora é alcoólatra, vive uma relação conflituosa com os filhos e não tem nenhuma relação de amizade com Barry. O episódio conseguir trazer uma certa dramaticidade para este plot me agradou bastante, afinal, a dupla Barry e Joe são uma das melhores relações familiares de The Flash.

Por outro lado, nem tudo são flores: o maior problema do episódio nem é reapresentação dos personagens nesta nova “timeline”, como eu disse, a sensação de novidade ajuda bastante você comprar a ideia do evento. Porém, ao mesmo tempo que “Flashpoint” parece construir bem sua história para ser explorada durante a temporada, em paralelo a trama parece caminhar para outra direção quando Barry começa a perder a memória da sua antiga vida, que começa a se esvair a medida que usa sua velocidade. Neste ponto a trama parecia caminhar a passos largos para resolver tudo num só episódio.

Mas a partir desses momentos, a história soa bastante apressada e sem desenvolvimento, e podemos notar isso quando Barry reúne a antiga gangue para resolver um problema em comum, com a presença do vilão velocista, Edward Clariss (Todd Lasance), mais conhecido como “The Rival”, causando problemas na cidade, ou também no retorno da Caitlin (Danielle Panabaker), por exemplo, que chega a ser o mais frustrante desta nova linha do tempo – a personagem se tornou uma pediatra e parece bem deslocada do episódio desde o momento em que aparece.

Esta sensação de resolução rápida é ainda mais sentida quando Barry percebe que precisa voltar no tempo e desfazer outra vez as mudanças do passado, e pior, com a ajuda do Flash Reverso. No geral, o episódio soa redondinho, bem escrito, porém extremamente frustrante para quem achou que este arco iria durar mais dois ou três episódios, além disso fica o sentimento de que fizeram muito barulho por nada.

Ainda assim, este início de temporada a série se mostra promissora, e tudo se resume a relação entre Barry e Iris. O casal foi bem explorado na primeira temporada, negligenciado na segunda, mas ao que parece nesta temporada finalmente ganharão o espaço merecido. A cena dos dois mostra um certo cuidado em reconstruir este relacionamento que aqui é um ponto chave tanto para resolução do arco quanto para o gancho que deixado para os próximos episódios.

Ao que tudo indica, o resto da temporada deve explorar as consequências de “Flashpoint” após Barry refazer a linha temporal. Mesmo o evento sendo tão rápido, talvez a intenção dos roteiristas seja explorar o impacto do mesmo neste universo criado com todas as séries da CW, sendo assim, o primeiro episódio da temporada até que cumpre seu papel, mas deve deixar bastante gente dividida entre a frustação de um arco importante se resolvendo tão rapidamente e a felicidade com o retorno de Barry e sua turma para mais uma empreitada.

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