ATENÇÃO PAR A SPOILERS DA SÉRIE A SEGUIR!

A melhor coisa em Divorce é Sarah Jessica Parker. A veterana de Sex and the City retorna à HBO doze anos depois do fim do hit televisivo para uma análise esperta das muitas formas através das quais seres humanos são capazes de machucar seus parceiros (românticos ou não).

O episódio de estreia de Divorce, exibido neste domingo (10) às 0h na HBO, é uma meia hora que não aspira ser mais densa do que precisa ser, mas que chega com o polimento de um produto pronto e seguro de sua identidade, cobrindo os pontos principais da introdução da premissa para encontrar um caminho que pode se mostrar interessante nos próximos episódios.


A trama envolve o casal Frances (Parker) e Robert (Thomas Haden Church), que vão à festa de aniversário de uma amiga (Molly Shannon) só para terem sua noite abalada por um incidente em que tal amiga dispara uma arma na direção de seu marido (Tracy Letts) – a bala não acerta, mas o desafortunado homem acaba sofrendo um ataque do coração.

Logo depois desse evento, Frances decide: ela quer o divórcio. Mais tarde no episódio, descobrimos que ela tem um amante (Jermaine Clement), o estopim para o momento simbólico do final do piloto de Dovorce, em que Robert descobre sobre a indiscrição e vira a mesa com Frances, logo após de ela tentar fazer às pazes.

Sarah Jessica Parker em Divorce
Sarah Jessica Parker em Divorce

Balança

Descrita assim, parece que a trama de Divorce quer pintar Frances como a vilã, mas a série é muito sutil na forma como mostra os pequenos jeitos através dos quais Robert também machucou e desgastou a relação dos dois. É aqui que Sarah Jessica Parker brilha, trazendo à tona de forma neurótica (mas não irritante, como uma personagem de Woody Allen) esse desgaste e essa injustiça e infelicidade pela qual a personagem passou.

A impressão que fica no final da primeira meia hora de Divorce é a de uma série que tem seu maior triunfo e maior defeito na forma cuidadosa com a qual foi concebida: a complexidade emocional e ambiguidade moral que preenchem a disputa do casal (e a relação de Frances com suas amigas e com os filhos, diga-se) vem às custas de uma premiére que não entrega drama ou comédia acima de regular.

Assim como algumas outras produções televisivas que se ancoram naquela definição tradicional de “prestigiadas”, Divorce equilibra linguagem convencional com execução perto de perfeita, o que produz um episódio de estreia agradável e promissor. As perspectivas a partir daqui são interessantes, mas o piloto de Divorce provavelmente não vai animar o espectador a retornar na semana que vem – a não ser que seja por Parker e Church.