De todas as séries de super-heróis que estavam para retornar nesta fall season, Supergirl era uma das que eu mais aguardava o retorno depois de apresentar uma boa temporada de estreia. O gancho deixado na season finale passada não foi tão empolgante, mas serviu bem para fechar seu primeiro ano.

O seriado era transmitido pelo canal americano CBS e, apesar de bons números, obteve quedas gradativas de audiência no decorrer de seus vinte episódios. Desta forma, o canal conhecido pelos “procedurals” policiais cancelou de forma prematura as aventuras de Kara Danvers (Melissa Benoist). A verdade é que Supergirl nunca pareceu se encaixar no perfil do canal, o fato era que se parecia muito com uma série do canal CW que foi parar no lugar errado. E não deu outra, uma vez cancelada pela CBS, o produtor Greg Berlanti responsável por criar o universo de Arrow, onde hoje habitam Flash e Legends of Tomorrow, viu a oportunidade de levar a série da prima do Superman para o canal onde deveria ter estreado desde início.

Desta forma, o final da primeira temporada de Supergirl não só marcou o fim de um arco para a personagem, mas sim o início de uma nova era para a série em um novo canal. Assim chegamos a estreia do segundo ano de Kara com o episódio “The Adventures of Supergirl”, que traz o frescor e o senso de novidade em seu enredo contando com a ajuda do Superman para fazer uma sólida reestreia. A história começa exatamente onde parou, com Kara celebrando com a família e amigos mais uma vitória após derrotar o vilão Non. O gancho da temporada passada foi reapresentado revelando quem estava dentro da nave alienígena que caiu em National City, e a verdade é que pouco descobrimos sobre o personagem, a não ser o fato de ser homem, estar em coma e aparentemente ter os mesmos poderes de Kara e seu primo.


O episódio não perde muito tempo em focar neste mistério; o roteiro assinado por Greg Berlanti e Andrew Kreisberg é esperto o bastante em situar a série estabelecendo mudanças neste universo que serve como representação até da mudança de emissora. Sendo assim, J’onn J’onzz (David Harewood) e Alex Danvers (Chyler Leigh) ganham um novo quartel general de operações, saindo da caverna sombria e escura no meio do deserto, para um complexo mais claro e estiloso cheio de departamentos que parece uma central da CIA.

E não é só esta mudança de cenário que se mostra significativa, basicamente as alterações são perceptíveis em todos os lugares, desde a trilha sonora com uma pegada mais “teen”, passando pela entrada de uma nova secretária de Cat Grant (Calista Flockhart), a senhorita Eve Teschmacher (Andrea Brooks), até chegar na mudança de Winn Schott (Jeremy Jordan) que agora deixa seu antigo emprego para trabalhar em tempo integral no D.E.O ajudando Supergirl.

A trama do episódio gira em torno de Kara procurando encontrar sua identidade como pessoa enquanto concilia sua vida normal agora tumultuada com sua relação com Jimmy Olsen (Mehcad Brooks), ao mesmo em que enfrenta mais ameaças do que nunca. O roteiro aqui traz tantos problemas para vida de Supergirl, que nada mais justo que usassem este momento para introduzir seu primo na série. A entrada de Superman (Tyler Hoechlin) engrandece bastante o episódio para falar a verdade, e tudo se torna mais interessante pois a trama se movimenta bastante, principalmente quando vemos os primos de aço em ação pela primeira vez – a cena em que salvam um foguete experimental de colidir contra o solo é de dar arrepios, principalmente para aqueles fãs dos personagens.

O trunfo aqui é utilizar Clark Kent∕Superman nos momentos certos, pessoalmente fiquei com medo de Supergirl perder espaço na própria série, mas isso não acontece, o texto bem escrito consegue dar espaço para o homem de aço brilhar – vale aqui alguns elogios ao ator Tyler Hoechlin, que pegou bem a essência e os maneirismos do personagem e mesmo assim não rouba a cena de Melissa Benoist, que continua sendo a dona da série. A parte mais fraca do episódio foi a trama do vilão da vez, ainda que no geral seja interessante saber que John Corben (Frederick Schmidt) estava agindo a mando de Lex Luthor, suas ações serviram apenas como desculpa para colocar Supergirl e Superman em ação e além servir como artifício do roteiro para introduzir Lena Luthor (Katie McGrath), irmã de Lex, que deve virar regular nesta temporada.

No geral, a estreia de Supergirl foi bastante sólida. A introdução do Superman e as mudanças significativas em alguns aspectos da série serviram para beneficiar ainda mais este retorno que chega cheio de ação e aventura, entregando exatamente o que se espera da série. Com uma história ágil e a bem vinda introdução do Homem de A;co, Kara Danvers não perdeu espaço na trama e melhor, por tudo que foi mostrado a personagem tem chances de crescer bastante neste novo ano agora que deve assumir seu papel como repórter investigativa. Bem vida de volta Garota de Aço.

Observações da Cat Media:

– Metallo: John Corben ao que parece irá voltar em breve agora na pele de Metallo um dos vilões famosos da galeria do Superman.

Superman continua: Ao que parece Clark Kent∕Superman irá permanecer mais um tempo em National City, vai ser legal ver mais dinâmica dos primos de aço.

– Caçador de Marte Vs Superman: Gostei de mostrar que os personagens não se dão tão bem devido ao incidente deles envolvendo uma missão e a primeira aparição da kryptonita. Pode haver conflitos interessantes no futuro.