Crítica | Star ainda tem muito a melhorar se quiser ser a próxima Empire

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ATENÇÃO PARA SPOILERS A SEGUIR

Na superfície, há muito em comum entre as duas séries musicais de Lee Daniels para a Fox: assim como a veterana (e recordista de audiência) Empire, a estreante Star é um novelão passado no mundo do hip-hop, contem músicas originais que variam de competentes a espetaculares, e mistura atores e atrizes novatos com alguns profissionais conhecidos do público. Em seus melhores momentos, ambas as séries são dramas exagerados, mas coerentes, com reviravoltas excitantes e uma mensagem socialmente relevante para passar.

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A diferença-chave, aqui, é que Star ainda não encontrou a zona de conforto que Empire achou após três temporadas no ar – e exatamente como a série-irmã, Star é uma bagunça incompreensível quando perde o rumo, derrapando em má direção, edição e concepção, momentos sofríveis eventualmente salvos pelo elenco mais experiente, que se esforça para criar algo parecido com uma narrativa a partir desse desastre todo.

Em seu episódio de estreia, Star está mais em seu pior do que em seu melhor. A história é focada na personagem-título (Jude Demorest, vista em Dallas), uma jovem branca que vive na casa de uma família adotiva cruel – ela foge e se reúne com sua irmã, Simone (Brittany O’Grady, de The Messengers). Juntas, elas são acolhidas por Carlotta (Queen Latifah), uma amiga da falecida mãe das duas, e ao lado da garota rica Alexandra (Ryan Destiny, de Low Winter Sun) embarcam em uma carreira musical como um girl group.

Está faltando Cookie

Nas margens dessa história, Lenny Kravitz e Naomi Campbell formam um casal absurdamente caricato como os pais de Alexandra. Nós entendemos o impulso de Daniels ao criar essas figuras pitorescas, visto o sucesso de Cookie Lyon em Empire, mas a verdade é que Kravitz e Campbell não são metade dos intérpretes que precisariam ser para se comparar com Taraji P. Henson e Terrence Howard. Enquanto a matriarca de Empire agarra a atenção do espectador imediatamente ao entrar em cena, Kravitz e Campbell parecem apenas um casal de revirar os olhos em alguma novelinha mexicana.

Os atores nos quais Star deveria apostar são, a bem da verdade, Queen Latifah e Benjamin Bratt, que interpreta o empresário do grupo musical das protagonistas, que tem uma longa história com Carlotta, personagem de Latifah. Ambas as performances emprestam um senso de desespero, profundidade e amargura aos personagens, criando um retrato da vida no showbusiness que parece mais genuíno e digno de se acompanhar do que aquele trilhado pelas protagonistas.

As garotas do grupo principal sabem cantar, mas ainda precisam trilhar um longo caminho na atuação, e Star cria situações dramáticas demais em pouco tempo de episódio, caindo em uma espiral de tramas mal resolvidas que vão muito além do simples fato de esse ser só o piloto da série. O problema de Star não é que ela está só começando, mas que ela começou muito mal. Empire segura sua audiência (e é eventualmente uma grande série) porque consegue o quase impossível: equilibrar uma narrativa alucinante, de puro impacto, com a consciência de sua importância cultural e da prioridade de contar uma história.

Apostar que daria certo duas vezes foi um risco que Lee Daniels não deveria ter corrido.

Queen Latifah em Star
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