Os filmes da DC são melhores que os da Marvel, e aqui estão os motivos

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Aqui no Observatório do Cinema, a gente sempre tenta fazer uma cobertura imparcial (na medida do possível) sobre as duas editoras de super-heróis que tem se aventurado nos cinemas nos últimos anos, Marvel e DC Comics. Acredite em mim quando digo, no entanto, que essa não é uma missão fácil – destrinchar as complexidades dessa que é uma das grandes expressões pop do nosso tempo já é complicado, e fica ainda mais difícil com fãs brigando o tempo todo nos comentários.

A empreitada da DC no cinema é mais recente, começando em 2013 com O Homem de Aço, dirigido por Zack Snyder, e seguindo em Batman vs Superman e Esquadrão Suicida, ambos lançados nesse ano. Enquanto isso, a Marvel já invadiu os cinemas 14 vezes nos últimos oito anos, introduzindo uma multidão de personagens e desenvolvendo histórias mais naturalmente mais complexas com eles.

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De um ponto de vista crítico, é fácil portanto argumentar que os filmes da Marvel são mais consistentes e melhores que os da DC – eles tiveram mais tempo para construir sua marca e estilo, para desenvolver as questões que querem trabalhar, e para nos envolver com a jornada dos personagens. O universo Marvel discursa sobre militarização, desconfiança institucional, identidade e, mais recentemente, as falhas do conceito de super-heroísmo e seu conflito com o vigilantismo.

Cinema mecânico

A diferença fundamental entre os filmes da DC e os da Marvel, no entanto, não é o tempo em que estão no nosso subconsciente, e é aí que alguns críticos especializados erram na análise. A consistência da Marvel e sua construção de universo é uma virtude ao mesmo tempo em que é um calcanhar de Aquiles, porque nela as inovações só podem vir em pequenas doses – seja a descontração de Homem-Formiga ou a viagem interdimensional de Doutor Estranho.

Enquanto isso, por todas as suas investidas centralizadoras, a DC continua sendo o que muitos fãs chamam de “uma bagunça”. Recentemente, o segundo filme da Liga da Justiça foi adiado para dar espaço para The Batman, e o filme do The Flash perdeu seu diretor por conflitos criativos. Do outro lado do ringue, o ator Michael Keaton declarou sobre a Marvel, com quem trabalhou em Homem-Aranha: De Volta ao Lar: “É uma máquina bem azeitada, que funciona à perfeição”.

Uma “máquina bem-azeitada” certamente é um termo que agrada os executivos e produtores de Hollywood, mas será que deveria agradar tanto os críticos? Da última vez que eu chequei, fazer cinema e narrativa pop não deveria ser algo “mecânico”. É bacana que a Marvel esteja ajudando a mudar a opinião da crítica sobre esse cinema popular, mas ao mesmo tempo não deveria passar sem ser notado o fato de que em meio a esse processo automatizado, a editora/estúdio precisa “espremer” decisões artísticas tentando não esmagá-las.

A DC nasceu pronta

O que a DC faz de melhor, por outro lado, é prover espaço para seus diretores e roteiristas respirarem. Goste ou não da visão de Zack Snyder de um Superman sombrio, que duvida de si mesmo e é rejeitado pela humanidade, é preciso admirar a coragem da Warner/DC em lhe dar espaço para realizá-la. Ainda mais extraordinário foi o fato de que o estúdio não se intimidou com as críticas ruins e deixou Snyder mais uma vez livre para fazer seu Batman vs Superman, um blockbuster iconográfico com cheiro de filme de terror.

Mais uma vez, não estou aqui para discutir os méritos da visão de Snyder desses personagens, mas os méritos de uma franquia cinematográfica que permite um diretor/autor com controle criativo absoluto sobre o produto final. É um pouco desanimador, para mim, pensar na mão de Geoff Johns conduzindo os futuros filmes da franquia em detrimento de diretores individualizados com suas visões individualizadas, porque parece um daqueles casos (frequentes demais em Hollywood) em que uma série de filmes abdica daquilo que a faz única para se tornar, no olhar dos críticos, melhor.

Eu gosto dos meus filmes do jeito que os da DC são no momento: idiossincráticos, surpreendentes, corajosos e verdadeiramente criativos. As produções da Marvel são tudo isso, mas em menor escala, e talvez seja por isso que o universo DC tenha me encantado tanto em tão pouco tempo. Não quero um blockbuster processado pelo “padrão Disney de qualidade” – na realidade, não quero um blockbuster processado por padrão nenhum – quanto mais estranho, melhor.

Batman vs Superman
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