Sense8 | Crítica – Especial de Natal

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“Arte é o amor tornado público”, diz Hernando ainda nos primeiros minutos do especial de Natal de Sense8, lançado pela Netflix nessa sexta-feira (23). Em muitos sentidos, o espectador deve tomar esse discurso do personagem como um guia para a estrutura e ambição desse especial de 2 horas de duração que pouco faz pela trama da série, mas resgata uma noção de quem nem tudo em uma narrativa precisa mover a trama adiante.

Durante a duração do “episódio”, é impossível não notar que Lana Wachowski e J. Michael Straczynski estruturaram essa história como uma re-familiarização com os personagens, situações e sentimentos típicos da história que começamos a acompanhar em 2015, com a primeira temporada de 12 episódios que, a essa altura, parece muito distante. Os truques todos daquele primeiro ano são reaproveitados aqui, enquanto Wachowski sutilmente nos envolve de volta na vida desses personagens, e o que elas querem dizer em consonância.

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Will (Brian J. Smith) e Riley (Tuppence Middleton) estão se escondendo do vilanesco Mr. Whispers (Terrence Mann), que agora tem uma entrada “exclusiva” para a mente de Will e tudo o que ele vê, sente e ouve. Enquanto isso, Sun (Doona Bae) continua presa, com seu irmão boicotando todas as suas tentativas de justiça; Nomi (Jamie Clayton) e Amanita (Freema Agyeman) são fugitivas perseguidas por agentes do governo; Kala (Tina Desai) lida com as consequências de escolher se casar com Rajan (Purab Kohli); e Wolfgang (Max Riemelt) e Capheus (Toby Onwumere) precisam lidar com chefões do crime em suas respectivas cidades.

O especial de Natal de Sense8 não está exatamente preocupado em ser uma história de ação. Algumas cenas de luta são espalhadas durante sua duração, e os efeitos da colaboração entre os protagonistas são tão interessantes quanto foram na primeira temporada, embora seja um truque que pode cansar caso se repita eternamente pelos próximos episódios, mas o coração desse episódio de Sense8, como com quase todos, está na interação emocional entre os personagens, e na forma como a direção nos transmite essas emoções.

Seja na cena de orgia ou na da festa de aniversário, a verdade é que a força de Sense8 está na maneira como traduz um espírito de comunidade e um pensamento tremendamente humanista na tela. Não há elos fracos no elenco de uma série que busca ver o todo muito mais do que o particular – e sim, é claro que Doona Bae é provavelmente a melhor intérprete ali, mas é no seu trabalho com Tina Desai e Toby Onwumere, por exemplo, que ela brilha mais.

Se há um bom argumento para considerar narrativa pop e ficção científica como algo importante para curar e guiar nossa sociedade, ele está em Sense8. Como Hernando indica em seu discurso lá no começo da série, “arte é o amor tornado público” – nesse especial de Natal, exatamente como fez na primeira temporada, Sense8 procura explicitar não só a conexão entre esses protagonistas vastamente diferentes, mas a conexão entre todos nós. Não poderia haver mensagem melhor após o ano que vivemos.

Sense8 – Especial de Natal
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