Supermax | Crítica – 1ª temporada

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ATENÇÃO PARA SPOILERS A SEGUIR !!!

A popularização da Netflix, que já ultrapassou a marca de quatro milhões de assinantes, é apenas um dos reflexos da óbvia mudança de comportamento em relação ao consumo de TV. Ao passo que o interesse por grandes séries dispara, – Game of Thrones, The Walking Dead e outras estão aí para nos lembrar disso – a TV aberta entra em crise para encontrar meios de se adaptar a essa nova realidade. A Globo parece ter pressentido essa ameaça e, assim, buscando equiparar-se com seus concorrentes da TV paga e via streaming, trouxe à luz a série Supermax.

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A proposta da criação de José Alvarenga Jr, Marçal Aquino e Fernando Bonassi era clara: colocar ao ar a primeira série de terror e suspense da emissora, rompendo com os padrões de tudo aquilo que a Globo já havia feito. Assim, a equipe de roteiristas (composta por Aquino, Bonassi, Carolina Kotscho, Bráulio Mantovani, Dennison Ramalho, Juliana Rojas, Raphael Draccon e Raphael Montes) desenvolveu a história de 12 pessoas que se candidatam a participar de um reality show, o Supermax, que se passa em uma prisão de segurança máxima construída no meio da floresta amazônica. O vencedor leva para casa a bagatela de dois milhões de reais, mas, para isso, todos precisam lidar com fenômenos paranormais que nem mesmo a equipe do reality estava esperando. A direção é por conta de José Eduardo Belmonte, Rafael Miranda e do criador Alvarenga.

Cito, acima, todos os nomes de uma longa equipe de produção para esclarecer o seguinte fato: Supermax não funciona e, de tão numerosos, não há como saber em qual etapa da produção se deu tantos erros.

A começar pelo formato. Supermax busca zombar de reality shows, querendo ser um “Big Brother do terror”, e, para isso, abusa de uma artificialidade que tornam os primeiros capítulos um martírio.

Nem o elenco – que, para dar o ar de “pessoas reais participando de um programa”, buscou nomes no teatro e do cinema – consegue salvar as primeiras impressões: além de diálogos fracos, a presença de Mariana Ximenes (interpretando a misteriosa Bruna) e Cléo Pries (no papel da decidida Sabrina) entre os confinados nos lembra de que as mesmas tinham acabado de aparecer na novela das 7h, ainda mais cedo, na mesma emissora (à época da estreia de Supermax, as duas também participavam da novela Haja Coração) – o que quebra toda a experiência proposta pela série.

Por fim, a presença de Pedro Bial é trágica e inadmissível. Ver o rosto do apresentador do verdadeiro BBB em Supermax nos faz lembrar que não, aquilo não é um reality. Chegamos a nos questionar, pelo menos algumas vezes, se a intenção dele ali é realmente tentar nos vender algo pior do que o já surrado Big Brother Brasil.

Pedro Bial em cena de Supermax

As tentativas de sustos não passam de alegorias e, devemos ser sensatos, beiram um “serviço mal feito”. Por vezes, o aviso sonoro que indica que é a hora dos presos se recolherem às suas celas, pode causar mais sobressaltos no espectador do que demônios correndo pela prisão armados com espingardas (?) ou vozes misteriosas que são escutadas pelos corredores.

Vencido os primeiros capítulos, a trama segue nos apresentando personagens que brigam sem motivos e se reaproximam da mesma forma, que se perdem em dutos de ar condicionado e só são dados como desaparecidos capítulos depois. Tudo isso denota certa limitação criativa na construção da personalidade dos 12 encarcerados.

Em determinado ponto da história, realmente sentimos um leve desespero por não saber muito bem o que está acontecendo. Deparamos-nos com zumbis, doenças virais, possessões, dramas psicológicos, e aparentemente nada se encaixa. É como se, no ímpeto de fazer algo bom, Supermax tentasse abraçar tudo: terror, suspense, críticas sociais, e não conseguisse abraçar nada.

E não digo aqui que “abraçar tudo” não dá certo. American Horror Story, que é uma das inspirações de Supermax, teve na sua segunda temporada a presença de demônios da cultura cristã e extraterrestres, sem deixar de lado ótimas criticas sociais, tudo isso trabalhado magnificamente na mesma trama. Podemos dizer, então, que de certa forma Supermax é a prima pobre de Asylum.

Para o espectador que resistiu bravamente, a trama começa a melhorar lá pelo oitavo episódio, ao passo que algumas respostas são fornecidas apenas no capítulo 10, quando a história da construção do presídio é contada. E verdade seja dita: temos aqui finalmente um episódio bom, o melhor, de longe, de toda a temporada. Há um rompimento com a trama superficial reality, e somos introduzidos ao fotógrafo Mauro e ao fanático religioso Donato, que tentam sobreviver a uma suspeita epidemia que se alastra pela construção do presídio.

É nesse capítulo que percebemos que, quando a prepotência do formato de reality é deixada de lado, e quando os elementos do enredo conseguem ser suprimidos a um ponto específico, se torna possível, sim, criar uma narrativa mais coerente, atrativa e sentimental, que ainda assim flerta com o cunho social. O lado negativo é que este ponto alto dura apenas os 40 minutos desse capítulo.

O desfecho perde as últimas chances de dar aos personagens e à trama alguma personalidade: Baal, o lendário e impiedoso demônio, prefere bater um papo com suas vítimas a concretizar seu plano quando tem a chance; a fuga de alguns personagens, que poderia render uma grande sequência, é resumida ao som de tiros combinados a uma externa do presídio. No mais, a correria final de Supermax é fruto da própria ganância de abocanhar mais do que se pode comer.

A Globo já anunciou que os vários mistérios não resolvidos no desfecho sem sal serão esclarecidos numa próxima temporada (teríamos um Super-Padre vindo por aí?). A esse anúncio, só há duas formas de se reagir: ou a emissora aprende com os (vários) erros de Supermax e entrega uma segunda temporada feita com mais esmero, ou desiste de uma vez do gênero, antes que a crise da TV aberta entre na maior emissora do país sem bater à porta.

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