The Walking Dead | Crítica – 7ª temporada – Parte 1

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ATENÇÃO PARA SPOILERS A SEGUIR!!!

A chegada de Negan (Jeffrey Dean Morgan) no último episódio do sexto ano de The Walking Dead mostrou que a série caminhava para um período mais sombrio ao grupo de Rick Grimes (Andrew Lincoln). Entretanto, nesta oportunidade, a narrativa não mostrou tudo que se esperava ao introduzir o maior vilão da franquia, traindo os fãs com um gancho fraco e assim criando a promessa de que a sétima temporada começaria com um clima desesperador.

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Como era esperado, a série retornou com o episódio mais perturbador de sua história. “The Day Will Come When You Won’t Be” foi agoniante do começo ao fim não só por recriar mortes extremamente dolorosas para personagens queridos do público, Abraham (Michael Cudlitz) e Glenn (Steven Teun), mas por gerar um clima de tensão que não foi explorado contra os inimigos anteriores, como o Governador e os canibais do Santuário. As cenas que envolviam Negan e Rick ainda apresentavam um potencial de atuação que dois atores juntos ainda não tinham mostrado para a série.

Entretanto, The Walking Dead sempre foi uma montanha-russa em questão de qualidade de episódios. Enquanto os primeiros e últimos das temporadas costumam ser excelentes, os que preenchem o meio da história nem sempre têm boa narrativa. Isso dá à série um aspecto de novela, já que o que importa de verdade parece estar nos extremos da história. Por exemplo, quais são os grandes momentos de The Walking Dead? A revelação do destino de Sofia, os assassinatos do Negan, a invasão dos zumbis à fazenda do Hershel, etc. Todos iniciando ou terminado a primeira ou segunda parte da temporada.

Com um ritmo muito mais tranquilo para o que o foi a brutalidade do episódio de abertura da temporada, The Walking Dead começou a passear pelos vários núcleos diferentes que existem dentro da série. Primeiro, apresentou o Reino, comunidade do Rei Ezekiel (Khary Payton), mostrando um tom completamente ameno e contrário ao que havia sido mostrado no domingo anterior. Entretanto, este local pouco apareceu no decorrer da trama, assim diminuindo o interesse que o público poderia ter para aquele tipo de sociedade.

Posteriormente, Hilltop voltou a ter espaço, afinal era o único lugar que Maggie (Lauren Cohan) poderia fazer um ultrassom. A personagem, que mais viu entes queridos morrerem, mostrou um pouco de sua evolução ao proteger a comunidade de um ataque de zumbis arquitetado pelos Salvadores. Entretanto, o pouco tempo de tela não mostra realmente um bom desenvolvimento dela como pessoa com características de liderança.

Esse problema de ritmo narrativo ficou evidente durante o episódio introduzindo a comunidade Oceanside e tendo Tara (Alanna Masterson) como protagonista, algo que foge da importância que a própria personagem tem para a série. Criar um capítulo inteiro com grande enfoque em apenas um dos núcleos da série talvez seja o maior erro narrativo de The Walking Dead. Mesmo que assim consiga criar um clima coeso para o tema que queira tratar, isto faz com que personagens sejam pouco desenvolvidos ou que não haja uma evolução consistente na trama da temporada. Isto também dificulta entender em que momento está acontecendo cada coisa por núcleo, criando uma dificuldade ainda maior para estabelecer a passagem de tempo na história.

O que tem feito da sétima temporada da série algo diferente é exclusivamente algumas atuações. Jeffrey Dean Morgan entrega o melhor vilão de The Walking Dead em todos os aspectos. O ator dá ao personagem um tom de deboche e poder que cria empatia por ele, mesmo tendo conhecimento de todos os absurdos cometidos pelo dono de Lucille. O líder dos Salvadores ainda parece ter algo especial capaz de tirar o melhor dos outros sobreviventes que dividem as cenas com ele.

Andrew Lincoln continuou sua enfraquecida interpretação de Rick, que vinha desde o término do sexto ano, e brilhou, voltando a entregar um protagonista desesperado em suas expressões com olhares perdidos no vazio e tremedeiras de medo. Chandler Riggs, intérprete de Carl, não costuma chamar atenção por seu trabalho, mas quando precisou de profundidade dramática para demonstrar a dor do luto ao dialogar com Negan, ele entregou muito bem o que o roteiro pedia.

No último episódio do ano, “Hearts Still Beating”, o ritmo da série é totalmente diferente dos outros episódios. Vários personagens ganham espaço para seus conflitos serem desenvolvidos, até mesmo Carol (Melissa McBride), que havia sido deixada de lado pela trama pouco construída no Reino. A história não fica apenas no drama e nas questões éticas de matar ou morrer, tendo espaço para que a ação seja desenvolvida na missão de Rick e Aaron (Ross Marquand), Michonne (Danai Gurira) em busca de liberdade, no confronto explosivo em Alexandria e por iniciar com qualidade a trama que está por vir.

A primeira metade da sétima temporada de The Walking Dead se mantém fiel aos quadrinhos e entrega até mesmo a violência gráfica que até agora só havia aparecido nas páginas de escritas por Robert Kirkman, mas não deve ser tão lenta quando as HQs para desenvolver a narrativa e muito menos repetitiva ao estabelecer uma situação, como a tortura com o outrora badass Daryl (Norman Reedus).

O público da televisão não está preparado nem acostumado a introduções longas de personagens que tendem a ser pouco explorados. O showrunner Scott Gimple precisa retomar as narrativas precisas que ele trouxe quando entrou para a produção do programa, caso contrário, a queda de audiência só tende a aumentar.

Negan e Spencer no último episódio de 2016 de The Walking Dead
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