Emerald City | Crítica

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O diretor de Emerald City, Tarsem Singh, tem uma tarefa difícil pela frente: adaptar para as telinhas o clássico de L. Fank Baum: O Maravilhoso Mágico de Oz. A obra de 1900 é, na verdade, a primeira história de uma longa série de nada menos do que 14 livros. É fato que a terra de Oz já é parte da cultura pop mundial, estendendo-se desde O Mágico de Oz (Victor Fleming), ainda de 1939, até versões mais ousadas como o sucesso Wicked, musical original da Broadway que explora os anos anteriores à chegada de Dorothy em Oz.

Mas se já conhecemos tão bem a história de Baum, o que Singh, em parceria com os produtores David Schulner e Shaun Cassidy, podem nos apresentar de novidade? Como fazer o público se interessar por uma história que provavelmente já sabem de cor e salteado? Eles aparentemente compreenderam o desafio, e ao que tudo indica estão dispostos a levarem Oz ao seu limite.

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Logo nos dois primeiros episódios de Emerald City (que foram ao ar nesta sexta-feira, 6), percebemos que devemos deixar de lado tudo o que conhecemos: a série será sombria, sem espaço para o clima de magia inocente que nos vem à mente quando pensamos em Oz. Dorothy (Adria Arjona) é apresentada como uma jovem enfermeira do Kansas. O único vestígio do seu passado é uma estranha marca de nascença na mão – mas não temos muito tempo para pensar nisso: com poucos minutos de história, a personagem presencia o estranho assassinato de um policial antes de ser atingida pelo tornado que a leva para a terra encantada. Daí pra frente, a trama se entrega a um ritmo vertiginoso, onde Singh usa todos os recursos para provar que pode, sim, surpreender o público contando uma nova versão de uma história já conhecida – por mais que acabe pesando na dose.

Oz, Nárnia ou Westeros?

Esqueça a fada na bolha de sabão gigante e a estrada de ladrilhos amarelos ao som da cantoria alegre. O que nos é apresentado quando Dorothy despenca em Oz, a bordo de um carro, é uma terra dominada pela neve, inóspita. Algo como Nárnia em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa. Há ali certa magia que dorme, como se dias ruins se instaurassem em terras normalmente alegres. Oz não está para brincadeiras, e isso fica claro conforme vamos sendo apresentados a cenas de tortura, sexo e até mesmo esquartejamentos. Alguém disse Game of Thrones?

A Dorothy de Emerald City

A proposta de trazer um tom sombrio para a história é boa, mas ainda não encontrou sua forma ideal. De Dorothy descobrindo Oz com um nativo, somos levados para um prostíbulo à lá Petyr Baelish, e então para uma bruxa que mantém uma criança em cativeiro, e de volta às descobertas bucólicas de Dorothy, seguidas por cavaleiros em uma busca sangrenta, passando por uma criada que quer unir ciência e magia, e então de volta aos cavaleiros, e assim por diante – sem muita fluidez.

É difícil dizer que a série não irá dar conta de tudo o que colocou à mesa nesses dois primeiros capítulos, mas a sensação que fica é de confusão – as informações são corridas demais, e as tentativas de fundir a mágica de Oz com a crueldade de Westeros nos fazem questionar o que a série realmente vai querer ser no futuro.

Falta de um lado, sobra de outro

O enredo ainda se mostra obscuro e duvidoso mas, se olharmos além, nós teremos uma vista e tanto: a fotografia na maioria das vezes é de encher os olhos. É possível perceber a preocupação com as externas, e o resultado final é lindo. Até mesmo as panorâmicas criadas com efeitos digitais (no caso da Cidade das Esmeraldas) são feitas com a finalidade de deslumbrar quem está assistindo, e alcançam seu objetivo.

Aliado à fotografia, os figurinos dão um espetáculo à parte. É impossível tirar os olhos de Glinda (Joely Richardson) quando ela aparece em cena. Até que se prove o contrário, a identidade visual de Emerald City acaba sendo sua identidade por completo.

Expectativas para o futuro

A confusão que a trama inicial nos apresenta é minimizada, em termos, pela ambientação criada pelo visual. Podemos não saber se Emerald City encontrará o tom de sua história, equilibrando aspectos sombrios com a atmosfera leve da obra original, mas ao menos conseguimos imergir em uma ambientação bem feita que faz prender a atenção.

Sendo assim, a atenção Emerald City já tem. Singh está com a faca e o queijo na mão, e agora só falta nos presentear com uma história mais bem construída que os capítulos iniciais, para que enfim possamos acreditar que sim, Oz pode ser sombria sem precisar estar à sombra de outras terras imaginárias.

A bruxa de Emerald City
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