Legion | Crítica

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Os filmes dos X-Men produzidos pela Fox não fazem parte do Universo Cinematográfico Marvel. Isso significa que essas produções em especial não possuem ligações com Os Vingadores e etc. O mesmo acontece com Legion, que estreia no Brasil nesta quinta (9). Mas a série vai além, e mesmo participando do universo dos X-Men, acaba, ao menos por enquanto, se distanciando da realidade dos filmes da Fox. E, para Legion, isso é muito bom.

A série tem como protagonista David Haller (Dan Stevens), um mutante que desconhece seus poderes. Ao ser considerado esquizofrênico, acaba sendo internado em um hospital psiquiátrico e é constantemente dopado. Lá, ele conhece Syd Barrett (Rachel Keller), uma paciente que aparentemente não gosta de ser tocada – nunca. Ao se aproximarem, eles acabam nutrindo uma espécie de namoro sem contato físico. Mas tudo muda quando Syd é liberada do hospital sem deixar rastros.

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Naturalmente, o espectador que está familiarizado com os quadrinhos sabe que Haller é, na verdade, o mutante conhecido como Legião, filho de Charles Xavier. Mas não conhecer os quadrinhos, aqui, não é um problema. O primeiro capítulo, “Chapter 1”, vai com calma e nos dá um panorama completo do que precisamos entender para seguir com a série. E se o objetivo de Noah Hawley, diretor e roteirista do episódio, era pender nossa atenção para continuar com Legion, ele definitivamente conseguiu.

O capítulo se inicia com uma sequência belíssima que nos apresenta a trajetória de Haller, do garotinho inocente na bicicleta até o adolescente que passa por desordens mentais que culminam numa tentativa de suicídio de Haller já adulto.

Dan Stevens em Legion

A partir daí, somos levados para o Hospital Psiquiátrico Clockwork, onde Haller está internado e aonde maior parte do capítulo irá se passar. E é aí que está toda a graça e todo o trunfo de Legion – pelo menos no primeiro capítulo.

Temos como personagem principal um homem que viveu atormentado por vozes e visões que não sabia distinguir. Dopado dentro do hospital, a linha que divide a realidade dos devaneios de Haller fica cada vez mais difusa. Logo, se nosso protagonista não sabe distinguir a realidade da loucura, porque nós, meros espectadores, teríamos tudo de mão beijada?

Somos levados, então, junto a Haller, a nos perguntar o que é real ou não, o que realmente está acontecendo e quando está acontecendo. Cenas como as da sessão de terapia de Haller e de sua irmã o visitando são incrivelmente bem boladas por não conseguimos distinguir quem, no meio de toda a situação, realmente está ali.

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O capítulo também não segue uma linha cronológica. Em certo momento, estamos com Haller no hospital. Na cena seguinte, estamos dentro da mente dele. Na próxima, conhecemos um pouco mais dos incidentes passados do personagem (outra sequência belíssima). Então voltamos para o presente, mas ele não está mais no hospital. Ou está? Tudo isso instiga o espectador a juntar os pedaços e tentar criar o quebra cabeça da mente do pobre Haller.

E por falar em Haller, Stevens está ótimo no papel, por sinal, e tudo o que esperamos é que o ator continue com o mesmo ritmo. Assistir às cenas onde ele é desacreditado, tomado como louco e dopado nos faz sentir algo que beira a indignação e a raiva mais genuína.

A trilha sonora foi outro ponto de destaque do episódio. De The Rolling Stones a The Who, ela mistura o mainstream com o instrumental muito bem trabalhado do guitarrista e produtor musical Jeff Russo, que assina as composições de Legion. Russo já havia comentado que queria que a trilha soasse como The Dark Side of the Moon, álbum do Pink Floyd, por exprimir a sensação de finalmente estar liberto de “doenças mentais”, assim como será a trajetória de Haller pela série. De fato, ele consegue deixar explícita a inspiração na banda britânica, que funciona muito bem.

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No mais, o primeiro capítulo de Legion se mostrou soberbo em todos os aspectos. Com um ritmo homogêneo, consegue ser extremamente sombrio e beirar o suspense (algumas alucinações aparecem e somem de cena de forma tão natural que chega a impressionar). É preciso, entretanto, aceitar que Legion não é só sobre mutantes. É sobre mutantes, sim, mas também sobre sofrimentos passados e busca interior; é sobre aprender a ser aquilo que nascemos para ser; é um drama psicológico pincelado com cenas de ação.

Por fim, é sobre deixar de lado tudo o que a Fox nos apresentou sobre os mutantes em seus filmes para, caso se encontrem no futuro, termos um pensamento mais maduro sobre esse universo. Parece complicado, mas bastam alguns minutos e percebemos que é mais fácil do que parece – e quando menos percebemos já estamos aguardando pelo resto da temporada, na esperança de que seja tão impecável quanto o primeiro capítulo.

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