Por que o futuro da DC no cinema está nas mãos das mulheres

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Por Fernando Minighiti

A DC deu início ao seu universo estendido há apenas quatro anos, com o lançamento de Homem de Aço (2013), ganhando um pouco mais formato em Batman Vs Superman: A Origem da Justiça (2016) e Esquadrão Suicida (2016). Além dos ganchos que esses filmes proporcionam (Liga da Justiça – Parte I chega aos cinemas em novembro), há algo em comum entre esses dois lançamentos que podem definir o futuro da DC – que responde pelo codinome Mulher Maravilha e Arlequina.

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É inegável que a participação dessas personagens em BvS e Esquadrão foram memoráveis. Em apenas uma sequência eletrizante, Gal Gadot conseguiu salvar os minutos finais de Batman VS Superman, nos dando um gostinho do que a Mulher Maravilha era capaz – e não é pouca coisa. Já em Esquadrão Suicida, Arlequina (Margot Robbie) rouba a cena e nos dá, de longe, o melhor personagem da trama. Isso sem contar que em Aquaman (estreia em 2018), a DC nos dará mais uma personagem feminina de peso: Mera (Amber Heard), parceira de Aquaman.

Essas personagens não ganharam apenas destaque; elas foram adoradas. Pouco tempo depois do lançamento do filme, uma enxurrada de cosplays de Arlequina invadiram diversos eventos; a força e atitude da Mulher Maravilha, que já chegou botando ordem no que os homens eram incapazes de resolver juntos civilizadamente, acabou contagiando os fãs e reabrindo um velho e sempre pertinente debate: afinal de contas, qual o papel da mulher no filme de super-herói?

Ao que tudo indica a DC parece ter entendido o recado: depois de um Esquadrão Suicida fraco e de uma Arlequina forte, o filme Sereias de Gotham, que tem como protagonistas o trio Mulher Gato, Hera Venenosa e Arlequina, está em fase de negociação e deve ter as gravações iniciadas no verão do hemisfério norte. Além do mais, Mulher Maravilha estreia ainda esse ano e, a julgar pela repercussão da personagem em BvS, o filme tem tudo para dar certo.

Dessa forma, é possível afirmar que a DC e a Warner Bros estão dando uma resposta clara: o lugar da mulher nos filmes de heróis e no papel principal, e nada mais.

Mulher-Maravilha

Representatividade feminina

Inevitavelmente, o posicionamento da DC possui fins econômicos. Identificando o sucesso de Arlequina, por exemplo, por qual motivo não lhe dariam mais espaço em outro filme? Entretanto, precisamos pensar além dos fatores comerciais. Mulheres não são números e, ao final das contas, há uma questão infinitamente mais importante que devemos considerar, principalmente quando observamos os caminhos que a DC está seguindo: a representatividade feminina.

Segundo um levantamento do MPAA (Motion Picture Association of América) divulgado em 2015, as mulheres, além de ser maioria no mundo, são as que mais consomem cinema. Pouco mais de 50% das bilheterias mundiais são proveniente delas. Quando o assunto muda para filmes de heróis, a diferença continua pequena: quatro em cada dez mulheres assistem frequentemente a esse estilo.

Isso significa que todas essas mulheres se vêm representadas em posições coadjuvantes – o típico retrato que perpetua a ideia do homem como todo-poderoso e da mulher indefesa; do homem que age enquanto a mulher espera.

Vivemos em um tempo onde, graças à internet, mudanças começam a germinar, tanto em assuntos como o feminismo quanto nos direitos civis da comunidade LGBT, por exemplo. Insistir nesse formato estereotipado onde a mulher é constantemente fragilizada ou negada, acaba por causar certa insatisfação. Esse incômodo já foi notado quando a Marvel recebeu diversas críticas furiosas de fãs que notaram que Gamora, de Guardiões da Galáxia, fora então cortada de algumas coleções de camisetas do filme e da coleção de action figures.

Erros como esses, nos dias atuais, são inadmissíveis. Fazer filmes de heróis, bem como quaisquer produtos derivados, pensando na mulher como a namorada que vai assistir ao filme “obrigada” pelo namorado é uma atitude que beira a ofensa.

A TV como exemplo

A despeito do cinema, que insiste em manter um tempo de cena descaradamente maior para protagonistas masculinos do que para os femininos, as séries de televisão parecem ter entendido o recado mais cedo.

Diversos programas de grande sucesso estrelados por mulheres ou com o elenco predominantemente feminino começaram a surgir nos últimos tempos. Jessica Jones (2015), da Netflix, por exemplo, arrebatou críticas positivas e foi uma das maiores audiências da rede de streaming no ano do lançamento. Luke Cage, por outro lado, ainda que protagonizada por Mike Colter, dá espaço para uma representatividade feminina poderosa por meio de grandes personagens como Misty Knight (Simone Missick), Mariah Dillard (Alfre Woodard) e Claire Temple (Rosario Dawson).

Jessica Jones, da Netflix

Seguindo a mesma linha, a DC lançou também em 2015 Supergirl. A série não teve o prestígio da produção original da CBS, mas cumpriu seu papel e conseguiu sua segunda temporada. Vale ressaltar, entretanto, que a função de séries como Supergirl não é necessariamente ser idêntica à original, mas sim fornecer espaço para essa grande parcela feminina se ver finalmente representada; para mostrar ao cinema que é possível, sim, ter grandes histórias com grandes mulheres nos papéis principais.

Lute como uma garota

O mundo geek é, ainda, parcialmente machista. Mesmo dentro desse nicho, há quem diga que Mulher Maravilha, Sereias de Gotham e outros filmes que ousem desafiar a soberania masculina, sejam um desperdício de tempo e dinheiro. Isso porque filmes como Elektra (2005) e Mulher Gato (2004) foram fiascos de audiência. De fato, suas bilheterias foram mornas. Entretanto, é um argumento extremamente falho – afinal de contas, Demolidor (2003) não foi uma vergonha?

Ataques como esses, geralmente disfarçados de críticas que, no fundo, não são nada construtivas, não têm a mínima finalidade além de tentar desmerecer e desqualificar aquilo que foge do padrão masculino.

É muito fácil, por exemplo, um executivo da própria DC declarar que “Mulher Maravilha é confuso e decepcionante”, quando o sexo desse executivo nunca foi subestimado no mundo do cinema. A justificativa, para fugir de questionamentos, é a de que “foi o mesmo executivo que previu que Batman Vs Superman era arrastado, logo, ele deve estar certo”.

Não está. Novamente, quando falamos em Supergirl, Mulher Maravilha, Sereias de Gotham e tudo o mais que a DC pode estar preparando, estamos falando de uma era de representatividade e poder feminino que surge tardiamente – mas que surge! Não é apenas sobre a qualidade da ação, sobre os efeitos especiais, se é decepcionante ou não. É sobre uma geração de mulheres que mostra que podem ser quem elas querem ser, inclusive super-heroínas tão poderosas quanto todos os super-heróis. É sobre a comunidade feminina ir aos cinemas e finalmente perceber que está sendo representada como deve ser: com protagonismo ativo.

É sobre igualdade de gênero – e isso transcende a barreira do cinema.

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Arlequina
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