Inumanos x The Gifted: Qual a melhor das novas séries da Marvel?

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Nos últimos dias, duas novas produções da Marvel fizeram sua estreia na televisão norte-americana: Inumanos (ou Marvel’s Inhumans, no original) e The Gifted. Enquanto a primeira toma como base a série de quadrinhos de mesmo nome, a segunda é inspirada nas histórias dos X-Men.

Além de releituras de histórias da Marvel, ambas as séries falam sobre pessoas comuns que obtiveram poderes especiais por apresentarem mudanças genéticas, o que tem gerado debates e comparações entre elas. Acontece que apesar das semelhanças, os objetivos de Inumanos e The Gifted são bem diferentes, assim como a execução de cada uma.

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Em seus dois primeiros episódios, exibidos como um especial, Inumanos mostrou uma trama que segue o padrão exato esperado em um produto de super-heróis. Temos bem delimitado por um roteiro altamente expositivo que Raio Negro (Anson Mount), Medusa (Serida Sawn) e seus familiares são os heróis da trama, enquanto Maximus (Iwan Rheon) e seus comparsas são os grandes vilões que farão de tudo para controlar Attilan, o reino secreto dos Inumanos, escondido na Lua.

Inumanos

The Gifted, por sua vez, aposta em personagens mais cinzas. O protagonista Reed (Stephen Moyer) não é um cara legal que gosta de mutantes e até ajudou o governo em sua caça, mas se vê obrigado a se unir a um grupo de rebeldes para salvar seus dois filhos no momento em que descobre sobre seus poderes especiais. Por ter como base uma obra mais popular, a história se desenrola de modo mais ágil e sem grande exposição – ainda que para isso seja necessário tropeçar em pequenos furos de roteiro, mas nada que comprometa o produto final. Colocando o governo como grande inimigo e não especificando antagonistas até o momento, The Gifted ainda cria um ambiente mais sombrio e ameaçador que reforça sua metáfora sobre preconceito contra minorias.

Aliás, é bom deixar claro que apesar dos trailers e prévias deem a impressão de que Inumanos em algum momento vai trabalhar uma relação de preconceito dos humanos comuns contra seus parentes com superpoderes, isso nunca acontece. Isso porque o foco da série é mais um embate familiar entre Raio Negro e Maximus, e não uma trama sobre injustiças sociais. Sim, o roteiro arranha um pouco a questão das castas que regem o reino dos Inumanos, mas nunca se aprofunda nisso – e considerando que os protagonistas da história são o Rei e a Rainha do local, é difícil acreditar que tal tema será desenvolvido.

Há outros elementos que mostram que o universo de Inumanos pode ser até mais rico que os de The Gifted, como a tecnologia avançada desses seres especiais, o cristal Terrigen que oferece lhes oferece poderes e o conselho que controla essas mutações genéticas. Infelizmente, novamente é tudo apenas citado, sem grande desdobramentos.

The Gifted

Embora as duas séries sejam limitadas pelo orçamento menor de uma produção para televisão – o que significa efeitos visuais baratos e cenários pouco extravagantes – apenas The Gifted sabe como utilizar isso sem comprometer sua qualidade. A série dos X-Men aposta em uma fotografia mais escura, planos mais fechados e em cenas de ação com cortes rápidos, de modo que mesmo seus efeitos pouco fascinantes passam despercebidos aos olhos do espectador. Inumanos é mais colorida, tenta enganar o espectador com planos mais abertos e suas sequências de luta são paradas e pouco empolgantes. Desse modo, seus problemas acabam transparecendo na tela de forma que fica até mesmo visível o uso de Chroma-Key em determinados planos.

Claro, isso muito tem haver com a mão da direção por trás de cada série. Enquanto o piloto de The Gifted foi dirigido por Bryan Singer, já especialista com os filmes de X-Men e com anos de trabalho no cinema, Inumanos teve sua estreia comandada por Roel Reiné, que tem no currículo várias séries de televisão e filmes para home-video, mas poucas obras para a tela grande – e sim, essa diferença de bagagem muda muito o modo como cada diretor trabalha com seu produto.

Medusa e Maximus

A escolha dos atores, fator crucial para manter a estabilidade de um seriado, também pendeu para o lado de The Gifted, que apresenta um elenco mais maduro e capaz de equilibrar de forma convincente as emoções de seus personagens – e Moyer está excelente como o patriarca consternado da série. Na contramão, Inumanos não possui ninguém que brilhe e conduza a série de forma devida. Anson Mount deveria realizar este trabalho, mas é constrangedor ver seu personagem com a boa fechada de forma esquisita o tempo todo. Até mesmo Iwan Rheon não se sobressai, já que parece estar tentando se conter para não voltar a dar o sorriso lunático característico de seu Ramsay Bolton de Game of Thrones.

Apesar de seus problemas, Inumanos é uma série bem mais leve que The Gifted, e talvez seja isso que deva ditar a escolha de uma pessoa no momento de decidir qual das duas produções pretende assistir: gosta de algo mais leve? Inumanos é perfeito. Prefere uma série com um drama mais denso? The Gifted está aí para isso. As duas séries tem potencial, e mesmo que uma esteja se saindo melhor que a outra em seu início, tudo pode mudar no decorrer da temporada.

The Gifted
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