Não deixe os haters te enganarem: Por que ainda estamos em plena Era de Ouro da cultura geek?

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2017 tem sido um ano desastroso para Hollywood. Apesar da recuperação das bilheterias em setembro, quando o sucesso do terror It: A Coisa impulsionou mais espectadores para os cinemas, o estrago feito no verão (que ocorre entre maio e agosto por lá) não vai ser revertido com apenas um par de sucessos de bilheteria.

O verão de 2017 foi o pior desde 2006, um intervalo de 11 anos em que os costumes do público, a medida do que é popular e o que não é, e muitas outras coisas no mundo mudaram. Entre elas, a ascensão da cultura geek como a maior máquina de dinheiro de Hollywood, seja através da Marvel, da DC ou de franquias como Star Wars e Star Trek (entre muitas e muitas outras).

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Talvez por isso seja natural e instintivo culpar uma suposta “baixa” na popularidade da cultura geek como a responsável pela crise, mas não é bem assim. Vide a prova cabal: os três filmes mais populares do verão americano são Mulher-Maravilha, Homem-Aranha: De Volta ao Lar e Guardiões da Galáxia Vol. 2.

Já mundialmente, esses três filmes e o quarto lançamento de super-heróis do ano, Logan, formam quase metade dos 10 mais lucrativos do ano. É impossível ignorar que, em uma cultura na qual a ida ao cinema se torna cada vez menos um ritual, e cada vez mais um luxo, muito mais gente está disposta a pagar por um ingresso de filmes da Marvel e da DC do que aqueles que estão fora desse eixo geek.

Guardiões da Galáxia Vol. 2, que faturou US$860 milhões nas bilheterias

A medição de bilheteria, no entanto, é espetacularmente incompleta quando estamos falando de impacto cultural em pleno ano de 2017. As investidas geeks na TV também precisam ser consideradas – o sucesso das quatro séries da DC na CW (The Flash, Arrow, Legends of Tomorrow e Supergirl) e do eixo Netflix/ABC para a Marvel (Agents of SHIELD, Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro, Os Defensores) continua em muito superando os fracassos (Inumanos… é só?).

Fora do eixo principal, a Fox conseguiu dois hits do universo X-Men com Legion e The Gifted. O investimento também continua alto em projetos futuros – a Marvel tem O Justiceiro (Netflix), Fugitivos (Hulu), Novos Guerreiros (Freeform) e Manto e Adaga (Freeform) prontas para estrear, enquanto a DC aposta em Raio Negro (CW) e Titãs (serviço de streaming próprio, ainda não inaugurado).

Ainda na TV, Star Trek: Discovery se mostrou uma das maiores audiências da fall season, dando vida (quase sozinha) ao serviço de streaming CBS All Access. As séries mais populares do mundo continuam sendo The Walking Dead e Game of Thrones, e produções menores de gênero, como Preacher, The Magicians, The Shannara Chronicles, Shadowhunters e outras continuam sendo renovadas para anos a fio.

Star Trek: Discovery

O sucesso muito material desses títulos e a multidão de produções que ainda estão por vir, no entanto, são meras manifestações físicas de uma verdade muito mais imaterial: a cultura geek está entrelaçada de uma forma muito profunda no imaginário coletivo da nossa época. É impossível, em certos círculos, parar de falar dessas coisas – não digo no sentido de que marcas como Marvel e DC são “grandes demais para falhar”, mas no sentido de que a infiltração da cultura geek no mainstream, e por isso mesmo em todo o nosso complexo cultural contemporâneo, é muito maior do que o sucesso ou fracasso financeiro delas.

Quando considerando a cultura do século XXI, se agarrar em definições convencionais de êxito e derrota é no mínimo ingênuo, e no máximo maldoso. Em um mundo no qual todas as nossas outras convenções culturais são destituídas de seus significados, tentar estabelecer “o fim da Era de Ouro da cultura geek” é como decretar “o fim da pirataria” ou “o fim da Peak TV” – esses não são momentos culturais passageiros, mas marcas definitivas na cultura do nosso tempo, da nossa geração, da vida como a conhecemos.

Em todas as suas contradições e problemas, tanto quanto suas virtudes e revoluções culturais, o imaginário geek é indissociável de tudo o que conhecemos como cultura pop no século XXI. Em resumo: há muito mais por vir, meus caros. Não deixem que os haters digam o contrário.

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