Sombrio, Star Wars: Os Últimos Jedi afinal é para crianças?

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Os filmes da franquia Star Wars não só passaram por mudanças em suas narrativas dentro dos filmes, como também tiveram que passar por processos transitórios em meio ao seu público. Gerações e gerações de fãs se renovaram desde que o episódio IV, Uma Nova Esperança, apareceu nos cinemas em 1977. Desde então, são 40 anos de uma das sagas mais arrebatadoras e considerada hoje em dia o que significa o termo cultura pop.

E por falar nessas alterações que competem não só aos filmes mas também ao público, Star Wars depois de um tempo começou a ser definido como não só um produto cultural mas também uma marca para um público mais infantil. Agora, não é somente o fã mais velho que maratona os episódios antes de conferir o primeiro. As crianças carregam mochilas com Yoda e Luke estampadas, além de desfilarem em fantasias em eventos de cultura pop. Porém, uma dúvida se tornou recorrente mas não para deslegitimar o acesso dessa faixa etária aos filmes.

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Por mais que esse apelo tenha sido fortalecido pela trilogia nova de George Lucas nos anos 2000, Star Wars: O Despertar da Força, a volta da saga para os cinemas em 2015 pela mente e mãos de J.J. Abrams mostrou que o universo estava diferente, por mais que sua história seja relacionada quase que diretamente aos filmes clássicos. E o que caracterizou essas diferenças? Os avanços em tecnologia e a aproximação do filme para com temas mais atuais, acompanhando a geração, mostraram tons ligeiramente mais sombrios e subtramas com força um pouco mais impactante, mesmo que mortes e cenas de ação frenéticas já sejam costumeiras ao longo dessas quatro décadas de Star Wars nos cinemas.

Cenas de batalha mais fortes – com o uso da trilha sonora e efeitos especiais, além da morte de um dos personagens mais queridos de todo o universo resinificaram o nome da franquia, o colocando em uma situação mais atual para o público infantil. E por conta desses fatos em O Despertar da Força, será que o mesmo tom – ou até mais pesado – seria adotado em Star Wars: Os Últimos Jedi? Creio que não exatamente.

Por mais que críticas e reações primárias ao filme – principalmente pela crítica especializada – afirmarem que seja o filme mais sombrio da história de Star Wars, não necessariamente é um longa-metragem assustador, que provocará medo no público infantil que, querendo ou não, é uma representação bem alta sobre todo o público da franquia. E isso se dá pelo fato principalmente dos pais, que acompanham os filmes durante todo esse tempo, passar aos seus filhos como um legado cultural.

Em fato, Star Wars: Os Últimos Jedi está classificado como PG-13, um equivalente à 14 anos aqui no Brasil, por algumas cenas de ação/ficção científica que usam alguma violência mais forte. Há pouquíssimas cenas de palavreado de baixo calão, na verdade nunca foi dito um palavrão no filme – pelo que lembro – e nunca existiu cenas com insinuação sexual de maneira explícita. Segundo um guia de identificação e classificação do veículo britânico BBC, Star Wars: Os Últimos Jedi possui uma violência moderada, envolvendo batalhas com sabres de luz e outras armas brancas e blasters – armas que atiram lasers -. A violência pelo meio da fantasia é um pouco estranha. As crianças conseguem se impressionar mais com cicatrizes deixadas pelos sabres de luzes do que por uma arma ou faca. Isso se dá pela fantasia, a distanciando de como acontece na vida real.

Sangue é outro elemento praticamente nulo na série Star Wars. Vemos algumas cicatrizes e machucados com um pouco de sangue, mas nada com muito líquido jorrando em cena, o que seria bem impactante para as crianças. Isso ajuda os pequenos a terem um pouco mais de empatia e desassociação com a violência. Além de tudo, o uso da jornada do herói como fórmula narrativa e o aspecto do bem contra o mal, do mocinho contra o bandido, são características que costumam ser mais fáceis para o público infantil captar a necessidade de certa violência nos filmes da franquia. Mesmo que um mocinho seja abatido ou derrotado, as próprias crianças já sabem que, por se tratar de um filme Star Wars, ele dará a volta por cima e conseguirá derrotar o mal.

Porém, há certos pontos mais complexos na atual trama de Star Wars, desde O Despertar da Força. Uma traição e forte na família são pontos da narrativa que podem dificultar uma absorção mais tranquila por parte das crimes, principalmente discussões sobre patricídio – Kylo Ren assassinando Han Solo -, com o filho preso no lado negro da força mas também preso dentro de seus próprios conflitos. São momentos que possibilitam uma espécie de dificuldade ou até mesmo indagação a ser gerada por esse público mais novo. Até mesmo para adultos é difícil entender as motivações de tais atos.

Star Wars: Os Últimos Jedi é um filme que, desde que iniciou a divulgação de sua material de marketing, deu pistas que diversos personagens passarão por situações bem complicadas. De superação, de contestação e de muito estresse. No entanto, para amenizar esse peso, o diretor Rian Johnson também incluiu situações cômicas e anedotas que suavizaram esses outros eventos. Portanto, vale ressaltar que a resposta da criança para com tal personagem em determinada situação se dará a partir da relação entre espectador e personagem. Um público mais novo, no entanto, de até uns 7 ou 8 anos de idade, sejam mais difíceis de contextualizar os eventos, mesmo que de suas maneiras. Para uma faixa etária acima, deve ser mais fácil.

Até a adesão dos porgs, uma espécie de aves-marinhas de aparência mais simpática e fofa é um elemento voltado para chamar a atenção do público infantil. Então por mais que os novos filmes Star Wars estejam usando um pouco mais de violência, dificilmente ela será desequilibrada em uma maneira que assustará as crianças.

Mas, nada que impeça dos pais levarem seus filhos e filhas pequenos para verem ao filme. O que a criança absorver, entender e se questionar, cabe também aos pais tentar trazer essas respostas para que eles possam ficar mais por dentro da história. No entanto, não há de se negar que talvez seja uma experiência mais desafiadora, tanto para as crianças quanto para os pais, dentro dessa média de idade. Entretanto, uma experiência desse nível é sempre recompensadora, independente de quantas vezes sejam necessárias para um divertimento completo.

Pois afinal, os filmes Star Wars – se quiser, pode tirar os três primeiros episódios -, sempre são sinônimos de divertimento. Entre amigos, entre casais e entre pais e filhos.

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