Crítica | Santa Clarita Diet – 2ª temporada

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Ao adotar uma temática zumbi dentro de uma obra audiovisual, há sempre mais de um caminho e tom que pode ser adotado para tornar ela relevante. Você pode colocá-la em uma espécie de comicidade e galhofa em cima desse contexto, como foi a 1ª temporada de Santa Clarita Diet ou assumir uma perspectiva mais séria e inserir outros elementos que transformam os personagens não somente reféns de poucos diagnósticos, como é a 2ª temporada de Santa Clarita Diet, que estreou nessa sexta-feira (23) na Netflix.

A trama central dessa nova temporada segue logicamente e imediatamente após o término da primeira, onde a família Hammond está passando pelas piores dificuldades possíveis; Sheila (Drew Barrymore) afundada em uma deterioração e desgraça tanto mental quanto psicológica, Joel (Timothy Olyphant) internado dentro de uma ala psiquiátrica, cabendo a Abby (Liv Hewson) junto de Eric Bemis (Skyler Grisondo) tentando descobrir uma cura e também consertar o que colocou o casal protagonista dentro dessa situação quase irreversível. Buscando um vigor, a nova temporada se baseia de seus pontos fortes, como o diálogo cínico e as situações cômicas envoltas no brega, além também de conferir um tempo maior de cena ao elenco coadjuvante, dando uma renovada dentro dos núcleos, elevando suas importâncias. E a partir dessas adições de tempo para os secundaristas, há uma renovação importante desses pontos mais importantes: a aceitação de um descompromisso sério.

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Entretanto, os episódios de tempo curto parecem desencaixados dentro da narrativa criada para essa temporada. Em Santa Clarita Diet, é comum perceber um desligamento da realidade justamente para forçar esse passo mais figurado e irreal. Acontece que a montagem e o desenvolvimento desse texto acabou ficando preso dentro do próprio esqueleto, tendo somente um tempo próximo ao final que possui certa relevância para essa história, que é quando há uma tentativa de desvendar a origem dos problemas de Sheila e mesmo com as amarrações mais impossíveis de serem creditadas pelo senso mais deturpado propositalmente, se nota elementos básicos de uma seriedade e uma sobriedade que não foi tão necessária para essa continuidade. É como se não conversassem de jeito nenhum, sobrando pontuações falhas sobre uma das melhores personagens da trama principal.

Durante a série, para dar um sentido um pouco mais empático, há uma leve abordagem de temas atuais que dizem respeito a uma conjuntura. Como por exemplo, as piadas inteligentes feitas sobre a onda crescente do nazismo. Tudo faz parte desse segmento mais cômico e apelativo no sentido da própria galhofa, abandonando critérios mais sérios e fundamentados. No entanto, ao querer perambular por essas questões, acaba se tornando confusa e mais irregular que a temporada antecessora. Mas possui de sobras uma construção muito bem estabelecida dos personagens e da relação entre eles, principalmente o casal Hammond. Drew e Timothy criam um timing perfeito de comédia em diversas situações e interpretam muito bem o texto sempre afiado e descompromissado. Aliás, interessante notar que Olyphant, um ator conhecido mais por filmes e séries de ação, conseguiu com a segunda temporada, mostrar que possui habilidades para a comicidade e se tornar um ator de perfeito timing e colaborativo ao cinismo da série.

Santa Clarita Diet, em sua segunda temporada, mostra alguns avanços em comparação ao ano antecessor, principalmente no desenrolar da história e na manutenção de seus principais personagens. No entanto, acaba rumando para uma sobriedade um pouco incômoda e conflitante com o restante mais leve e original dentro de uma proposta que já provou como fórmula bem sucedida.

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