Legion | Crítica – S02E01

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Legion é um caso de seriado curioso. Não apenas pelo fato de que, ao assistí-la, dificilmente iríamos associá-la a algo relacionado ao universo dos X-Men se não tivéssemos essa informação (e muito disso se deve ao caminho nada usual com que série é carregada por seus responsáveis), mas principalmente pela surpresa que foi sua renovação no ano passado quando sua audiência não ultrapassou a barreira do mediano. Mas ainda assim, sua legião de fãs se formou e a FX renovou Legion para seu segundo ano, que estreou simultaneamente no Brasil ontem à noite através da Fox Premium.

Vindo de um showrunner Noah Hawley, o criador da premiada Fargo, é inevitável que Legion traga consigo um tom autoral que domina cada frame da narrativa, plasticidade e ambientação que fizeram parte dos primeiros oito episódios da primeira temporada, e que prometem seguir acompanhando a nova leva de capítulos que, como anunciado anteriormente, sofre um considerável salto temporal de um ano após os acontecimentos da season anterior.

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O que há de mais instigante em Legion reside justamente na estrutura do estudo que os roteiristas tecem sobre o personagem David Haller (Dan Stevens) e seu diagnóstico de esquizofrenia com o desenvolvimento de seus poderes envolvendo a leitura de mentes, visões, etc. Um prato cheio para que a série use e abuse de cenas de sequências surrealistas que, guardadas as devidas proporções, remetem aos filmes mais alucinógenos de David Lynch (a iluminação azulada, em especial, lembram Veludo Azul), enquanto que outras novas referências podem ser construídas à partir do aprofundamento daquele universo, como o diálogo no ambiente escuro que, igualmente guardada às devidas proporções, relembram o simbólico Sob a Pele, de Jonathan Glazer. Disto, Hawley (que roteiriza este episódio de retorno) tanto elabora sua própria experiência sensorial tendo como base a mente de David, como também pauta suas questões existencialistas através de um olhar próprio sob uma abordagem nada usual para uma produção dita sobre super-heróis (afinal, David é filho de ninguém menos que Charles Xavier).

É preciso lembrar, entretanto, o quanto a série se prejudicou na primeira temporada com a desenvoltura repetitiva de sua narrativa lenta que, ao longo dos oito episódios anteriores, se arrastaram através de uma trama que, honestamente, pouco disse sobre si e sub-aproveitou plots e personagens secundários, que ainda parecem pouco reverberar no que a série planeja para si. Claro que, por mais que Hawley se garanta no seu espetáculo psicodélico de cores, enquadramentos, sons e cenas sensoriais, falta a Legion um maior envolvimento dramático que vá para além de seu protagonista que, apesar de complexo, corre o risco de ter o estudo de seu passado e a revelação de seus poderes saturada em algum momento.

De qualquer forma, Legion garantiu para si um bom retorno aos holofotes dos que ansiavam por seu retorno após o enorme potencial demonstrado pela premissa e os inúmeros cliffhangers deixados no ar. Por mais que tropece em alguns de seus caminhos, não seria exagero afirmar a consagração do seriado como umas das produções mais singulares sobre o universo dos super-heróis já imaginada.

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