The Terror | Crítica – 1ª Temporada

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Por mais que muito do que seja visto na TV hoje seja capaz de segurar um interesse maior do que é produzido no cinema (e não à toa, há diversos nomes das grandes telas migrando para as telinhas), ainda não é de todas as ocasiões que um programa faça jus ao potencial que sua premissa ou sua propaganda nos promete. E enquanto a Netflix reina com suas produções ora ambiciosas, ora requentadas de tanto que já foi visto por aí, outras emissoras, por menores que sejam, se dão a liberdade para o experimentalismo de propostas, ambientações e tramas já conhecidas adotadas sob uma nova ótica.

The Terror, do canal AMC, se encaixa como uma luva nesse caminho ao mesmo tempo tão perigoso e tão interessante de se trilhar. Baseada no livro de Dan Simmons e produzida por nomes de peso como David Zucker (sim, aquele de Apertem os Cintos! O Piloto Sumiu)e Ridley Scott (que também produz a luxuosa Taboo, da BBC), a série reconta o fato verídico, mas através de uma abordagem de horror sobrenatural, do sumiço dos navios Erebus e The Terror em sua missão para encontrar a Passagem do Noroeste, localizada entre o Oceano Atlântico e o Pacífico. Os navios acabam ficando presos durante a expedição e, em meio ao frio e o isolamento, os tripulantes precisam encontrar formas de sobreviver ao ambiente e a uma estranha criatura que passa a atacar os exploradores, liderados pelo capitão Francis Crozier (Jared Harris) e o capitão John Franklin (Ciarán Hinds).

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Já anunciada como uma antologia pelo próprio canal, é óbvio que a primeira coisa que salta aos olhos (ou aos sentidos) em relação a The Terror é sua ambientação claustrofóbica, gélida, e o desenvolvimento dos efeitos daquele isolamento junto aos personagens. E The Terror sobrevive disto, em grande parte. Os dez episódios que compõem a primeira temporada são sempre cercados por um clima soturno e pesado, mérito não apenas do belo design de som dos navios, mas a fotografia sempre carregada e bem explorada pela câmera, e o constante uso do silêncio que, por vezes, é rasgado da tela quando a tal criatura misteriosa aparece. Há todo um notável cuidado na construção de um clima que saiba envolver o espectador naquela atmosfera opressora.

Mas felizmente, nem só de atmosfera sobrevive The Terror. O roteiro é competente, antes de tudo, no estabelecimento do antagonismo entre os personagens de Harris e Hinds, ambos deveras discordantes entre si em suas personalidades, o que os leva a uma série de discordâncias em suas decisões. Apesar do óbvio protagonismo de Harris (com mais tempo em cena do que Hinds), é nesse equilíbrio de egos que The Terror sustenta grande parte de seu alcance dramático, trabalhando com escolhas dúbias e embates floreados por diálogos bem escritos e defendidos com completude pelos dois intérpretes. E ainda assim, The Terror jamais esquece sua gama de personagens que, em momentos pontuais, assume questionamentos e a liderança de decisões que afetarão todo e qualquer tripulante de ambos os navios.

E em meio a tudo, The Terror lida com temas e sentimentos que ressaltam todo o caráter humano e desesperador da situação, por mais que o tom sobrenatural reine a cada vez que a criatura ameaça aparecer (e numa velocidade bastante gradativa, o que acentua a tensão do perigo iminente). Medo, egoísmo, desesperança, antagonismos, sobrevivência… são vários dos sentimentos corriqueiros que atravessam a narrativa de The Terror, que também se dividindo entre a civilização do presente que planeja uma missão de resgate aos navios, demonstra um cuidado trabalho com sua linearidade narrativa, indo e voltando no tempo de forma bastante pontual e organizada para a compreensão do espectador.

E com esse poder de imersão, talvez o único problema de The Terror seja sua necessidade tão gritante de encerrar cada episódio com um cliffhanger desesperador, dando a impressão de que o showrunner David Kajganich pouco confia no poder de sedução de sua trama para fisgar o público. E por mais que The Terror não seja o que há de mais explosivo em termos de audiência, o que temos aqui é um espetáculo de ambientação, trabalho com personagens e uma força impressionante de carregador o público por 10 episódios intensos sem deixar o pique de lado.

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