Professora em Malhação, Marianna Armellini relembra história de sua mãe: “Lutava por melhores condições na vida dos alunos”

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Destaque na atual temporada de Malhação – Vidas Brasileiras, a atriz Marianna Armellini dá vida à Brigitie, uma professora que gosta de cantar, mas que não tem muito talento. Questionada sobre o papel que desempenha no folhetim, a atriz relembrou a carreira da mãe como professora de escola pública.

“Acompanhei sua luta pela melhoria na educação dentro das salas de aula, pela melhoria de vida dos alunos com menores condições financeiras, pela melhoria da comunidade onde essa escola estava inserida, e muito da sua luta pela melhoria de salários e condições de trabalho dos professores”, disse em entrevista exclusiva ao Observatório do Cinema.

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Marianna Armellini coleciona passagens por algumas tramas com destaque para o humor. Segue em cartaz com a peça Mulheres Ácidas e Riso Nervoso e se prepara para lançar dois longas, Bate Coração, de Glauber Filho, e Pérola, sob a direção de Murilo Benício. Marianna revelou também como é a sua relação com a protagonista da trama da Globo, Camila Morgado. A atriz sonhava em trabalhar com a veterana.

Confira a entrevista:

Malhação está no ar há mais de vinte anos e a cada temporada procura dialogar com as novas gerações. Qual fase mais marcou a sua vida? E por quê?

Bom, quando Malhação foi lançada eu já estava saindo da adolescência, entrando na faculdade, mudando de cidade, começando uma nova fase da minha vida. Naquela época, a trama ainda se passava em uma academia. Esse início, com certeza, foi a fase que mais me marcou, pois eu sentia falta de um programa jovem – era orfã de Armação Ilimitada [série oitentista da Globo] e apesar de Malhação ser uma dramaturgia mais realista, preenchia esse vazio.

Em algum momento da sua vida imaginou ser um dos destaques do folhetim?

Pra ser bem sincera, a minha trajetória como atriz me mostrou que o que a gente imagina pra carreira e o que realmente acontece são coisas tão diferentes, que eu aprendi a não esperar muito. Houve uma época em que tinha certeza que não faria novelas, que estava “velha”, que não tinha perfil… tudo bobagem. Ser chamada pra essa temporada foi uma surpresa e uma grande alegria, por que o elenco era irresistível e a ideia de dramaturgia também. Trabalhar com a Camila Morgado era um sonho, mais uma das coisas que a gente nem imagina que vá acontecer – não dessa maneira!

A TV não tem o papel de educar, mas por tabela consegue de alguma forma fazer o merchandising social. Como analisa essa ferramenta, principalmente em uma trama em que o público adolescente é o principal?

Acho importantíssimo que haja um programa como esse, que aborde assuntos do universo dos adolescentes com transparência, profundidade, humanidade. Descobri que, mais do que falar com os adolescentes, Malhação fala com os pais, avós, professores… muitos adultos me param na rua pra agradecer pelo que fazemos, pois os adolescentes muitas vezes se fecham para o diálogo com os pais, e essa dramaturgia é uma via de aprendizagem, de entendimento dessa geração. Eu fico muito feliz com esse papel da novela.

Interpretar uma professora fez você repensar como é dura a carreira de um educador no Brasil?

Não precisei desse papel para fazer essa reflexão, pois minha mãe foi educadora a vida inteira. Era professora da rede estadual de São Paulo, e aposentou-se como vice-diretora. Acompanhei sua luta pela melhoria na educação dentro das salas de aula, pela melhoria de vida dos alunos com menores condições financeiras, pela melhoria da comunidade onde essa escola estava inserida, e muito da sua luta pela melhoria de salários e condições de trabalho dos professores. Não foram poucas às vezes em que a vi pegar ônibus com as colegas rumo a São Paulo para participar de atos, manifestações, greves. Minha mãe me ensinou muito com isso. Eu sempre tive um respeito imenso pelos professores que tive e pelas escolas por onde passei. Sempre aproveitei todas as oportunidades que tive de estudar, pois tinha a consciência de que a educação pública nesse país é uma área abandonada, e que eu era muito privilegiada por estudar em bons colégios e faculdades. Tenho o sonho de que um dia estudar no Brasil não seja uma “luta”: seja bom, acessível e prazeroso pra quem ensina e pra quem aprende.

Como é a sua rotina por conta das gravações?

Cada semana é diferente da outra: em alguns momentos da trama eu estou mais presente e gravo muito, em outros gravo menos.

Mas desde os primeiros ensaios, o elenco e a direção se entrosaram tão bem, que tudo flui muito tranquilamente. Me sinto próxima de todos, tenho diálogo aberto com as equipes (caracterização, figurino, produção, direção…). O clima é muito bom – ficaremos juntos por mais de um ano, então todos estão nessa vibração de fazer ser o mais gostoso possível. E, por enquanto, está dando super certo!

Como tem sido o retorno do público?

Ótimo! As pessoas estão gostando desse novo formato, em que acompanhamos mais de perto a história de um dos protagonistas a cada 15 dias, e adorando os temas – que são super atuais, pertinentes e importantes. Brigitte e sua voz desafinada também tem tido um ótimo retorno: tem sempre alguém me pedindo pra cantar!

Brigite é a melhor amiga de Gabriela. E através de seus conselhos incentiva a professora a ser a protagonista de sua história, a ir em busca de sua felicidade sempre se colocando em primeiro lugar. Como analisa essa amizade e o quanto o público pode absorver essa relação? No caso trabalhar autoestima, protagonismo feminino, amizades sinceras, etc.

A amizade de Gabriela e Brigitte me parece um personagem à parte. Nos demos bem de imediato, tivemos uma química em cena que extrapola a tela e parece que não estamos trabalhando, parece que estamos sempre brincando. Brigitte é quase uma voz do subconsciente da Gabriela, é quase aquele nosso lado que aparece quando precisamos ter coragem pra tomar alguma decisão. Ela é dura com a amiga, fala as “verdades” que tem que ser colocadas. E a Gabriela não é uma “mocinha/ heroína ” padrão das novelas. É uma mulher que luta pelos sonhos, que tem objetivos de carreira, que tem desejos maiores. Mas ainda assim, tem medo. E nessas horas sempre aparece a voz que diz: pegue pra você o que é seu; seja dona do seu caminho, seja protagonista. Uma voz que mostra que pensar em si não é egoísmo (como muitas vezes a sociedade machista nos faz crer). Essa voz, mesmo que desafinada, é a da Brigitte!

O lado cômico não poderia ficar de fora e a professora também gosta de cantar, mas gostar e ter talento é outra história, não?

Sim! Eu me divirto muito fazendo essas cenas de Brigitte cantando. Muito mesmo! E para além da diversão, fica esse pensamento: a autoestima dela é invejável! Eu tenho sérios problemas com essa história de cantar, na minha vida pessoal. Eu gosto de fazer as coisas super bem feitas, e cantar não é algo que eu faça muito bem. Então eu tenho vergonha, evito ao máximo, já tentei fazer aulas, mas não avanço muito porque acho que não levo jeito. Brigitte está me ensinando que isso não importa muito, que deixar de fazer algo porque você “não é o melhor naquilo” te faz perder grandes oportunidades de se divertir, de evoluir! E as pessoas adoram esse jeito dela acreditar que arrasa, é uma lição de autoestima!

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