Better Call Saul | Primeiras Impressões – 4ª Temporada

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Após mais de um ano esperando, Better Call Saul enfim retorna para saciar o bom gosto dos cinéfilos televisivos. A 4ª temporada demorou um pouco mais para chegar, mas a espera definitivamente parece ter valido a pena.

Seguindo o trágico final com a morte de Chuck McGill (Michael McKean), o episódio debutante do quarto ano definitivamente mergulha em um tom de melancolia. A reação de Jimmy (Bob Odenkirk) é mais pesada do que poderíamos imaginar, e o ator segue explorando sua veia dramática com incrível versatilidade e sutileza; é um daqueles casos de performance onde o seu silêncio é capaz de ser ensurdecedor de tão expressivo e sincero.

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É uma melancolia que também se manifesta durante o prólogo estendido do episódio, onde somos levados novamente ao futuro pós-Breaking Bad para dar uma espiada na vida de Gene, nova vida que o antigo Saul Goodman leva após Walter White mudar seu mundo na série original de Vince Gilligan. É um bom paralelismo começar com Gene indo parar no hospital após uma queda de pressão, quase como se naquele estágio da vida o ex-advogado estivesse tendo alguma lembrança da trágica morte de seu irmão durante o incêndio que devastou sua casa.

Saltamos para o futuro e acompanhamos Jimmy e Kim (Rhea Seehorn) lidando com o luto da perda inesperada de Chuck. A diretora Minkie Spiro é sábia em traduzir o sentimento da perda em planos abertos e que parecem diminuir os personagens a um nada, algo que a maioria dos diretores que passaram pela série parecem adotar, mas que surgem especialmente depressivos graças ao uso de cores mais chapadas pela direção de arte – algo que sempre foi mais vibrante em Better Call Saul.

Ainda sobre homens de meia-idade atingindo solos de concreto, “Smoke” também nos leva para o desfecho do tenso encontro entre Hector Salamanca (Mark Margolis), Gus Fring (Giancarlo Esposito) e Nacho Varga (Michael Mando), que conspirava para trocar seus remédios e envenenar o poderoso chefão de cartel. Aqui, não temos algo realmente chocante, com exceção de uma discussão com um dos contatos de Salamanca no cartel; que garante que seus negócios permanecerão inalterados, e seu território intocado.

Em mais um momento inspirado da direção de Spiro, vemos Nacho contemplando uma ponte, onde ele finalmente consegue se livrar das evidências de seu atentado à Salamanca: ele joga os remédios originais de Hector rio abaixo; é um momento de libertação, especialmente pelo plano contra plongée onde Spiro capta a luz do poste da rua sobre a cabeça de Nacho. Claro, logo o tapete é puxado e um movimento de câmera nos revela que alguém estava observando Nacho, e tudo nos leva a crer que seria algum informante do cartel de Salamanca. Fica estabelecido o arco de Nacho nesta temporada: sobreviver.

Finalmente, “Smoke” também nos garante momentos divertidíssimos com o sempre expressivo Mike Ehermantraut (Jonathan Banks), em uma clássica situação Vince Gilligan/Peter Gould. De início, não temos total ciência de onde estamos, já que um plano aberto nos revela um pai ajudando seu filho com a bicicleta travada – não fazemos ideia de quem são, mas a narrativa nos envolve como se o conhecêssemos desde o início. E não deixa de ser inteligente o uso da ironia nesse encontro, visto que o pai, que acabara de arrumar a bicicleta do filho (e reclamar da quantidade de vezes que o fizera) não consegue sair com seu carro para trabalhar após se deparar com um problema na bateria.

Eis que a sequência progride, e o espectador permanece no escuro. Vemos Mike com o crachá desse personagem vagando pela empresa Marigal e embarcando em conversas sociais e descontraídas com os funcionários durante uma montagem energética. Só ao final descobrimos que o ex-policial estava fazendo uma vistoria de segurança inesperada – sendo um pedido de Lydia Rodarte-Quayle, veterana personagem de Breaking Bad que foi introduzida na temporada passada, e que deve ter mais espaço dentro do arco de Mike.

Mesmo não sendo um episódio movimentado em termos narrativos, “Smoke” garante uma estreia sólida e eficiente para a 4ª temporada de Better Call Saul. O cuidado com os personagens está ali, a direção apurada e o roteiro inteligente parecem tão afiados que até mesmo situações mundanas tornam-se fascinantes graças à sua poderosa execução.

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