Crítica | The 100 – 5ª Temporada

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Tem sido um longo caminho desde que vimos estes jovens prisioneiros saindo animados de sua nave, ao som de “Imagine Dragons”, no primeiro episódio de The 100.

O que torna esta série tão interessante de se acompanhar desde sua concepção, é a constante audácia com que os roteiristas escolhem construir os diferentes percalços de seus protagonistas. Grande reviravoltas se tornaram parte do que faz The 100, uma série capaz de revigorar o engajamento de sua audiência já acostumada ao molde comum de séries americanas. Os roteiristas constantemente encontram novas maneiras de revolucionar o universo destes personagens, colocando-os em situações e perspectivas completamente diferentes do que vínhamos acompanhando até então.

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Na quarta temporada, no entanto, a série começou a mostrar sinais explícitos de desgaste e falta de potencial explorável para futuras temporadas. Por este motivo, foi extremamente conveniente dar um salto temporal de cinco anos na história, abrindo espaço para remanejar os personagens em diferentes núcleos e criar uma nova atmosfera de tensão, tal qual a proposta inicial da série possuía. Nestes cinco anos, novos inimigos surgiram, novas relações foram construídas e os protagonistas finalmente puderam amadurecer o suficiente para que seus arcos narrativos (e o visual dos atores) fossem condizentes com a sua idade.

The 100 é uma série de diversos núcleos que constituem um grande universo, tal qual Game of Thrones, Into the Badlands ou The Wire (ainda que esta última não tenha um universo fantasioso). Clarke (Eliza Taylor) já vinha se tornando uma personagem enfadonha há algum tempo, com suas frustrações sendo cada vez mais engessadas e convencionais após os acontecimentos do final da segunda temporada (Mount Weather). Carregada pelo protagonismo, a personagem ficou sem muito espaço para crescer em meio às suas preocupações com sua mãe,seu romance com Lexa, e ainda tendo que lidar com todos os outros problemas que a série procura criar a cada temporada. Não havia foco (ou tempo) para direcionar o propósito da personagem de maneira adequada. Isto tudo mudou neste novo ano, com a entrada de Madi.

Graças ao muito bem-vindo salto temporal, Clarke acabou sendo isolada do resto dos personagens, e encontrou um novo propósito ao lado de uma jovem garota que precisava de sua ajuda para sobreviver. A relação entre Clarke e Madi pode acabar soando meio forçada de tempos em tempos (por quê “filha” e não “irmã mais nova?”) , mas provou-se essencial para que pudéssemos acompanhar a determinação da personagem em objetivos claros e justificados.

No espaço, outro núcleo de personagens também sofre com a drástica mudança de suas circunstâncias. Agora re-adequados a um modo de vida civilizado e seguro, os personagens precisam retornar ao que eram em tempos mais perigosos, e é justo pensar que nem todos teriam a mesma disposição para tal decisão. Monty (Christopher Larkin) tornou-se aquele personagem que conquista o público graças a sua resiliência, afinal, não sofreu apenas as mesmas circunstâncias que seus companheiros, mas também perdeu a mãe e o melhor amigo neste meio tempo. Serve muito bem como uma bússola moral, tanto para o grupo de personagens, quanto para a audiência em si (algo necessário para uma série que constantemente se propõe a brincar com conceitos de moralidade e ética).

E com o final da temporada, veio a conclusão perfeita para toda sua trajetória. Sem muito lugar para expandir o personagem, faz sentido que Monty tenha escolhido voltar para onde foi feliz. E a grande resolução que proporcionou aos outros personagens foi impactante o suficiente para que pudéssemos encerrar a série por aqui mesmo, caso fosse necessário..

Acho interessante como The 100 se mantém, todos estes anos, consistente na ideia de que nestas circunstâncias, não existem lados, apenas prioridades. Por mais que hajam diversas tribos, facções, grupos e panelinhas, nenhuma decisão é previsível apenas pela comodidade de um personagem. Sendo assim, personagens podem acabar adotando perspectivas nem um pouco premeditadas, mas a série se esforça para contextualizar estas mudanças, como foi o caso nesta nova temporada onde os primeiros episódios serviram basicamente para nos reintroduzir neste mundo e nos apresentar suas novas dinâmicas.

“Ou você é Wonkru, ou você é o inimigo de Wonkru”

O arco de Octavia (Marie Avgeropoulos) é (se não, um dos melhores) um dos arcos narrativos mais legais de se acompanhar em uma típica série americana. Da garota que se deslumbrava com um borboleta brilhante à “Bloodeina”, a evolução de Octavia sempre foi orgânica (o quanto é possível dentro de uma série que se reinventa com tanta frequência), e consegue proporcionar novas dinâmicas com todo este universo a cada grande momento protagonizado pela personagem. Nesta nova temporada, não havia mais espaço para subir, apenas para cair, e os roteiristas não se intimidaram com a oportunidade de transformar a personagem (querida pelos fãs) em um verdadeiro reflexo de grandes ditadores do nosso mundo real. Seu “reinado” foi marcado por questionamentos éticos e dilemas que referenciam outros eventos da série, garantindo que a nova temporada não se distanciasse tematicamente das temporadas anteriores, apesar das mudanças bruscas.

The 100 as vezes pode parecer um tanto sobrecarregada. São tantas reviravoltas e reinvenções, tanto na trama quanto nos personagens em si, que poderia ser difícil acompanhar e se identificar com cada evento. Mas os roteiristas nunca fugiram das consequências que estes grandes eventos trazem (diferente de diversas outras séries que simplesmente escrevem alguma resolução no episódio seguinte, para retornar tudo ao normal)

Esta quinta temporada poderia ter sido a última da série, e teria sido uma conclusão satisfatória para tudo que construiu até então. Mas com a renovação, veio mais um desafio. Após explodirem a Terra, e nos darem esta temporada repaginada, o quê poderia nos atrair ainda mais para o ano seguinte? Explodir a Terra de novo, mas desta vez, sem volta. Teremos um novo personagem (que nunca falou com ninguém além dos pais e nunca saiu da nave. Interessante por si só), e um novo planeta. Todo um novo planeta de possibilidades para serem exploradas por uma nova versão desta pequena civilização.

POde não ser uma ficção científica com muito aprofundamento, ou não ter o orçamento da tv paga, mas o espírito de Battlestar Galactica está bem vivo com The 100.

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