Mayans MC | Primeiras Impressões – 1ª Temporada

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Anos após a conclusão de uma das mais prestigiadas séries do FX, Kurt Sutter retorna ao universo que criou com os membros de Sons of Anarchy na nova série Mayans MC. O grupo que dá nome à nova série já foi visto diversas vezes interagindo com Jax, Clay e sua gangue no passado. Mas, agora, tomam o centro dos holofotes, e trazem consigo a própria perspectiva sobre este mundo do crime organizado que permeia o sul dos EUA.

Mayans MC está mais para um primo do que para um irmão de Sons of Anarchy, trazendo execuções familiares para uma proposta diferente de como este universo será encarado nos episódios que virão. Na série anterior, Kurt Sutter procurava abordar sua trama com inspiração nas grandes obras de Shakespeare, construíndo o protagonista Jax como uma versão mais marrenta e charmosa de Hamlet. Adaptando as intrigas monarcas do autor britânico para um cenário tipicamente sulista-americano, Sutter conseguia produzir dramas de grandes proporções em uma escala menor do que suas inspirações, e esta era maior qualidade de Sons of Anarchy.

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No entanto, está ótica “caipira” dos Estados Unidos, com seu sentimento de direito e injustiça característicos, não poderia ser aplicada da mesma forma à um grupo de personagens latinos que, embora ocupem um espaço semelhante, não possuem (nem de longe) as mesmas referências ou interpretações. Sendo assim, Mayans MC abandona parte deste porte shakespeariano, e demonstra plena consciência de suas distinções em um mundo que já foi previamente explorado. Kurt Sutter, evidentemente um fã de simbolismos, não resiste a iniciar esta nova história com um corvo (simbolo de Sons of Anarchy), sendo devorado por um cão vira-lata (que o episódio estabelece como sendo a representação deste novo grupo).

EZ (interpretado por J.D. Pardo) também se mostra um protagonista com circunstâncias e motivações bem diferentes das de Jax. Ao invés de ter sido criado e inspirado por este mundo dos clubes, EZ se viu forçado a deixar suas aspirações para trás e participar deste jogo para sobreviver. O personagem se mostra atento à todas as peças que se movem à sua volta, e já inicia esta nova narrativa com diversos obstáculos sendo preparados à sua frente. Os demais personagens não apresentam a mesma construção imediata, tendo o seu tempo dedicado primordialmente à contextualização deste universo (tanto para fãs antigos quanto para novos espectadores). Embora tenhamos alguns vislumbres de como a gangue funciona, precisaremos de mais alguns episódios para podermos nos afeiçoar com cada membro individualmente (caso contrário, será difícil manter o engajamento da série). Um destaque é devido para Edward James Olmos, que deve proporcionar momentos interessantes com o protagonista.

Fica claro, o esforço que a série empenha para tentar engajar o público nesta nova história. Com um piloto de mais de uma hora (que, conforme reportado, passou por algumas reformulações), Mayans MC estabelece a dinâmica entre a gangue e outros grandes jogadores deste cenário, incluindo um temido cartel mexicano, as autoridades locais, e até mesmo outros grupos criminosos, como uma nova formação dos Sons of Anarchy. Apresenta então, as intrigas que devem tomar conta da temporada, integrando os conflitos pessoais do protagonista com os do clube, e preparando o terreno para grandes reviravoltas que devem definir os personagens ao longo da temporada.

No que diz respeito à esta perspectiva latina adotada pela série, ainda é cedo para conseguir avaliar o quanto tal abordagem agregará para a trama em geral, mas a introdução do grupo “Los Olvidados” já representa uma intenção válida de abranger elementos mais característicos às histórias da fronteira americana com mais inventividade do que estamos acostumados. Tais histórias já foram (e vem sendo, cada vez mais) exploradas com fervor pelo cinema e pela TV. Resta apenas saber se Mayans MC conseguirá se destacar neste meio, sem cair nos mesmos clichês que tantas outras séries já esgotaram.

Um dos grandes elementos de Sons of Anarchy, a música de Mayans MC também parece estar sendo tratada com destaque, e deve compor uma trilha sonora que seja mais adequada ao seu novo grupo de personagens, torcendo para conseguir gerar a mesma emoção e memorabilidade com tanta eficiência quanto a trilha anterior. A fotografia, de maneira semelhante, também procura seguir os mesmos moldes e deve trazer o mesmo valor de produção que compunha as excitantes cenas de ação entre grupos rivais.

Há um longo e difícil caminho pela frente para Mayans MC se provar perante o público, seja este conhecido do mundo de Kurt Sutter, ou não. Quando comparados à gangue de Clay, no entanto, estes personagens não são estranhos à necessidade de terem que se provar, e com o foco sendo mantido nos conflitos internos (sempre com tudo muito bem regado à violência gráfica das gangues), a série pode se tornar uma excelente adição à este universo e entreter o espectador sem grandes problemas.

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