Punho de Ferro | Primeiras Impressões – 2ª Temporada

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As séries da Marvel/ Netflix começaram já com um estrondo, marcando presença na televisão através da ótima primeira temporada de Demolidor, que abriu caminho para os outros membros dos Defensores chegarem às telinhas. Dentre erros e acertos, no entanto, a credibilidade de tais produções foi abalada, seja pelo mediano O Justiceiro, ou pela hesitante segunda temporada de Jessica Jones. Nenhum golpe foi tão forte, contudo, quanto aquele desferido pelo primeiro ano de Punho de Ferro, visto com maus olhos de forma praticamente unânime.

Muito caiu no colo, portanto, de Raven Metzner, que substituiu Scott Buck como showrunner, na segunda temporada do Imortal Defensor de K’un-Lun. Não apenas Metzner precisava criar uma boa história, como era necessário reformular toda a personalidade e abordagem dos poderes de Danny Rand (Finn Jones), protagonista da série.

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De fato, tivemos um pequeno indício de um passo na direção certa com a participação especial do Punho de Ferro no segundo ano de Luke Cage, naquele que, certamente, se configura como um dos melhores episódios da série. Daí para um bom aproveitamento do personagem em sua série solo, no entanto, é um grande caminho a ser percorrido – trajeto esse que, felizmente, Metzner parece ter trilhado.

Digo “parece” pois posso falar apenas dos seis primeiros episódios dessa segunda temporada de Punho de Ferro, que constituem mais da metade da temporada – o padrão de treze, felizmente, foi reduzido para dez, nos poupando de muita enrolação – mas, ainda assim, não permitem que seja tirada uma apropriada conclusão.

Assim sendo, esses seis primeiros capítulos de Punho de Ferro certamente vêm como um sopro de ar fresco para a série, corrigindo muitos – praticamente todos, na verdade – os problemas do ano inaugural. Além disso, desde já, podemos notar a presença clara de um tema central, que permeia todas as séries da Marvel/ Netflix exibidas neste ano de 2018: família. Mas chegarei lá em breve.

Continuando de onde fomos deixados na primeira temporada de Punho de Ferro e Os Defensores, vemos Danny Rand preocupado em manter a paz na cidade, especificamente tentando evitar uma guerra entre as tríades chinesas, declaradamente tentando tapar o buraco deixado pela ausência do Demolidor, que todos acreditam ter morrido na batalha em Midland Circle. Junto de Colleen Wing (Jessica Henwick), ele chega a fazer bons avanços para tal, mas tudo isso muda quando Davos (Sacha Dhawan), seu velho amigo dos tempos de K’un-Lun, e Joy Meachum (Jessica Stroup) retornam, com uma misteriosa aliança.

Um dos pontos que mais facilmente evidencia a bem-sucedida tentativa de não cometer os mesmos erros do passado, é que não mais a série demora episódios e mais episódios para apresentar sua problemática central. Sim, o objetivo por trás das ações dos antagonistas não é revelada de imediato – é preciso manter um mínimo de suspense – mas, desde o primeiro capítulo, já sabemos o que Rand vai enfrentar nessa temporada. Isso é importante, pois fisga a atenção do espectador de imediato, ao passo que queremos ver onde tudo isso vai dar, sem ter de esperar os minutos finais de cada episódio para vermos algo de relevante acontecendo.

Dessa forma, sentimos, de fato, como se a trama geral da temporada progredisse a cada um dos capítulos, em uma construção que não é exageradamente veloz, tampouco lenta demais – a medida certa foi encontrada, com um bom equilíbrio entre a construção das relações entre os personagens, a progressão da trama central e, claro, as sequências de ação.

Já entrando no quesito de tais cenas, temos uma direção muito mais consciente aqui, acompanhada de coreografias que fazem jus à temática de artes marciais inerente à série. Vemos planos mais longos, que não perdem o espectador através de sucessivos cortes ou de câmeras “tremidas”. A direção claramente valoriza o bom trabalho dos coreógrafos, que tornam cada luta realmente divertida, através da peripécia de alguns movimentos, acompanhados de probabilidades nada favoráveis para os personagens principais. Só não entrarei na questão dos bandidos nunca usarem armas de fogo, já que isso não faz o menor sentido mesmo, sendo apenas dispositivo do roteiro para vermos brigas com as mãos, ou armas brancas.

Além disso, os poderes do Punho de Ferro são muito melhor utilizados aqui. A justificativa, na trama, é clara: Rand é está mais à vontade com suas habilidades e isso definitivamente funciona a favor dos trechos de ação, que trazem bons usos do punho brilhante. Em momento algum, no entanto, sentimos como se isso tirasse a urgência por trás de tais combates, o que funciona para manter-nos engajados com cada conflito mostrado em tela.

Por falar em engajamento, a dinâmica entre os personagens também faz maravilhas para esse segundo ano. Caímos pouquíssimas vezes na repetitividade e conseguimos enxergar cada um deles como humanos de fato, com motivações, desejos, ambições por trás de suas ações. A relação entre Danny e Ward (Tom Pelphrey) particularmente é um dos pontos altos da série – ambos funcionam perfeitamente juntos e realmente soam como velhos amigos (apesar dos acontecimentos da temporada anterior). Mesmo com tudo que está em jogo, há uma leveza no ar quando os dois estão reunidos, deixando bem claro que eles deixaram seus problemas, um com o outro, para trás.

Aliás, a personalidade do protagonista certamente foi um dos aspectos mais bem (re)trabalhados dessa temporada. Além de não ficar repetindo “eu sou o Imortal Punho de Ferro” a torto e a direito, Finn Jones efetivamente traz um ar mais descontraído para o personagem, o que o torna imediatamente mais fácil de se relacionar. Ele não é exageradamente impulsivo, tampouco centrado ao extremo, é uma pessoa como qualquer outra, que, por acaso, tem poderes e responsabilidades fora do comum.

Isso funciona muito bem, pois de idiossincrasias já vemos o suficiente em Davos e Mary (Alice Eve). O primeiro já conhecemos brevemente na primeira temporada e sua personalidade mais fechada, mais fria, é justificada através de flashbacks bem inseridos, que ainda trazem uma bela referência aos quadrinhos. Davos é um bom antagonista e, por dialogar diretamente com o passado de Rand, nos sentimos mais envolvidos com a rixa entre os dois.

Já Mary é uma figura ímpar desde sua primeira aparição e certamente configura-se como uma das personagens mais fascinantes da série. Primeiro, pois sua instável personalidade a torna um verdadeiro enigma. Segundo, pois Eve acerta de mão cheia na sua atuação, que, acima de tudo, nos diverte, realmente nos mantém entretidos, algo que eu diria ser um grande acerto em uma série de super-heróis.

O ponto fora da curva é Joy e não pela atuação de Jessica Stroup, que consegue imprimir emoções sinceras na personagem, e sim por uma falha grave do roteiro, que não consegue justificar, de forma plausível, as ações tomadas pela personagem nessa temporada.

Voltamos à questão da família como tema central, levantada lá no início do texto. A presença, as ações de Joy claramente funcionam como forma de se aprofundar nessa temática. O mesmo vale para todo o plano de fundo envolvendo Davos. Enquanto o segundo funciona, no entanto, a primeira parece forçada demais, jamais conseguindo nos convencer de fato. Por ser algo importante nessa temporada, tal fator acaba prejudicando nossa imersão mais de uma vez, sendo um erro realmente grave do showrunner, Raven Metzner, que poderia ter trabalhado melhor na personagem.

Ainda assim, tal quebra de imersão não é o suficiente para afastar nossa percepção muito positiva dessa segunda temporada – ao menos da metade dela. Punho de Ferro certamente encontrou sua voz nesses primeiros seis episódios, que basicamente nos forçam a assistir um após do outro. A esperança é que esses acertos sejam mantidos no restante da temporada, ainda que exista a possibilidade de vermos a má e velha enrolação em razão da maneira como fomos deixados ao final do sexto capítulo.

Em todo caso, mesmo com essa visão parcial da obra, já podemos dizer que a segunda temporada de Punho de Ferro certamente redimiu Danny Rand, sendo muito superior ao seu ano inaugural na Netflix.

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