Falta pouco. Enquanto este artigo é escrito, Vingadores: Ultimato conta com aproximadamente US$2.6 bilhões em bilheteria mundial, chegando perto de desbancar o trono ocupado por Avatar, filme de James Cameron, que há 10 anos reina com um valor de US$ 2.748 bilhões. É uma questão de tempo até que o filme da Marvel ultrapasse a ficção científica de 2009, afinal está sendo exibido nos cinemas a menos de um mês e já conseguiu chegar bem perto do pódio.

É certo assumir que Vingadores: Ultimato vai bater esse recorde, e temos motivos bem claros para isso. O maior deles, sem sombra de dúvida, é a antecipação que foi construída ao longo de 11 anos e 21 filmes da Marvel Studios para chegar aqui. Uma expectativa que foi alimentada pelo gancho devastador de Vingadores: Guerra Infinita e pelo marketing extremamente enigmático da Disney, que não trazia praticamente nada em seus trailers e materiais promocionais – se fosse um strip tease, o máximo que Vingadores: Ultimato fez foi tirar o casaco.

A necessidade de fugir de spoilers também entrou nesse pensamento, então todos foram conferir o filme da Marvel o mais rápido possível – e o fato de o preço médio do ingresso de cinema americano ter flutuado de US$7,50 para US$9,11 (via National Association of Theatre Owners) certamente contribui para a velocidade com que Ultimato chegou à casa do bilhão.


Avatar era diferente. Era um filme original (no sentido de que não é adaptação de um material pré-existente), sem qualquer antecedente ou legião de fãs estabelecida. Sinceramente, é um milagre que um filme com essas características tenha sido o maior de todos os tempos, e dificilmente é algo que acontecerá novamente. Especialmente em uma era completamente diferente da indústria cinematográfica.

Como Avatar chegou lá

De início, precisamos falar sobre o motivo de Avatar estar em primeiro lugar. É um filme que não tem tanto amor pelas massas, tampouco pela comunidade nerd, e que é sempre ridicularizado como “o Pocahontas no espaço com surfs”, porque em roteiro o filme realmente não é dos mais originais. Mas traz um espetáculo notável. Cameron entende as regras do Blockbuster como poucos na indústria, e o lançamento de Avatar na época foi um evento à parte – e não me sinto mais jovem tendo que ilustrar dessa forma. Não só era o retorno do diretor às telas desde o marco histórico de Titanic, mas era também o filme que prometia revolucionar a forma de se assistir filmes: o 3D estereoscópico.

Por conta da nova tecnologia que Cameron desenvolveu e que alastrou a produção de Avatar por quase 5 anos, o cinema agora tinha uma nova ferramenta de linguagem. Por mais que o 3D já tivesse existido há décadas, nunca fora tão profundo e detalhista, utilizando a profundidade de campo à seu favor para criar imagens espetaculares. Tal como O Senhor dos Anéis foi em sua época, Avatar também trazia efeitos visuais impressionantes, promovendo aquele tipo de experiência que precisava ser visto na tela grande; até porque o impacto é muito maior do que em casa, e Avatar praticamente fundou uma categoria de filmes que ficam melhor na tela de cinema (Gravidade, por exemplo, empalidece um pouco quando visto na TV da sala).

Vingadores: Ultimato não teve um “gimmick” ou artimanha para atrair o público. Era simplesmente o desfecho de uma história que o público acompanhava há mais de 10 anos, simbolizando como o cinema hollywoodiano de franquia se aproxima cada vez mais da TV seriada, com o novo filme sendo o “fim de temporada” dessa atual era da Marvel Studios.

James Cameron literalmente vai ter que inventar um novo tipo de cinema com suas 4 continuações de Avatar para garantir um interesse tão grande quanto o primeiro, já que este realmente não causou um impacto cultural com sua história e seus personagens – mas sim com suas inovações tecnológicas. Quem sabe o que o velho Rei do Mundo prepara em seus estúdios de tela verde, agora sob a tutela da Disney. E não se esqueçam, não importa se é Marvel, Avatar… Todo esse dinheiro vai para os cofres de Mickey Mouse.

E, curiosamente, Zoe Saldana está em ambos.

Daqui alguns dias, Vingadores: Ultimato será declarado o novo rei das bilheterias mundiais. O maior filme de todos os tempos sem correção da inflação – nesse reajuste, E o Vento Levou destrói Vingadores: Ultimato e Avatar combinados.

Será que tem fôlego para chegar em US$3 bilhões?