“Fã” é uma abreviação da palavra fanático, e isso traz implicações mistas. Especialmente na era moderna da internet, onde as opiniões de todos podem ser colocadas em uma tela e facilitar o compartilhamento destas para o mundo. É ótimo para a liberdade de expressão, mas também dá voz a opiniões tóxicas que realmente deveriam ficar soterradas debaixo da terra. É um mal que vem se manifestando de forma maciça através da cultura pop, por incrível que pareça.

Na última semana, a atriz Lexi Rabe, que interpretou a filha pequena de Tony Stark – Morgan – em Vingadores: Ultimato revelou através das redes sociais que sofre bullying de alguns fãs. Aparentemente, Rabe e sua família não tiveram tempo ou não estiveram dispostos a dar autógrafos para alguns fãs, o que gerou um deprimente ataque online de certos usuários. Lexi Rabe tem apenas 7 anos de idade. É uma criança, e sua mãe escreveu na conta oficial de Instagram da atriz que ela não tinha mais vontade de sair de casa após o ataque, e Rabe ainda se viu na obrigação de gravar um vídeo pedindo de desculpas por qualquer comportamento “impróprio” dela e de sua família. É algo realmente assustador, pois o fandom tóxico parece não ter limites.

A toxicidade de uma galáxia não muito distante

E não surpreendentemente, não é a primeira vez que isso acontece. Mais e mais vezes temos visto o escrutínio da massa podre da cultura pop vomitando suas opiniões desagradáveis nas redes sociais. Recentemente, a franquia Star Wars sofreu com ofensas racistas e machistas para algumas das atrizes de sua nova trilogia. Daisy Ridley e Kelly Marie Tran desativaram suas redes sociais após a chuva de ódio que se seguiu em suas redes após os papéis em Star Wars: O Despertar da Força e Star Wars: Os Últimos Jedi, duas obras que conseguiram incomodar e expor o caráter sexista que uma camada da comunidade nerd aparentemente tem escondido por décadas. 


A polêmica do fandom tóxico foi ainda além e rendeu acontecimentos vergonhosos. Um grupo de fãs tentou levantar fundos para que a Disney refilmasse Os Últimos Jedi, enquanto outros usuários mais patéticos reeditaram o filme para cortar todas as cenas que trouxessem mulheres. Não houve uma ofensa pessoal às atrizes e equipe do filme nesse caso, mas sinceramente é ofensivo para qualquer pessoa com sã consciência. Mulheres parecem estar sofrendo mais com isso, afinal a atriz Brie Larson também sofreu uma reação bem negativa na internet após seus comentários exigindo uma imprensa mais diversificada.

E Star Wars talvez seja a primeira franquia que expôs a toxicidade do fandom. Lá de volta em 1999, com o lançamento de Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, os fãs não perdoaram Jake Lloyd e Ahmed Best, que interpretaram Anakin Skywalker e Jar Jar Binks. Lloyd sumiu completamente de Hollywood após a agressiva reação que teve dos fãs, e qualquer entrevista que assistirmos com o ator hoje revela como seu comportamento ainda parece afetado por essa impopularidade; o ator também luta contra esquizofrenia. Já Best revelou recentemente que cogitou o suicídio após ler as reações de ódio à sua performance como Jar Jar Binks, facilmente o mais detestado personagem da franquia.

Ninguém é obrigado a gostar de nada, seja de filmes ou pessoas. Porém, ainda mais considerando a verdadeira terra de ninguém que é a internet em 2019, é necessário ter respeito com os seres humanos por trás das propriedades famosas adoradas por ninguém. O fato de que essa campanha de ódio tenha afetado uma jovem atriz – que, antes de tudo, é uma criança de 7 anos – é o atual fundo do poço dessa situação do fandom tóxico.

E, infelizmente, a humanidade sempre é capaz de se afundar ainda mais. Mas é como dizem, a esperança é a última que morre.