Deu certo agora? Comparamos X-Men 3 e X-Men: Fênix Negra

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O lançamento de X-Men: Fênix Negra nos cinemas é especial para os fãs dos mutantes da Marvel. Não só por representar o fim da franquia na Fox, mas também por ser a segunda vez que temos uma adaptação daquela que é considerado o melhor arco dos X-Men nos quadrinhos, e também uma das histórias mais elogiadas de toda a Marvel.

A Saga da Fênix Negra foi escrita por Chris Claremont em 1987, e foi um dos pontos de virada na narrativa dos X-Men. De forma abreviada, a HQ foca na transformação de Jean Grey após ser afetada pela força cósmica da Fênix Negra, despertando um lado sombrio perigoso e destrutivo, e que acaba colocando-a como inimiga dos X-Men, que precisam se unir para enfrentar uma de suas aliadas mais queridas. É uma história especial, e o fato de que a Fox novamente se arriscou a fazê-la é algo que deixa os fãs mais rigorosos, especialmente por não ser a primeira vez. 

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Em 2006, a Saga da Fênix Negra foi levada às telas com X-Men: O Confronto Final, terceiro filme da trilogia iniciada por Bryan Singer. Seguindo a “maldição do terceiro fime”, X-Men 3 foi o mais criticado da franquia, e até hoje os fãs injustamente olham com maus olhos para o filme de Brett Ratner, que pode ter falhado em entregar a adaptação que os fãs de Claremont esperavam, mas é um longa eficiente. Na verdade, X-Men: O Confronto Final é sem sombra de dúvidas infinitamente superior ao fraquíssimo X-Men: Fênix Negra

A questão do contexto

Claro, X-Men: Fênix Negra certamente traz uma fidelidade maior aos quadrinhos por um fator óbvio: a origem da Fënix, que é mesmo uma força cósmica. No filme de Brett Ratner, o poder surge como consequência da própria mutação de Jean Grey, enquanto Kinberg mantém as origens clássicas ao trazer os X-Men em uma missão espacial, onde tentam resgatar um grupo de astronautas de uma catástrofe inexplicável. Jean entra em contato com a misteriosa força e a absorve, aparentemente matando-a no começo, mas então revivendo-a com poderes extraordinários e perigosos. A presença da raça alienígena que persegue Jean pela Fênix também é outra herança da série de papel, enfim trazendo elementos cósmicos para a franquia.

Porém, nada disso importa sem o contexto. Por mais que os X-Men tenham contatos constantes com alienígenas e ameaças cósmicas nos quadrinhos, o cinema nunca havia tocado neles, e Fënix Negra os introduz sem a menor cerimônia ou interesse por sua mitologia. Kinberg pode ter dito que a aceitação do público com as tramas mais voltadas para a ficção científica de Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato foram uma inspiração, mas esses filmes passaram anos estabelecendo e explorando todo um universo cósmico. X-Men: Fênix Negra tenta fazer isso em alguns minutos, e o resultado é simplesmente risível, especialmente por não detalhar ou oferecer o mesmo tratamento complexo e reflexivo dos mutantes à raça alienígena, representada pela genérica Vuk de Jessica Chastain. Entre isso e não ter qualquer tipo de presença espacial, eu certamente dou esse ponto para O Confronto Final.

Mas com seres do espaço ou não, o que realmente deve importar em Fênix Negra é o drama humano. Por mais que X-Men; Fênix Negra tenha uma abordagem mais trágica e preocupe-se mais nas reações de seus personagens, ele já estava em desvantagem desde a concepção da ideia. Só conhecemos a geração de Jean Grey, Scott Summers, Tempestade – vividos por Sophie Turner, Tye Sheridan e Alexandra Shipp – há um filme, tendo sido apresentada em X-Men: Apocalipse.

O romance entre Scott e Jean nem foi explorado o suficiente para que tenhamos o impacto de sua devastação nesse filme, e também não tivemos o tempo necessário para ver essa formação da equipe interagindo. Sim, é o quarto filme com o elenco de James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence e Nicholas Hoult, mas eles são praticamente coadjuvantes em uma trama que pertence a Jean.

X-Men: O Confronto Final ao menos tinha essa vantagem. Era o terceiro filme de uma trilogia, e todos os arcos e relacionamentos já estavam estabelecidos há dois filmes, além do segundo terminar com a morte de Jean, já oferecendo peso para seu retorno misterioso na continuação e também preparando a expectativa por 3 anos até o desfecho da história; algo que Fênix Negra faz – literalmente – em questão de segundos, tornando-se redundante também por já ter introduzido a Fênix no clímax de X-Men: Apocalipse.

Até mesmo o triângulo amoroso entre Jean, Scott e Wolverine estava no lugar certo em O Confronto Final, e isso permite um impacto maior quando vemos a Fênix se descontrolando e matando Xavier e Ciclope – e também que a cena em que Logan mate a mulher que ama realmente doa no espectador. Nada disso está presente em X-Men: Fênix Negra, já que a grande vítima do longa é a Mística, e sabemos bem que a Jean de Sophie Turner nunca teve uma conexão com Jennifer Lawrence – que, por sua vez, havia se tornado uma personagem desinteressante e vazia na franquia.

O espetáculo

O outro ponto que torna X-Men: O Confronto Final superior a X-Men: Fênix Negra é algo que já poderíamos assumir dada a falta de experiência de Simon Kinberg como diretor: o espetáculo. Kinberg é roteirista e produtor da franquia X-Men há anos, e praticamente assumiu a direção desse novo filme por “obrigação”, rendendo uma experiência genérica, sem brilho e que soa completamente como o trabalho de um executivo. Nenhuma das sequências de ação é capaz de empolgar, tendo apenas a cena da missão espacial apresentando alguma tensão e construção elaborada, enquanto as demais lutas e confrontos são do mais genérico nível possível.

Ainda que não seja um diretor brilhante e certamente não tenha o apuro estético de Bryan Singer ou Matthew Vaughn, Brett Ratner fez um trabalho mais do que competente em O Confronto Final. A cena da luta dos heróis na casa de Jean Grey, a insana sequência em que Magneto levanta a Ponte Golden Gate ou até mesmo Wolverine cortando inimigos pela enésima vez em uma floresta canadense são todas empolgantes e bem orquestradas. Isso porque Ratner abraça o operático sem medo, oferecendo o peso necessário a essas sequências, misturando efeitos visuais com dublês e efeitos práticos e… Nitidamente se divertindo com as possibilidades dos super-poderes, que são meros acessórios na visão de Kinberg.

E se falei de operático, um dos elementos cruciais para o sucesso de X-Men: O Confronto Final nesse quesito é a fantástica trilha sonora de John Powell. É uma música intensa, poderosa e que confere o peso da tragédia grega à jornada sombria de Jean Grey, e acaba elevando o trabalho de Ratner de forma notável. Em X-Men: Fênix Negra, Kinberg apostou alto e trouxe Hans Zimmer de volta ao gênero de super-heróis, e o resultado infelizmente não foi tudo o que poderia. É uma música com bons temas aqui e ali, mas que em maior parte se mostra preguiçosa e automática. Mas confesso que, se podemos sentir alguma coisa em algum momento de Fênix Negra, é quando a música de Zimmer traz alguns momentos inspirados – que não são muitos, infelizmente.

De volta às cinzas

X-Men: O Confronto Final está longe de ser um filme perfeito, e poderíamos passar mais tempo analisando seu grande problema de ritmo, mas não há dúvidas de que é bem melhor sucedido do que X-Men: Fênix Negra. Tem os sacrifícios que uma adaptação precisa fazer em uma obra mais condensada, mas mais importante, entrega a ação, emoção e impacto que o filme de Simon Kinberg passa longe de ter. Quem sabe com o tempo e investimento correto, um dia tenhamos a Saga da Fênix Negra definitiva?

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