Se não prestou atenção no início de X-Men: Fênix Negra, pode ter perdido a participação de Alison Blaire, também conhecida como Cristal, uma das personagens mais curiosas do universo dos X-Men.

No início, a Marvel tinha grandes ambições para Cristal. No entanto, as frustrações da personagem como estrela de cinema se refletiram em sua jornada ao longo das décadas, tornando-se uma das figuras esquecidas dos anos 80.

Desde o começo, as pessoas queriam que Cristal aparecesse nos cinemas. No final dos anos 70, a Marvel entrou em uma parceria com a Casablanca Records para criar uma personagem que lucrasse com a onda dos discos de vinil.


O plano era que a Marvel criasse gibis centrados na personagem, e que a Casablanca Records fizesse músicas performadas por cantoras caracterizadas como Cristal. Próximo passo: Hollywood.

John Romita inicialmente desenhou Cristal para se assemelhar com Grace Jones, atriz e cantora negra de muito sucesso da década de 70.

Se Cristal fosse uma mulher afro-americana como Jones, teria sido uma das poucas mulheres negras da Marvel na época, ao lado de Misty Knight e Tempestade.

A raça é importante no universo dos X-Men. Na Marvel, mutantes são super-seres que nascem com mutações genéticas que lhes dão seus poderes, ao contrário de personagens como o Homem-Aranha e o Capitão América, que começam como seres humanos normais e depois ganham poderes. Por causa de suas mutações genéticas, os mutantes são frequentemente odiados por humanos normais.

Mas os editores da Marvel, em suas ambições de cinema, ficaram fascinados com a atriz Bo Derek, então resolveram inspirar Cristal em sua imagem, fazendo-a se transformar numa mulher branca e loira. Cristal fez sua grande estreia na edição de fevereiro de 1980 de The Uncanny X-Men, no meio da história de Fênix Negra.

Em maio de 1980, a vice-presidente de negócios da Marvel, Alice Donenfeld, foi ao Festival de Cinema de Cannes para apresentar para investidores um roteiro de um filme da Cristal. Os editores até mesmo se encontraram com Bo Derek, que concordou em participar do projeto.

No entanto, as coisas começaram a dar errado. O então marido de Bo, John Derek, queria dirigir o longa, mas os executivos da Marvel não gostaram da ideia. Além disco, as vendas de discos começaram a cair drasticamente.

Assim, Cristal foi esquecida e guardada no porão da Marvel junto com todas as coisas que foram criadas para épocas muito específicas e que, mais tarde, pareciam ultrapassadas.

Mais de 30 anos depois, Cristal finalmente faz sua estreia nos cinemas, sendo vivida por Halston Sage. No entanto, para a decepção dos fãs, a aparição dura apenas alguns segundos, representando muito pouco para uma personagem com tanta história.

X-Men: Fênix Negra está em exibição nos cinemas.