Game of Thrones chegou ao fim após sua oitava temporada, e o resultado não foi exatamente satisfatório para a esmagadora maioria dos fãs. Por mais que eu mesmo tenha achado o final eficiente, também concordo que não foi realizado da melhor forma possível, e demonstrou os sérios problemas que os showrunners David Benioff e D.B. Weiss têm com ritmo e roteiro, que se tornou mais preguiçoso e apressado em sua reta final.

A maioria das decisões da dupla foi competente, e imagino que até mesmo condizente com o projeto de George R.R. Martin para seus dois livros finais de As Crônicas de Gelo e Fogo, mas os meios para os fins não foram nada satisfatórios. Dessa forma, vamos pensar em uma forma de consertar Game of Thrones e pensar no final ideal que a série da HBO deveria ter tido.

Esqueça Jonerys

Pra começar, é necessário se livrar do maior problema das últimas duas temporadas de Game of Thrones: Jonerys. O romance entre Jon Snow e Daenerys Targaryen é um dos elementos mais ridículos da série, e que parece ter saído literalmente por conta de postagens no Tumblr e “shipps” de fãs da série, e que só me faz lembrar da época em que Friends inventou que Rachel Green e Joey Tribbiani poderiam ser um casal. Kit Harington e Emilia Clarke não têm química juntos, e esse amor forçado acabou sendo diretamente proporcional a alguns dos maiores problemas da oitava temporada. 


Então vamos esquecer isso completamente e fazer uma mudança radical: a revelação de que Jon Snow é um Targaryen precisa vir antes, no final da sexta temporada. Dessa forma, o sétimo ano da série começa com Daenerys tendo ciência de que não é a única remanescente de sua linhagem, e que Jon tem um direito superior ao dela ao Trono de Ferro. Temos início a uma temporada (de 10 episódios, claramente) com um clima de Guerra Fria, e ainda nem cheguei aos Caminhantes Brancos. Há uma incerteza entre os exércitos de Daenerys e o grupo nortista de Jon Snow, e dessa a forma a tensão que foi literalmente construída de um episódio para outro na oitava temporada pode se tornar mais orgânica e natural na reta final, e o arco da Rainha Louca faria mais sentido.

Pois, novamente, vamos constatar: Daenerys enlouquecer e queimar todo mundo não é o problema. É a forma como Weiss e Benioff definiram o terreno, que poderia ter sido mais fértil se a tensão com Jon Snow fosse melhor estabelecida antes. Talvez até pudéssemos ter um romance (ainda que seja melhor evitar), mas 1 ano inteiro de discussões e acordos seria proveitoso, e até forçaria uma aliança entre os dois para o confronto com o Rei da Noite e os Caminhantes Brancos. A maior parte dos eventos pode seguir dessa forma, mas com algumas diferenças cruciais.

Quanto ao Rei da Noite

Chegamos então ao Rei da Noite. O grande vilão que vinha sendo construído por oito temporadas, e que foi subitamente destruído por Arya Stark na Batalha de Winterfell, literalmente na metade da temporada final. Não que o grande vilão precisasse acabar a série sentado no Trono de Ferro, mas uma força tão sinistra e poderosa não poderia ter sido descartada de forma tão fácil e inconsequente – um simples movimento de espada matou o INVERNO. O Rei da Noite deveria ter destruído Winterfell e avançado para o Sul, rumo a Porto Real; afinal, precisamos que Cersei Lannister tenha um papel na história que não seja apenas olhar para a janela enquanto degusta taças de vinho. 

O Rei da Noite destrói Winterfell, mata Bran Stark e avança com seu exército para Porto Real. Literalmente só temos Jon, Daenerys, Arya, Sansa, Tyrion, Davos e Brienne como sobreviventes da Longa Noite, que tentam chegar à Porto Real – Bran conseguiu usar sua habilidade como Corvo de Três Olhos para encontrar um novo corpo, que não veremos agora. Nesse ponto, a tensão entre Jon e Dany é ainda maior, especialmente por todo o estresse e frustração após a derrota para o Rei da Noite, e o arco da Rainha Louca segue em andamento. O Inverno chega à Porto Real e Cersei precisa usar a Companhia Dourada e o exército Greyjoy para combater os Caminhantes Brancos. Ao passo em que Daenerys, seus dois dragões e os demais sobreviventes chegam para a batalha, Bran retorna com um novo poder capaz de destruir o Rei da Noite e os Caminhantes Brancos.

Isso seria trabalho de George R.R. Martin, mas a destruição do Rei da Noite precisa estar conectada a uma força tão ancestral quanto ele mesmo. Do contrário, não há motivo para o Corvo de Três Olhos existir nessa história, e sua chegada garante a destruição dos mortos vivos e de seu sinistro comandante. Quando chegar a hora de lidar com Cersei, Arya deve ser a responsável por matá-la (para cumprir mais um arco aberto há tempos), mas a disputa pelo Trono de Ferro não acabaria aí. Jon e Dany, mesmo aliados em prol de um inimigo em comum, agora teriam que definir quem governaria os Sete Reinos.

Ainda no arco da Rainha Louca, Daenerys Tagaryen tentaria tomar o poder após os demais personagens escolherem Jon Snow como seu legítimo Rei. Teríamos toda a sequência de “The Bells” com Dany queimando Porto Real, mas agora com Drogon E Rhaeagr. Como lidar? Bran usa sua habilidade de wargar e controla Rhaegar, e enfim temos um duelo de dragões decente em Game of Thrones. É o fim de Daenerys e Drogon.

No final, Jon Snow senta-se no Trono de Ferro. Por mais que George R.R. Martin, D.B. Weiss e David Benioff sejam fãs da subversão de expectativas, essa é a história que estava sendo contada. Jon Snow é a Canção de Gelo e Fogo, unindo as casas Targaryen e Stark, e literalmente voltou dos mortos para algum propósito. Algo menos do que isso seria um desperdício narrativo gigantesco.

Mas claro, é só uma sugestão.