A Warner Bros. e a Legendary Pictures ganharam o marketing cinematográfico neste ano. Seus dois lançamentos de maio, Godzilla 2: Rei dos Monstros e Pokémon: Detetive Pikachu, tiveram os melhores trailers do verão de 2019.

Cada nova revelação do marketing desses dois filmes apenas aumentaram o hype em cima das obras, com os trailers convencendo os fãs de que suas criaturas fantasiosas foram bem representadas nas telonas.

Mas isso não foi bem verdade – no caso de Godzilla 2. O filme do Rei dos Monstros é uma decepção gigantesca.


Um trailer de 132 minutos

O filme não deixa de ter as coisas que gostamos de ver nos trailers; todas aquelas cenas épicas das criaturas estão no corte do final. Não é nem como o Godzilla de 2014, que os trailers mostraram praticamente toda a ação. Há muito mais de onde isso veio. Ainda assim, o que parecia épico nos trailers acabou ficando decepcionante no filme em si.

Parte da razão pela qual Godzilla 2 teve ótimos trailers e um péssimo filme é que o longa em si é editado como um trailer. Em outras palavras, temos uma sucessão de planos grandiosos, mas que duram muito poucos, cortes excessivos fazem do filme exaustivo e, em última instância, ruim.

Michael Dougherty dirige O Rei dos Monstros no ‘modo Michael Bay’, tentando enquadrar tudo de forma estilosa, trazendo muitas sombras, luzes brilhantes, movimentos de câmera rápidos, edição caótica, vento e neve em todos os lugares. Mesmo as cenas com personagens humanos falando – e só isso – parecem ter o mesmo ritmo das cenas de ação.

Essa abordagem exagerada pode fazer trailers parecerem incríveis, mas não funciona no filme em si, obviamente. Logo ficamos cansados disso, nos remetendo à crítica de Roger Ebert de Armageddon, em que ele chama o filme de um “trailer de 150 minutos”.

Com tudo no filme parecendo “igual”, as cenas que deveriam ser destacadas (no caso as brigas de monstros em si) acabam perdendo grande parte do impacto.

Música desperdiçada

Nesse sentido, os trailers de Godzilla 2 tinham maior contraste dramático do que o longa em si e isso ocorre por causa da música, vide o uso de ‘Claire de Lune’, ou ‘Somewhere Over the Rainbow’, prometendo um filme até poético (na medida do possível), contrastando com todo o caos criado pelas criaturas. Esse tipo de contraste faria o “quebra quebra” dos monstros ficar ainda mais épico.

Mas isso não acontece.

A trilha de Bear McCreary cumpriria muito bem sua função, não fosse misturada a atores gritando, explosões e outros efeitos sonoros que geram uma monótona cacofonia.

Não esperávamos, claro, um filme artístico ou algo assim. Mas é seguro dizer que todos queríamos ver o tom épico das cenas de ação se sobressaindo ao restante do filme.

O resultado é uma mesmice entediante, que desperdiça as criaturas titânicas de Godzilla 2: Rei dos Monstros. Ao menos sempre podemos ver os trailers novamente.