Godzilla 2: Rei dos Monstros teve um final de semana de estreia bem fraco nos EUA, fazendo apenas 49 milhões na bilheteria americana. Com isso, o filme arrecadou menos que Godzilla (93 milhões) e Kong: Ilha da Caveira (61 milhões).

Com isso, o filme fica 10 milhões de dólares abaixo das (baixas) previsões que a Warner tinha para o filme.

Agora vamos analisar os motivos pelos quais o filme fracassou nessa bilheteria de estreia.


Sem estrelas

Godzilla 2: Rei dos Monstros não conta com um nome de peso no elenco. Enquanto que o primeiro trazia nomes como Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Bryan Cranston, dentre outros, os únicos nomes que chamam um pouco de atenção na continuação são os de Vera Farmiga e Millie Bobby Brown.

O primeiro é conhecido mais por um nicho específico, o dos fãs de filmes de terror (graças a Bates Motel e Invocação do Mal), enquanto que Brown só é conhecida por Stranger Things.

Há quem argumente que os filmes de super-heróis também costumam escalar atores relativamente desconhecidos (com honrosas exceções), mas nesses casos há o próprio nome do personagem sustentando os filmes. Godzilla não pode dizer o mesmo, afinal, o rei dos monstros não atrai tanta gente quanto o Batman para os cinemas.

Godzilla, obviamente, tem seus fãs, mas é um grupo consideravelmente mais limitado do que filmes de super-heróis – especialmente se levarmos em conta a força do Universo Cinematográfico Marvel hoje em dia.

O marketing

A campanha de marketing de Godzilla 2: Rei dos Monstros foi um fracasso ainda maior que os números iniciais na bilheteria.

Toda a campanha de marketing vendia o filme como algo importante, mais do que o que os fãs queriam ver: monstros gigantes lutando. Para piorar, a Warner ocultou detalhes importantes dos trailers, como a sinopse, a trama em si.

Com isso, quem foi atraído pelo marketing do longa: os fãs de Godzilla, quem já iria assistir o filme de qualquer forma. Todas as outras pessoas, que nunca ouviram falar em Rodan, Mothra e Ghidorah, simplesmente passaram batido por tudo que a Warner fez nesses últimos meses.

Em essência, temos aqui o mesmo problema que em Batman vs Superman. O marketing precisa parar de vender um filme série e começar a vender um filme divertido. Afinal, não há cérebro algum por trás de monstros gigantes, apenas pancadaria sem sentido – deixem os filmes inteligentes para quem realmente sabe fazer.

Críticas negativas

Para piorar a situação, as críticas de Godzilla 2 foram consideravelmente negativas. Boas avaliações poderiam ter contornado esses problemas acima, mas quando eles se juntam a terríveis 39% de aprovação no Rotten Tomatoes, a situação fica ainda pior.

Grande parte da audiência hoje em dia se baseia nesses sites agregadores de notas, muitas vezes vendo só a porcentagem, sem ler, de fato as críticas, sem descobrir realmente qual o problema do filme.

Obviamente, muitos deixam de ver o filme por essa razão, afinal, o ingresso do cinema não é exatamente uma pechincha.

Pouco tempo após Vingadores: Ultimato

A Warner deu um tiro no pé ao decidir lançar o filme tão pouco tempo após Vingadores: Ultimato. Eles assumiram que as pessoas estariam prontas para outro blockbuster cheio de efeitos visuais, mas estavam errados.

Não queremos ver filmes em que o destino do planeta está em risco dia após dia, um pouco de variedade é bom. Batalhas épicas precisam ser espaçadas, ou deixam de ser épicas e se tornam rotina.

Ultimato foi um desfecho mais que satisfatório e depois de tanta batalha, queremos descansar um pouco. Não estou falando que todos queremos ver filmes com pegadas mais artísticas, mas algo de menor escopo cairia bem.

John Wick 3, por exemplo, é um blockbuster de menores proporções (bem menores), que cai bem nesse período pós-Vingadores. Nesse caso menos é mais.

Godzilla 2, portanto, era uma tragédia anunciada. Vamos ver como isso vai afetar Godzilla vs Kong.