Por que Chernobyl é a melhor série do ano e Game of Thrones a maior decepção

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Expectativas são coisas curiosas. Meio que no mesmo período, a HBO lançaria duas séries que seriam discutidas exaustivamente pela crítica e público. Primeiro, teríamos a oitava e última temporada da badalada Game of Thrones, considerada por muitos como a maior e mais grandiosa produção da História da Televisão. Pouco depois, uma produção menor e que não trazia antecipação alguma, surgindo quase que “do nada”: a minissérie Chernobyl, drama sobre o desastre nuclear de 1986. 

Surpreendendo a todos, a temporada final de Game of Thrones foi bem abaixo do esperado. Problemas que já haviam se manifestado na temporada anterior foram exacerbados, com roteiro equivocado, arcos de personagem apressados e decisões criativas decepcionantes. Inclusive, decepcionante para ser a palavra chave para a despedida de Game of Thrones, com muitos fãs se revoltando e colocando o episódio final ao lado de outros desfechos criticados da televisão; como Lost, Dexter e How I Met Your Mother. Já Chernobyl foi exatamente o oposto. 

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A minissérie de Craig Mazin começou a ganhar barulho ao ter seus dois primeiros episódios exibidos em um festival, ganhando a aclamação. Estreando oficialmente na HBO em 6 de maio, sem muita publicidade ou alarde, Chernobyl rapidamente se tornou o assunto do momento. Mesmo que traga um forte cunho documental e não seja exatamente empolgante, a série impressiona pelo roteiro forte e o realismo com que retratou um dos eventos mais trágicos da História da Humanidade, e foi impossível não prestar atenção – especialmente quando, semana após semana, os fãs de Game of Thrones encontravam alguma nova decepção durante a exibição da temporada final. 

Tudo sobre o roteiro

Não que seja exatamente uma comparação justa. Afinal, estamos comparando os últimos 6 episódios de uma série de fantasia de quase 10 anos com uma minissérie dramática de apenas 5 episódios, e que jamais teve pretensão em se tornar um fenômeno da cultura pop como Game of Thrones fez nos últimos anos. Porém, a chave para o sucesso e o fracasso de ambas as produções reside exatamente no mesmo ponto: o roteiro, fator que é o mais sagrado dos elementos em uma série de TV, independente da escala ou do gênero. 

A obra de Craig Mazin é uma recriação instingante e detalhada do desastre de Chernobyl, e sucede no ponto onde esmagadoria maioria dos roteiristas falha: exposição. A minissérie traz inúmeras cenas que envolvem seus protagonistas oferecendo longos monólogos para explicar informações; praticamente indo contra a máxima do “mostre, não conte” do audiovisual. Chernobyl faz isso com maestria, quase como se estivessemos diante da aula mais empolgante da História, ainda sendo capaz de trazer a dose acertada de drama e – pasme – até um ligeiro e limitado humor. Game of Thrones praticamente pula a exposição e a entrega de informações, deixando muitas reviravoltas relevantes no ar, e que dependem de justificativas extra-episódios de D.B. Weiss e David Benioff para fazer algum sentido. Isso sem falar que os diálogos de Game of Thrones deixaram de ser caprichados há anos, mas é assunto para outro dia. 

E por mas que Game of Thrones seja, sim, uma série em escala épica, Chernobyl não deixa a desejar. Por mais que não tenha dragões ou zumbis congelantes, o diretor Johan Renck se aproveita de um orçamento nitidamente mais limitado para elaborar sequências de puro terror e atmosfera que até superam as da temporada final. Ver os efeitos de radiação em uma história real é infinitamente mais perturbador do que acompanhar o ataque de mortos vivos de gelo – até por que, a fotografia de Chernobyl nos permite de fato enxergar o que acontece.

Ao mesmo tempo em que a HBO acabou decepcionando com a final de Game of Thrones, a emissora conseguiu compensar com uma das melhores produções da televisão dos últimos anos. Chernobyl veio para ficar, e promete ser um dos destaques na próxima edição do Emmy. E é nada mais do que merecido.

Todas as temporadas de Game of Thrones, assim como a minissérie Chernobyl, estão disponíveis na HBO GO.

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