Criada há mais de 60 anos, a Turma da Mônica é um dos grandes patrimônios da cultura brasileira. Principalmente se falamos de quadrinhos, com a obra de Mauricio de Sousa se transformando em uma história rica e que acompanhou diferentes gerações de leitores no Brasil. Agora, os gibis ganham as telas com Turma da Mônica: Laços, marcando a primeira incursão dos personagens no cinema live-action, e diante do contexto do grande cinema, é difícil não se perguntar: será que a Turma da Mônica pode trazer o universo compartilhado para o cinema nacional? Seria Mônica a nossa própria Marvel e a promessa de uma grande franquia?

Claro, só teremos a resposta para essa pergunta quando os números de bilheteria de Turma da Mônica: Laços foram divulgados. Cinema no Brasil já é um negócio complicado, e apenas comédias pastelão costumam gerar continuações e um interesse popular tão grande – com Tropa de Elite 2 sendo uma grata exceção, mas que também foi motivada por uma extrema resposta positiva do público. Também temos o cinema religioso, com Nada a Perder ganhando uma continuação este ano, mas esse é um setor no qual simplesmente nem vamos enfiar a colher. Basta dizer que Turma da Mônica precisa ser um sucesso para garantir futuros filmes,

Durante a coletiva de imprensa do filme em São Paulo, o diretor Daniel Rezende confirmou que as conversas para uma continuação de Laços já estão acontecendo. As hipotéticas sequências devem aproveitar o elenco para fechar a trilogia de graphic novels que Laços iniciou, com Lições e Lembranças sendo os próximos filmes na linha. Como o elenco não será jovem para sempre, parece uma boa saída para aproveitar a idade atual, e quem sabe mantê-los para uma possível adaptação de Turma da Mônica Jovem. Marvel? Esse seria o Boyhood do cinema nacional.


Um universo de histórias

Mas é mesmo nas infinitas possibilidades de expansão que Turma da Mônica realmente nos deixa animados. Quando olhamos o que existe além de Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e a turma do Bairro do Limoeiro, enxergamos a dimensão da obra genial de Mauricio de Sousa. Ficção científica, terror, pré-história, surrealismo e dramas adolescentes também compartilham o mesmo universo. Isso abre portas para inúmeros gêneros e abordagens, com diretores distintos oferecendo suas vozes para os mais variados personagens – que são mais voltados ao público infantil agora, mas podem evoluir para muito mais.

Poderíamos ter comédias adolescentes a la Superbad, ou até um draminha mais voltado para Riverdale, com Rolo, Tina e seus amigos da faculdade. Ou até mesmo descambar para uma aventura sobrenatural com a turma do Penadinho – a Universal patinando com o Dark Universe e os brasileiros têm sua própria mina de ouro do terror bem aqui. Se a Disney tem seu Star Wars, a Turma da Mônica pode construir um universo com o Astronauta, um dos personagens mais interessantes de Mauricio de Sousa, abrindo as portas para um grandioso space opera no Brasil. Horácio e Piteco poderiam estrelar filmes ambientados na pré-história e no período jurássico, Papa-Capim ofereceria uma exploração fascinante da cultura indígena e temos o clássico Chico Bento para trazer histórias do sertão.

É um universo vasto e repleto de possibilidades, tal como o que a Marvel Studios construiu ao longo de seus 11 anos. Claro, o cinema nacional não é uma indústria forte e desenvolvida quanto Hollywood, mas Turma da Mônica: Laços deu o primeiro passo para um futuro empolgante. 

Agora é torcer para que o caminho não pare por aqui, pois o potencial é enorme.