Com um pé no Oscar, Coringa vai revolucionar adaptações de HQs

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Desde seu anúncio, o filme de origem do Coringa foi descrito como algo totalmente diferente. Ainda que originado dos mesmos  quadrinhos que deram vida ao Universo Cinematográfico da Marvel e os filmes da DC, o filme de Todd Phillips promete tentar algo distinto e inteiramente autoral, e à medida em que a estreia se aproxima, essa proposta vai ficando mais clara.

Tudo isso porque nesta última semana, o filme foi selecionado para dois dos mais prestigiosos festivais de cinema da atualidade: o Festiva de Cinema de Veneza e o Festival Internacional de Cinema de Toronto. Tratam-se não apenas de duas mostras que reúnem alguns dos melhores filmes de todo o mundo, mas é também representam dois dos grandes termômetros para a temporada de prêmio; que culmina com os prêmios do Oscar no ano seguinte. Depois dessa jogada, fica bem que a Warner tem grandes expectativas com o filme estrelado por Joaquin Phoenix, que oficialmente começa sua campanha em busca de um merecido Oscar de Melhor Ator.

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Nenhum outro filme de super-heróis ou quadrinhos já passou por essas mostras. O único caso em que isso aconteceu foi quando X-Men: O Confronto Final foi exibido no Festival de Cannes (fora da competição principal, importante reforçar) e em 2017, quando Logan teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Berlim. O caso do terceiro X-Men foi mera publicidade, mas a despedida de Hugh Jackman do Wolverine garantiu algumas das melhores críticas que o gênero já recebeu, e até garantiu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado no ano seguinte – sendo o único filme do gênero a conquistar uma indicação nessa categoria.

A julgar pelos comentários dos presidentes e curadores de ambos os festivais, Coringa deve ir ainda mais longe. Ambos garantiram que o filme de Todd Phillips vai conquistar a crítica e “ir direto” para premiações, com a Warner Bros certamente investindo pesado no nome de Joaquin Phoenix, um dos melhores atores da atualidade, e que injustamente nunca levou um Oscar – algo que deveria ter acontecido em O Mestre, lá em 2013. Caso a aposta dê certo, e temos certeza de que Phoenix vai arrebentar no papel, seria a primeira vez em que atores diferentes são premiados pelo mesmo personagem; Heath Ledger foi postumamente oscarizado por Batman: O Cavaleiro das Trevas, e no passado tivemos Marlon Brando e Robert De Niro vencendo o Oscar por suas diferentes performances como Vito Corleone – em O Poderoso Chefão e sua continuação, respectivamente.

Mudando o gênero

A aclamação por Phoenix é algo praticamente garantido, mas o quão mais longe Coringa pode ir? Através de suas redes sociais e entrevistas para grandes veículos de imprensa, Phillips garantiu aos fãs da DC – e até provocou alguns deles – que seu filme não está conectado ou adaptando nenhum arco em quadrinho específico, com Coringa sendo uma interpretação pessoal e puramente autoral do personagem. Na verdade, nem parece realmente um filme que introduzirá um Palhaço do Crime a ser usado para franquias e continuações, mas sim um estudo de personagem que analisará como um homem enlouquece a ponto de se tornar “um Coringa”.

Se bem-sucedido, Coringa pode abrir uma porta para novos tipos de adaptações de quadrinhos. Assim como Logan, é um projeto que se carrega na força de um personagem e uma visão muito particular, e que também se encontra “deslocado” de qualquer cronologia ou continuidade de franquia – algo ditado pelo estilo da Marvel Studios, e que a DC simplesmente não consegue acertar.

Talvez essa saída pelo filme isolado seja mesmo a ideal, e pode garantir um resultado que seja verdadeiramente transcendental. E o cinema mainstream realmente precisa de filmes como o que Coringa promete ser.

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