O melhor filme de Adam Sandler faz 10 anos – e talvez você nem conheça

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Uma das constatações comuns entre os apreciadores de cinema é a de que Adam Sandler é um péssimo ator. Um comediante de pouco talento que gasta seu tempo – e o do público – em comédias que reciclam astros e piadas, com a maioria delas direcionadas para a Netflix. Em parte, é verdade. Sandler realmente tem feito diversos filmes de qualidade baixíssima para o serviço de streaming, mas chamá-lo de um ator ruim seria um equívoco. Quando ele quer, é bem capaz de entregar um grande trabalho, e também de aparecer em ótimos filmes. E talvez você nunca tenha ouvido falar do melhor deles: Tá Rindo do Que?

A comédia dramática foi escrita e dirigida por Judd Apatow, e completou uma década desde seu lançamento nos últimos dias, em 20 de julho para ser bem específico. Chamado de Funny People no título original, o filme infelizmente não chegou aos cinemas brasileiros, tendo sido lançado diretamente em home video pela Universal Pictures no mesmo ano.

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A história, como a maioria dos roteiros de Apatow, mistura elementos da vida real para contar uma história de diferentes impactos. Somos apresentados ao comediante George Simmons, que teve uma carreira brilhante no stand up, e então acabou se rendendo à máquina de Hollywood para realizar diversas comédias sem graça e que ofuscavam seu real talento. Sua vida toma uma reviravolta quando Simmons é diagnosticado com uma forma de leucemia praticamente incurável, o que o joga em uma crise emocional que o faz lhe reavaliar toda a sua vida; e também fazendo-o adotar um jovem comediante stand up, Ira Wright, sob sua asa para conseguir novo material.

É uma metáfora para o próprio Adam Sandler, tanto que Tá Rindo do Que? literalmente começa com imagens de arquivo pessoal onde o ator, jovem, grava brincadeiras com seus amigos – como trotes e ensaio de piadas, o que acaba garantindo seu trabalho mais pessoal. Ele traz todos os maneirismos popularizados em seus filmes, como a voz fina e o sarcasmo quase infantil, mas o balanceia com um lado surpreendentemente sombrio. George Simmons não é uma pessoa boa, e não necessariamente se torna melhor após a reviravolta com a doença, que na metade do filme é subitamente curada, mas sim reforça aspectos de sua arrogância.

Comédia e tragédia

Sua relação com o Ira Wright de Seth Rogen é certamente mais efetiva do que aquela com Leslie Mann, que interpreta sua ex-namorada Laura, agora casada e com filhas. É o clássico bromance, mas visto sob a ótica do mestre e aprendiz, mas em um cenário onde o “veterano” está completamente perdido e que não vai necessariamente “se redescobrir” com a ajuda do “novato” – que, assim como George, não tem a garantia de que se tornará um grande sucesso da comédia da noite para o dia.

É uma história bem realista e sem grandes floreios, e talvez o melhor elogio que se possa fazer sobre Apatow é que seus filmes abraçam as minúcias e capturam fatias de vidas – o que justifica sua longa duração, com o terceiro ato se alongando na visita de Simmons e Ira à casa de interior de Laura, um trecho estranho e melancólico, que dedica-se à tentativa de George de conseguir a vida que sempre desejou – mas que coloca em xeque algumas outras.

Não que Tá Rindo do Que? seja um grande drama. O que o torna especial é justamente como Apatow o equilibra perfeitamente com seu humor tradicional, que envolve altas doses de improviso, humor negro e referências pop. E, nesse caso em especial, oferece um olhar cirúrgico na vida do comediante stand up, já que não apenas o diretor, mas praticamente quase todos os membros do elenco passaram pelos palcos antes de parar em Hollywood. E nenhum texto sobre Tá Rindo do Que? pode passar sem falar de Eric Bana, absolutamente histérico como o marido valentão – mas bem-humorado – de Laura.

Após uma experiência mais profunda do que uma sentada no divã, imagino como Adam Sandler deva ter se sentido vendo Tá Rindo do Que?, que segue como sua melhor performance. O mais curioso é notar que, mesmo após a reflexão, o ator ainda tenha feito uma penca de trabalhos ruins (Cada Um tem a Gêmea que Merece, Pixels e The Ridiculous Six são apenas alguns exemplos dessas atrocidades) que George Simmons faria. 

Mas ainda há esperança. Sandler também escapa do óbvio e às vezes aparece em filmes como Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe e Embriagado de Amor, e traz algo potencialmente brilhante com Uncut Gems, novo filme dos irmãos Safdie.

Mas não durmam no ponto. Tá Rindo do Que? é um filme imperdível e subestimado, e vai apresentar um lado bem diferente de Adam Sandler, que parece ser capaz de performances interessantes quando o material é inspirador. Há bem mais na superfície.

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