ATENÇÃO: Contém spoilers da terceira temporada de Stranger Things

A terceira temporada de Stranger Things veio e estourou diversas discussões sobre os personagens, mas nenhum deles foi mais comentado do que o policial Jim Hopper, vivido por David Harbour. E não só pelo seu destino nebuloso no episódio final da temporada, que é por si só uma discussão completamente isolada, mas sobre seu comportamento nos primeiros episódios: os irmãos Duffer arruinaram Hopper? É o que vamos discutir.

A ideia da decaída de Hopper como personagem ganhou mais força na última semana, quando a atriz Evan Rachel Wood (Westworld) viralizou ao comentar como o personagem era uma figura detestável, misógina e que deveria ser evitada a qualquer custo. Isso por que o Hopper que vemos nessa temporada é muito mais agressivo e ranzinza do que o que estamos acostumados. Na primeira e segunda temporada, temos o arco de um homem depressivo e alcoólatra que tenta superar a morte de sua família encontrando novo significado na busca por Will Byers e na adoção de Eleven como sua filha.


Sempre foi um jogo de equilibrar o lado mais durão e agressivo de Hopper com seus traços de ternura e leveza. Na terceira temporada, temos a boa premissa de Hopper ter ciúmes do namoro entre Eleven e Mike, trazendo o clássico clichê do pai neurótico que exige que a porta do quarto dos dois fique aberta ou até ameaças para o “genro” adolescente. Isso abre a ideia de que o veremos aprender a se abrir e aceitar o amadurecimento de sua filha, mas é um traço que acaba abandonado por boa parte da temporada.

Hopper e Joyce

A outra grande relação envolvendo Jim Hopper que tem mais desenvolvimento na terceira temporada de Stranger Things é aquela envolvendo Joyce Byers. Desde o começo da série, um romance entre os dois foi sugerido, e o terceiro ano coloca os dois como amigos, mas com uma tensão romântica prestes a estourar.

Infelizmente, o roteiro dos Duffer acaba preso a uma implicância de Hopper com um fato que incomodou muitas pessoas. Hopper e Joyce marcam um encontro, onda sairiam para jantar, mas ele acaba levando bolo quando Joyce vai a fundo para investigar um evento misterioso envolvendo os imãs de sua geladeira; algo fútil, mas que se revela essencial para descobrir o plano maligno dos russos no Starcourt Mall. Mesmo diante da descoberta, Hopper passa grande parte dos episódios restantes escrutinando Joyce por ter furado o encontro, mesmo com sua justificativa de estar diante de algo mais importante – certamente mais importante do que um jantar que pode ser remarcado.

Ao longo dos episódios restantes, vemos muito pouco do lado mais dócil de Hopper, até mesmo com Joyce. A relação dos dois cruza a tensão mais divertida de obras como Indiana Jones (onde temos um protagonista durão amolecido por uma mulher), e mal podemos ver a química e o interesse amoroso dos dois. Em outras palavras, Hopper é bem insuportável durante grande parte dos eventos finais dessa temporada. E talvez seja a última vez que o vejamos.

Existe redenção para Hopper?

Felizmente, Stranger Things finalmente nos trouxe o Jim Hopper que tanto adoramos lá no finalzinho da temporada. Infelizmente, talvez seja tarde demais, já que o policial aparentemente se sacrifica para deter os russos e salvar Joyce e os demais do Starcourt Mall. É um momento catártico, e o sorriso de David Harbour na cena mostra que o personagem toma essa decisão de forma honrosa, aceitando seu destino.

Mas a grande redenção vem mesmo na forma da carta que ele escreve para Eleven. No começo da temporada, ele passou muito tempo trabalhando em um discurso que nunca o vemos entregar, mas que felizmente acaba nas mãos da filha adotiva nos momentos finais da temporada. Ali vemos todo o crescimento emocional e o amadurecimento de Hopper, e que parecia ausente durante toda a terceira temporada.

Em sua mais recente temporada, Stranger Things quase estragou um de seus personagens mais queridos. Torcemos para que Jim Hopper milagrosamente tenha sobrevivido (e a julgar pela cena pós-créditos, parece ser o caso), pois ainda há muito o que fazer com seu personagem.