Velozes e Furiosos abraçou o ridículo e se tornou uma das maiores franquias de Hollywood

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Acredito que nenhuma franquia tenha uma trajetória tão peculiar como Velozes e Furiosos. Iniciada como o típico filme de ação de sábado à tarde para agradar os entusiastas por carros e corrida de rua, hoje ela é uma das principais galinhas de ovos de ouro da Universal Pictures, e o fato de que haja até mesmo brinquedos nos parques temáticos em Orlando (com projeções 3D de Vin Diesel e Michelle Rodriguez), diz muito sobre o status quo que a cinessérie atingiu. E o sucesso está ligado a um fator muito simples: o ridículo.

Em sua gênese, Velozes e Furiosos cometia o erro de se levar a sério demais. O primeiro filme, de 2001, era um longa de gênero policial que repetia praticamente toda a estrutura e os pontos de roteiro de Caçadores de Emoção – filme bem superior com Keanu Reeves e Patrick Swayze, e que abordava o surf no lugar de corridas ilegais. Era um filme no mínimo competente, já que seu elenco não é exatamente o melhor exemplo de carga dramática que Rob Cohen tenta almejar, mas que impressionou pelas cenas de ação bem executadas. Quem não cresceu vendo a clássica mensagem de “não tente isso em casa” no início de cada filme?

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A franquia manteve essa linha em seus próximos três filmes: +Velozes +Furiosos, o semi-derivado Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio e o semi-reboot Velozes e Furiosos 4. Todos tiveram resultados variados, mas ainda contavam com a seriedade em seu DNA. Foi mesmo no quinto filme que Velozes & Furiosos mudou para sempre. Operação Rio abandona qualquer pretensão com corridas ilegais e grandes tramas, e simplesmente transforma-se em um filme heist amalucado, resolvendo oferecer cenas de ação insanas e desafiadoras das Leis da Física. Velozes & Furiosos 5: Operação Rio é um filme ridículo, e justamente por isso é tão divertido.

O nível de insanidade só aumentou a partir daí. A franquia logo ficou conhecida por trazer diferentes set pieces “malucas” em cada um de seus novos filmes, com Velozes 6 trazendo o confronto entre carros e um tanque de guerra, Velozes 7 trazendo carros saltando de pára-quedas e o mais recente oitavo filme colocando uma batalha entre carros e um submarino nuclear. Em uma geleira. E quem não se lembra de Dwayne Johnson desviando um torpedo com as próprias mãos?

Desenhos animados e videogames

O apelo de Velozes & Furiosos se tornou muito maior após essas mudanças. É quase como se a franquia da Universal estivesse dedicada a se tornar o Grand Theft Auto do cinema, onde literalmente tudo é possível do ponto de vista de ação. E não apenas no sentido de um videogame nas telas, mas até mesmo de um desenho animado, já que os filmes – de Velozes e Furiosos a Hobbs & Shaw – apostam em ideias conceituais e visuais que só pareciam possíveis em 2D; especialmente ao retratar a força física de Dwayne Johnson. Diabos, Hobbs & Shaw chuta qualquer pretensão e introduz um vilão que basicamente tem super-poderes e uma moto transformer, e a promessa de que a franquia irá para o espaço só nos deixa mais animados.

É até bizarro analisar como até mesmo a recepção crítica da franquia mudou. Usando o agregador de críticas do Rotten Tomatoes como referência, os quatro primeiros filmes de Velozes e Furiosos foram classificados abaixo da média, mas após o quinto filme, todos eles foram bem recebidos e avaliados – e até mesmo o derivado Hobbs & Shaw segue por esse caminho, atualmente com aprovação de 71%. E mesmo sendo um tempo diferente do que a década passada, Velozes e Furiosos teve seus melhores resultados de bilheteria após Operação Rio, com os dois últimos filmes cruzando a marca de US$1 bilhão em sua arrecadação global. Lembrem-se, tudo começou com uma história que envolvia roubo de DVDs…

O fato de não ser uma franquia baseada em material já publicado (como quadrinhos, livros ou séries de TV) é por si só um milagre, ainda mais em um mercado completamente dominado pela Marvel Studios. Isso também garante uma imprevisibilidade derivada de sua liberdade, já que nunca poderemos saber o que vem a seguir na história – ao contrário de adaptações de quadrinhos, onde sempre é possível ter alguma referência. Velozes está sempre surpreendendo com reviravoltas dignas de uma novela mexicana, e até encontro soluções bem eficientes para amarrar todos os seus filmes em uma cronologia que faz sentido e se complementa. É a mais alta suspensão de descrença, mas cujo charme está justamente aí.

Quanto mais ridículo Velozes e Furiosos fica, melhor é o resultado.

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