Na noite da última quarta-feira (25), o The Hollywood Reporter trouxe a notícia de que Kevin Feige, o produtor responsável por construir o Universo Cinematográfico da Marvel Studios, estaria se juntando à LucasFilm para a produção de um novo filme da saga Star Wars. É um grande acontecimento, ainda mais considerando que Feige é o produtor mais badalado e bem sucedido da indústria atualmente, e Star Wars será seu primeiro projeto que não envolve cinema de quadrinhos.

Naturalmente, as rodinhas de conversa e especulação começam a pipocar por cantos da internet. Com Kevin Feige envolvido, é difícil não imaginar sua mão no comando da empresa, que tem sido chefiada por Kathleen Kennedy desde que a Disney a comprou de George Lucas por US$4 bilhões, em 2012. Desde o lançamento do controverso Star Wars: Os Últimos Jedi, uma parcela de fãs exige que Kennedy deixe o posto na empresa – o que não faz sentido, considerando que a produtora entregou 3 filmes que bateram a marca de bilhão em seus primeiros anos na LucasFilm -, algo que se tornou mais delicado no fracasso de Han Solo: Uma História Star Wars nas bilheterias no ano passado.

Ao passo em que a saga principal chega ao fim com Star Wars: A Ascensão Skywalker, Kennedy tem apostado em diferentes formas de continuar e expandir o universo criado por George Lucas nas telas. Além das séries no Disney+, que incluem The Mandalorian, Cassian Andor e o prelúdio de Obi-Wan Kenobi, Kennedy desenvolve projetos paralelos com Rian Johnson e a dupla D.B. Weiss e David Benioff (Game of Thrones) para novos tipos de histórias no cinema. Kevin Feige é a nova peça desse tabuleiro, que inclui alguns dos maiores contadores de histórias do audiovisual: a maior franquia do cinema e a maior série de TV de todos os tempos. Não há economia de investimentos aqui.


O que Feige trará à mesa?

Primeiramente, precisamos entender que Kevin Feige não deve substituir Kathleen Kennedy no comando de Star Wars. Não seria possível que o produtor chefiasse duas grandes franquias paralelamente, ainda mais considerando que o MCU só vai ficar maior com a chegada de X-Men, Quarteto Fantástico e mais uma penca de super-heróis que também serão apresentados no streaming do Disney+. Nem todos podem ser como Ryan Murphy, afinal.

Como a maior conquista do MCU é mesmo sua longa narrativa de filmes interconectados, acredito que a Disney exigirá justamente isso de Feige para Star Wars. Diversos projetos seguem em desenvolvimento, e o produtor talvez ajude Kennedy e Alan Horn a criar um “multiverso” de possibilidades de histórias na saga – assim como começar sua própria narrativa, podendo ser ambientada na era do Império, Guerras Clônicas ou – esperamos – começar algo completamente novo após os eventos de A Ascensão Skywalker. Assim como Kylo Ren afirma em Os Últimos Jedi, é hora de se desapegar do passado.

A entrada de Feige em Star Wars pode render bons frutos. Meu único medo está no pior fator do MCU: os diretores. É um fato que Feige coloca a uniformidade da narrativa do universo antes de marcas autorais, geralmente contratando diretores indie e com pouca experiência no mercado, e que não são exatamente os mais criativos em execução visual. Nesse quesito, eu detestaria ver Star Wars no mesmo filtro chapado e sem vida da maioria das produções do MCU, então que ao menos Kennedy mantenha-se responsável na área de diretores.

Mas é um futuro interessante para a saga Star Wars, que definitivamente precisa ganhar o coração dos fãs novamente.