Ao contrário de outras versões do personagem, Arthur Fleck, o novo Coringa, não ri por prazer das maldades que faz. Ele, na verdade, tem um transtorno mental chamado Afeto Pseudobulbar.

Explicamos hoje os principais detalhes dessa doença na vida real, e a maneira como ela foi abordada no filme.


O que é o Afeto Pseudobulbar?

O Afeto Pseudobulbar (ou PBA) é um distúrbio emocional em que o estado emocional de uma pessoa está completamente desconectado de seu humor real, geralmente manifestando risadas incontroláveis ​​ou choro violento.

A condição foi registrada pela primeira vez em 1872, quando Charles Darwin escreveu sobre doenças cerebrais que têm uma tendência especial a induzir o choro.

Os pesquisadores concluíram gradualmente que o Afeto Pseudobulbar é resultado de um dano cerebral e parece haver um vínculo com a raiva pós-AVC. O PBA foi nomeado de fato na década de 1890 para diferenciá-lo de outras condições.

As pessoas que sofrem de PBA frequentemente experimentam um certo grau de isolamento social, porque é difícil para os outros lidarem com o riso ou choro incontrolável.

 O Afeto Pseudobulbar do Coringa

Arthur Fleck sofre em vários momentos por risos incontroláveis que são completamente inapropriados para a situação em que ele está naquele momento.

Cada episódio segue um padrão típico, atingindo um pico e diminuindo lentamente. O riso parece ser uma expressão do tumulto interno que se desencadeia sempre que ele se sente estressado, desconfortável, ou tenta expressar a verdade do que realmente está sentindo.

No filme, observa-se que a condição pode ser causada por dano cerebral, e no terceiro ato, a fonte da lesão cerebral de Arthur – a provável causa de sua risada – é revelada.

Alguns dos sintomas de Arthur são precisos para o PBA do mundo real – como o riso que ele não consegue controlar – mas outros são moldados para o filme.

Na realidade, não há relação entre Afeto Pseudobulbar e estresse. Os risos e lágrimas não tem qualquer ligação com o humor real de uma pessoa.

As lágrimas, inclusive, são mais comuns do que o riso, e é por isso que o PBA é frequentemente diagnosticado como depressão, embora os dois possam coincidir – e acontecem no caso de Arthur.

Além do PBA e da depressão (vista nos vários momentos onde Arthur tem pensamentos sobre a própria morte), o personagem também sofre de psicose ilusória e transtorno de personalidade narcisista, alucinando várias vezes com a realização de seus desejos pessoais.