Ao longo da última década, o Homem de Ferro de Robert Downey Jr. se tornou uma das figuras mais populares e icônicas do cinema de super-heróis. É um grande mérito do ator, e também do visual estrondoso do personagem de armadura.

Porém, os fãs mais chat… atenciosos podem ter notado que, de 2008 para cá, as armaduras de Tony Stark sofreram alterações. Não apenas no desenvolvimento tecnológico do personagem, claro, mas sim na forma como são executadas cinematograficamente: os efeitos práticos foram dando espaço ao CGI.

Nessa linha do tempo, vamos recapitular essa jornada para tentar entender o que diabos aconteceu com o visual outrora fenomenal do herói de Tony Stark.


Confira abaixo.

2008-2010: A era prática

O primeiro Homem de Ferro foi o filme perfeito para o herói. O roteiro era excelente, a direção foi acertada e Robert Downey Jr. domina cada segundo de tela. E o melhor: todas as armaduras do Homem de Ferro foram construídas de forma prática, ou seja, existiam no set.

Isso porque, na época, o lendário técnico de efeitos especiais Stan Winston ainda era vivo. Com sua produtora, Winston ajudou a dar vida a criaturas do cinema como o T-Rex de Jurassic Park, a Rainha de Aliens: O Resgate e todos os andróides de O Exterminador do Futuro. Trabalhando com Jon Favreau, Winston ajudou a construir as três armaduras do herói: a robusta da fuga da caverna, a prateada de testes e a versão clássica vermelha e dourada. Perfeição

Em Homem de Ferro 2, o CGI começa a entrar nas pernas, com Downey Jr. usando calças de captura de performance. Mas nada de grave até aí.

2013: Equilíbrio perfeito

Homem de Ferro 3 certamente tem muitos problemas, mas posso afirmar sem medo que os efeitos visuais estão entre as qualidades. O filme de Shane Black ainda conta com trajes inteiramente práticos do herói, mas traz uma grande quantidade de CGI, que é bem implementado quando vemos Stark usando os trajes.

Mas, na verdade, talvez o terceiro filme não incomode nesse quesito por um motivo curioso: a armadura do Homem de Ferro não aparece tanto quanto sua persona humana, que também começa a usá-la de forma remota.

2012-2015: O toque Joss Whedon

Entre continuações dos filmes solo, Joss Whedon colocou o Homem de Ferro em seus dois filmes dos Vingadores. E o resultado foi bem eficiente, mantendo um bom uso de CGI para revelar funções mais ambiciosas das armaduras de Tony Stark, e é o tipo de efeito visual que conversa bem com elementos live-action.

O mesmo se manteve em Era de Ultron, onde Stark continuou inovando em suas invenções. A maior delas, claramente, foi a gigantesca Hulkbuster, armadura usada para o Homem de Ferro enfrentar um Hulk descontrolado. É uma criação impossível de se realizar praticamente, claro (ao menos em uma época sem Stan Winston), e o CGi não deixa a dever.

2016-2019: A era da Cabeça Flutuante

Ok, vamos falar sobre os irmãos Russo novamente. A dupla tem suas qualidades, mas efeitos visuais certamente não são sua especialidade, como fica bem exemplificado com o Homem de Ferro. Uma década depois, é de se entender que Robert Downey Jr. não queira ficar usando um traje pesado nas gravações, o que acabou gerando uma renderização inteiramente digital para as armaduras. E isso é uma pena.

Na forma da Bleeding Edge, Stark agora tem nanotecnologia para formar seu traje, e o resultado não poderia ser mais artificial. Tanto em Capitão América: Guerra Civil quanto em Vingadores: Guerra Infinita, o efeito provocado é o de que a cabeça do ator está “flutuando” (já que grande parte dos cenários também são digitais). É uma praticidade para o ator e seu personagem, mas toda aquela presença dos filmes originais é perdida.

Para não dizer que foi perda total, reconhecemos que a renderização é um pouco melhor em Vingadores: Ultimato.

Mas eu definitivamente tenho saudades de quando Robert Downey Jr. realmente usava uma armadura nas filmagens. A diferença é gritante.