Apesar dos filmes de heróis da DC e da Marvel estarem dominando Hollywood nesta década, com histórias criativas e recompensadoras, a verdade é que os quadrinhos das duas empresas estão seguindo um caminho bem ruim quando se trata de contar histórias interessantes.

Infelizmente, a Marvel e a DC estão contando suas histórias de maneira covarde, se apoiando frequentemente em reboots e retcons (uma espécie de revisionismo de eventos) para não mudar os acontecimentos cruciais, travando o desenvolvimento de seus heróis e afastando qualquer mudança significativa.

Será que isso é realmente explorar todo o potencial das histórias de heróis? o WhatCulture acha que não. Em um artigo, o site discutiu como a DC e a Marvel estão errando com seus heróis nos quadrinhos.


Linhas temporais e personalidades alteradas

No início do universo Marvel, criado nos anos 60 por figuras como Stan Lee, o desenvolvimento dos personagens acontecia de forma natural, e eles simplesmente ganhavam o direito de evoluir ao longo dos anos.

Não existia uma preocupação em criar realidades alternativas para manter a história dos personagens intactas ou reverter eventos, as coisas simplesmente aconteciam como tinham que acontecer e esse era o grande trunfo da Marvel. Vejamos como exemplo, o Homem-Aranha.

Criado como um adolescente de 15 anos, o Homem-Aranha foi evoluindo ao longo dos anos 60 na medida em que suas histórias eram lançadas. Ele se formou, se tornou professor, perdeu Gwen Stacy pelas mãos do Duende Verde, causou a morte do vilão e se casou com Mary Jane. Sabe qual foi a grande magia nisso tudo? Nada disso foi alterado.

Gwen continuou morta, assim como Norman Osborn. A Marvel permitiu que o Homem-Aranha envelhecesse, permitiu que sua história mudasse e tudo acontecia da forma mais orgânica possível. Infelizmente, essa fórmula não se manteve para sempre…

A bagunça com o Homem-Aranha nos anos 90

A covardia da Marvel começou nos anos 90. Durante a Saga do Clone, foi introduzido um personagem chamado Ben Reilly, que era na verdade um clone de Peter Parker.

Com isso, a Marvel caminhava para uma substituição da identidade do Homem-Aranha, estabelecendo Ben como o novo herói e aposentando Peter, que na época estava casado com Mary Jane e estava prestes a ter um filho com ela.

Infelizmente, em um movimento medroso, a Marvel decidiu não só evitar novas mudanças, mas também reverter todo o desenvolvimento que o Homem-Aranha havia passado.

Norman Osborn foi ressuscitado depois de 20 anos, Mary Jane perdeu o bebê e Ben Reilly foi morto, o que restaurou todo o status quo do Homem-Aranha nos quadrinhos da Marvel. Todos esses atos abriram o caminho para o desastre que viria nos anos seguintes.

A Marvel e a DC gostam do status quo

Nos anos 2000, tanto a Marvel como a DC se mostraram viciadas em manter o status quo (que é basicamente manter as coisas como estão). Em uma das HQs do Homem-Aranha, a Tia May é baleada e acaba ficando entre a vida e a morte, o que faz com que Peter busque um acordo com o vilão Mephisto para reverter a situação.

Mephisto salva a Tia May, mas em troca, o Homem-Aranha abandona todo o seu futuro e presente – o que inclui seu casamento com Mary Jane. Esse ato da Marvel se transformou em uma tendência, que acabou levando todas as histórias em quadrinho dos anos 2000 para um caminho que buscava reverter qualquer mudança.

A DC não ficou longe da Marvel nesse quesito. Nos Novos 52, Barbara Gordon recebeu a capacidade de voltar a andar. Barry Allen e Hal Jordan, figuras clássicas dos quadrinhos da DC, voltaram a assumir as identidades do Flash e do Lanterna Verde.

No fim das contas, tanto a Marvel quanto a DC decidiram seguir um caminho em que a continuidade não importa, todos os eventos são revertidos e os heróis sempre vão girar e parar no mesmo lugar.

Nessa metodologia, que se estende até os dias de hoje, os heróis estão se tornando personagens menores, que não crescem e não evoluem. Já passou da hora da Marvel e da DC consertarem isso. Os leitores merecem personagens adultos, que vivem dramas reais e que sofrem perdas reais. Só assim seremos capazes de nos relacionarmos com esses heróis.